Diretor da ANS (Agência Nacional de Saúde) advogou entre 2010 e 2012 para Planos de Saúde.

03/10/2013 - 10h23 - Folha

Após denúncia, diretor da ANS renuncia ao cargo
Atualizado às 13h42.
O diretor de gestão da ANS (Agência Nacional de Saúde), Elano Figueiredo, pediu demissão nessa quarta-feira após a Comissão de Ética da Presidência da República recomendar a sua substituição.
Ele é acusado de ter omitido em seu currículo já ter trabalhado a favor de uma operadora de saúde, a Hapvida. O diretor advogou, entre 2010 e maio de 2012, para a operadora de planos de saúde e também para o grupo Unimed.
Segundo informou a colunista da Folha Cláudia Collucci, um levantamento do Idec (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor) mostrou que a Hapvida foi a quarta operadora que mais negou cobertura aos seus usuários em 2012. A maioria das ações buscava reverter punições aplicadas à empresa por se negar a pagar o tratamento de segurados.
A Comissão de Ética da Presidência investigava a conduta do diretor desde o início de agosto, quando ele assumiu o cargo. No mês passado, o Idec apresentou novos indícios de conflito de interesses na nomeação de Figueiredo.
O instituto pediu que a comissão sugerisse a exoneração dele, sob o argumento de que a omissão da informação sobre seu trabalho em defesa de operadoras de planos de saúde constitui falha ética, além do que as ocupações atual e anterior caracterizarem conflito de interesses.
Pedro França/Agência Senado
Indicado para o cargo de diretor da ANS, Elano de Figueiredo pediu demissão em carta à presidente Dilma
Indicado para o cargo de diretor da ANS, Elano de Figueiredo pediu demissão em carta à presidente Dilma

Citando "grave conflito de interesse", entidades médicas como Fenam, CFM (Conselho Federal de Medicina) e AMB (Associação Médica Brasileira) também pediram, em agosto, o afastamento do diretor.
Com seu pedido de renúncia, Elano escreveu uma carta de demissão destinada à presidente Dilma Rousseff. A carta foi publicada hoje no site da ANS.
"Na data de hoje, a Comissão de Ética dessa Digna Presidência da República entendeu, equivocadamente, que deveria recomendar a minha destituição do cargo em alusão, ainda que reconhecendo não haver conflito de interesses na minha situação. Com isto, mesmo convicto de que não pratiquei nenhuma irregularidade, seja ética, moral ou legal, penso que o referido pronunciamento torna insustentável a continuidade do cumprimento do meu mandato", diz Elano, na carta.


03/10/2013 - 13h30
Comissão de Ética pediu demissão e advertência a diretor da ANS

TAI NALON

DE BRASÍLIA
A Comissão de Ética da Presidência pediu nesta quarta-feira (2) a "destituição" do diretor de gestão da ANS (Agência Nacional de Saúde), Elano Figueiredo, por "graves e reiteradas violações éticas".
Ele é acusado de ter omitido em seu currículo já ter trabalhado a favor de uma operadora de saúde, a Hapvida. Por conta disso, a Casa Civil pediu no mês passado informações à Comissão de Ética, órgão de assessoramento da Presidência.
O voto, divulgado nesta quinta-feira (3), pouco depois de Figueiredo ter anunciado sua renúncia ao cargo, julga "improcedente a alegação de ocorrência de conflito de interesses", mas, "levadas em conta todas as manifestações, especialmente as defensivas, conclui-se pela existência de graves e reiteradas violações éticas de autoria do Sr. Elano Rodrigues de Figueiredo"
Segundo a Comissão de Ética, o diretor transgrediu o artigo 3º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, que resguarda os princípios elementares do comportamento ético das autoridades a ele submetidas e tutela a clareza de posições e a máxima inspiração de confiança do público em geral.
Em voto de mais de 30 páginas, o relator do processo, o conselheiro Mauro de Azevedo Menezes, opinou pela sanção de advertência ao diretor e posterior afastamento.
Segundo Menezes, a omissão de que tinha atuado para uma operadora de saúde no passado gera "desconfiança de elevada gravidade", "isso porque o sr. Elano Figueiredo assumiu compromisso de não atuar em casos que envolvessem seus amigos clientes quando tomou posse no cargo de diretor-adjunto". "Com muito maior ênfase deveria referendá-lo ao ser empossado como diretor efetivo."
Afirma ainda que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, "ao recomendar sua nomeação à Casa Civil, foi ludibriado pela informação anteriormente prestada, mas não mantida, pelo hoje diretor da ANS".
"Diante da gravidade da conduta verificada, seja recomendada à Excelentíssima Senhora Presidente da República a destituição do Sr. Elano de Figueiredo do cargo de Diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar", pediu ainda o relator.
`

03/10/2013 - 13h11
Demissão na ANS é ponta do iceberg chamado conflito de interesses
Cláudia Collucci - é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros "Quero ser mãe" e "Por que a gravidez não vem?" e coautora de "Experimentos e Experimentações". Escreve às quartas, no site.
A demissão do diretor da ANS Elano Figueiredo é só a ponta do polêmico iceberg chamado conflito de interesses.
A sua derrocada se deu pelo fato de ele ter omitido em seu currículo enviado ao governo e ao Senado ter sido representante jurídico de uma operadora de saúde (Hapvida).
Elano trabalhou com carteira assinada para a Hapvida por quase dois anos, entre outubro de 2008 a junho de 2010. Mas no currículo encaminhado ao governo, Figueiredo informou apenas que, nesse período, trabalhou como advogado. Ele alega que a omissão se deu por questões de sigilo profissional.
Um levantamento do Idec (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor) mostrou que a Hapvida foi a quarta operadora que mais negou cobertura aos seus usuários em 2012. Mas o instituto não relativizou o número de usuários da operadora, que é a terceira maior do Brasil em beneficiários, com o de reclamações.
De acordo com a ANS, que relativiza os números, a operadora está em 27º lugar no índice de reclamações entre as cem maiores.
Enquanto esteve advogando para a Hapvida (e depois para a Unimed), as ações impetradas por Elano buscavam reverter punições aplicadas à empresa por se negar a pagar o tratamento de segurados.
Mas esse tipo de expediente não é exclusivo de Elano. Vários diretores que já passaram pela ANS tiveram altos cargos nas operadoras de saúde e, depois de deixarem a agência, voltaram para o setor privado, um movimento que já foi apelidado de "porta giratória".
A ANS, órgão do governo responsável por fiscalizar os planos de saúde e mantido por recursos públicos, leva até 12 anos para analisar processos em que operadoras de planos de saúde são acusadas de irregularidades contra seus clientes.
A agência diz que segue um processo legal para a aplicação de penalidades contra as operadoras e que não há impedimento que proíba que seus diretores venham ou retornem ao mercado de planos de saúde. Argumentam que tais pessoas "entendem do setor".
A saída de Elano é bom momento para discutir a questão dos conflito de interesses não só na ANS, mas também em outras agências regulatórias do país.
Um outro exemplo instigante: uma antiga gerente da área de propaganda de medicamentos da Anvisa agora é alta executiva da Interfarma (associação que representa as multinacionais farmacêuticas no Brasil).
O discurso dela, antes anti-indústria, agora está totalmente afinado com o dos laboratórios. Sabe de cor e salteado a retórica contrária e os próprios planos que a Anvisa tinha para o setor.
Não há nada de ilegal nisso, é claro, mas rende bons questionamentos no campo da bioética. Não é hora de o governo federal prestar mais atenção nessas relações conflituosas entre os seus funcionários e o setor que deveriam fiscalizar?


06/08/2013 - 03h20 -
Plano contra a saúde
Janio de Freitas – colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas. Escreve na versão impressa do caderno "Poder" aos domingos, terças e quintas-feiras.
Até que não fica mal, se considerados os desserviços da ANS aos pagadores de planos de saúde, que sua presidência seja entregue a alguém com histórico de ligação profissional às empresas de planos. Mas, para ganhar o cargo na Agência Nacional de Saúde Suplementar, o tal Elano Rodrigues Figueiredo não precisava tapear os senadores que o sabatinaram, surripiando do currículo pessoal o dado mais significativo, aquela ligação. Mesmo para a ANS sua deficiência moral tornou urgente a demissão pelo governo ou a anulação da sabatina no Senado, para salvar as caras nos dois lugares, já que a sua não o conseguiria.
Os 45 milhões de trouxas pendentes de um plano de saúde sabemos que, agora mesmo, a ANS concedeu às empresas de planos o aumento de 9% nas nossas mensalidades. Ou 50% acima do pico em que a inflação está. E, concomitante com uma coisa e outra, o Fluminense trocou de técnico.
Os planos, vê-se, estavam mesmo precisando que a ANS lhe dessem mais um aumento acima da inflação e, claro, do aumento dos salários e dos vencimentos no serviço público. Necessidade, por exemplo, da Unimed. Como o presidente da Unimed é apaixonado pelo Fluminense, os mais caros jogadores do time não custam ao Fluminense, custam aos cofres da Unimed. Nem o técnico pôde ser o preferido do presidente do clube, foi contratado quem o presidente da Unimed há tempos desejava. O elenco de jogadores é dividido entre os que ganham salários fortunosos e os recebem em dia --o chamado "time da Unimed"-- e os que vivem no pendura dos salários atrasados.
Não por acaso, o tal Elano Rodrigues Figueiredo, antes de içado à presidência da ANS, já era diretor da agência, partícipe nas decisões sobre aumentos das mensalidades. E, antes desse cargo, advogava em causas contra pagadores de planos e contra a ANS mesma. Na condição de advogado da Unimed.
Mas como alguém com um histórico desses se torna diretor da agência que deveria regular os planos de saúde, para proteger quem os paga? E como alguém assim é indicado pela Presidência da República à aprovação do Senado e, aí aprovado por unanimidade, é nomeado presidente da agência? E como a Casa Civil da Presidência da República encaminha ao exame do Senado um currículo ilusório? E de onde surgiu ou de quem surgiu a indicação de tal tipo à Presidência da República?

A Agência Nacional de Saúde Suplementar é um caso de polícia, mas para investigar não só a ela: a seu respeito, é evidente que o caso de polícia se estende até à Presidência da República. Para descobrir, também, e informar aos pagadores de planos de saúde, qual é a moralidade administrativa existente em uma agência com metade dos diretores historicamente ligados ao que devem vigiar e controlar.

O que o Governo do RJ vai falar sobre o desfecho da morte de Amarildo?

Caso Amarildo precisa de punição exemplar, para as autoridades nunca mais usar força para reprimir movimentos populares.


02/10/2013 - 17h51
Após indiciar PMs, delegado diz que Amarildo pode ter sido torturado em matagal
DIANA BRITO - DO RIO
O delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, afirmou na tarde desta quarta-feira que tomou como base um conjunto de provas testemunhais para indiciar os dez policiais militares por tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. Segundo ele, uma das hipóteses é que Amarildo tenha sido torturado no matagal do parque ecológico no entorno da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, na zona sul carioca.
"Dentro do conteiner [da UPP] não existia marca de sangue. Ele não foi torturado ali. Estamos convictos do que o inquérito apurou", afirmou o delegado, em entrevista coletiva na Divisão de Homicídios, sem dar mais detalhes.
Barbosa disse que o inquérito foi encerrado na terça-feira (30) na delegacia com mais de 50 depoimentos. Agora, a polícia aguarda manifestação do Ministério Público e decisão judicial.
Foram pedidas as prisões preventivas dos policiais por indícios de ameaças às testemunhas. De acordo com a investigação, nenhum PM suspeito confessou o crime. Eles negam envolvimento no desaparecimento do ajudante de pedreiro.
Três pessoas que prestaram depoimentos contra os policiais foram incluídas no programa nacional de proteção à testemunha.
Segundo os PMs, Amarildo foi levado para a sede da UPP, onde a identidade dele teria sido averiguada. Depois, ele teria descido pela escadaria lateral, depois de ser liberado, local onde a câmera de segurança não funcionava.
Ainda naquela noite, após a abordagem, os mesmos policiais saíram com a viatura da sede da UPP para abastecer no Batalhão de Choque, no centro do Rio.
02/10/2013 - 16h57


Promotoria apresentará 6ª denúncia contra PMs indiciados por morte de Amarildo
MARCO ANTÔNIO MARTINS - DO RIO
O Ministério Público do Rio de Janeiro deve apresentar até sexta feira (4) a sexta denúncia contra os dez policiais militares indiciados sob suspeita de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, 43.
De acordo com o promotor Homero das Neves, depoimentos e provas técnicas comprovam a participação dos policiais no desaparecimento do ajudante de pedreiro no dia 14 de julho deste ano. "O Amarildo não desceu a escada por onde os policiais dizem que ele passou", afirmou.
Segundo ele, três câmeras estavam instaladas próximo a sede da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Duas estavam queimadas, mas uma funcionava normalmente e não registrou a passagem do pedreiro, ao contrário do que disseram os policiais.
A investigação, feita pela Polícia Civil do Rio durou quase dois meses. Entre os indiciados está o major Edson Santos, então comandante da UPP da Rocinha. Dos demais indiciados, quatro são suspeitos de levar Amarildo até a sede da UPP, em 14 de julho, e cinco estariam no local quando o ajudante de pedreiro chegou.
Segundo a investigação, Amarildo foi abordado por 14 PMs em um bar próximo à sua casa. Sem documentos, ele foi levado para a base da UPP por quatro homens.
No local, ainda de acordo com o inquérito, o ajudante de pedreiro foi forçado a contar onde estariam escondidas armas de traficantes.

O major Santos sempre negou essa versão. Diz que Amarildo foi liberado em "cinco minutos".

Fundos de Pensão aplicam sempre faz o jogo do governo, se não fosse o “acordo” poderia outro buraco.




03/10/2013 - 03h00
Acordo entre Oi e Portugal Telecom foi alívio para o governo
NATUZA NERY - DE BRASÍLIA
O governo não só deu apoio à fusão da Oi com a Portugal Telecom como ficou aliviado com a celebração da união entre as duas empresas.
Segundo a Folha apurou, havia grande preocupação com o futuro da companhia brasileira e dúvidas sobre a capacidade de caixa da Oi no médio prazo.
Antes do aval federal, foram acertados dois compromissos com o Executivo.
O primeiro é uma capitalização na empresa por meio de oferta pública de ações (o patamar mínimo é de R$ 7 bilhões, mas o alvo é de R$ 8 bilhões) para ampliar investimento em infraestrutura.
O segundo é a redução de seus dividendos anuais a acionistas para R$ 500 milhões -como, de fato, ocorreu em agosto após a Oi perder R$ 124 milhões no segundo trimestre deste ano.
Há cerca de dois meses, a cúpula do governo Dilma foi procurada para tratar da fusão. Na ocasião, executivos da Oi pediram que o BNDES entrasse no negócio, mas a proposta foi prontamente recusada pela presidente.
Internamente, havia o temor de repetir erros cometidos em 2008, na união da Oi e Brasil Telecom para criar uma "supertele" brasileira. O problema é que a operação, apesar de privada, foi viabilizada majoritariamente com recursos públicos, incluindo financiamento do BNDES e de fundos de pensão estatais.
O negócio contou ainda com empurrão do então presidente Lula, que autorizou mudança na legislação para viabilizar a criação da gigante nacional. Mas o negócio acabou trazendo prejuízos.
Da futura multinacional, o governo federal espera um enxugamento na estrutura da Oi, considerada muito "inchada", além da implantação de uma política mais austera de gestão da empresa, sinalizada pela redução dos dividendos e por mais transparência em suas decisões.
Para o Ministério das Comunicações, a Portugal Telecom é uma empresa pequena, mas detém tecnologia para impulsionar a brasileira.
A Oi ocupa o quarto lugar no mercado de telefonia móvel no país e tem a tarefa de cobrir o Brasil todo nas operações de telefonia fixa.
O endividamento da tele e as multas impostas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) por falhas no serviço sempre preocuparam o Planalto, que acompanhou, de perto, detalhes da negociação.
Durante todo o processo, os dois principais interlocutores do governo foram Zeinal Bava (atual presidente da Oi e que vai comandar a CorpCo) e Otávio Azevedo, presidente do conselho de administração da Telemar Participações, controladora da Oi.
Em sinal da sintonia com Brasília, Azevedo se encarregou de avisar o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na terça-feira de que o fato relevante oficializando a fusão seria divulgado na manhã de ontem.
Luciano Veronezi/Editoria de Arte/Folhapress




Garota de 11 anos tem a blusa e o sutiã arrancados por outros sete alunos em escola da Freguesia do Ó

02/10/2013 11:11 – Terra – Dia a Dia
DIÁRIO DE S.PAULO

POR: Lucilene Oliveira - Especial para o DIÁRIO

“Eu senti muita vergonha, porque todo mundo estava vendo o meu peito.” Foi assim que a aluna de 11 anos, do 5 ano da Escola Municipal Plínio Ayrosa, na Freguesia do Ó, respondeu  ao DIÁRIO sobre o que sentiu quando sete colegas tiraram a sua blusa e seu sutiã e tocaram seus seios dentro da sala de aula. Uma professora substituta estava no local e nada fez. A violência é investigada pela 4 Delegacia da Mulher como abuso sexual.
O caso aconteceu na última quinta-feira, dia 26, durante a aula de matemática. A estudante foi  chamada por uma “colega” para o fundo da sala. Empurrada, foi cercada por  cinco meninos e duas meninas. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, todos os envolvidos estão “na faixa dos 10 anos”. O DIÁRIO confirmou que pelo menos uma das meninas tem 14 anos. Um outro menino também teria essa idade. A pasta, após ser confrontada com esses dados, informou ontem, cinco dias após o acontecido, não saber a idade exata dos alunos.
Os sete levantaram a blusa da estudante  e começaram a pegar em seus seios. Ela gritou, mas não foi socorrida pela professora.  A agressão só parou quando um dos  meninos tentou colocar a mão dentro da calça da garota. “Eu estava menstruada. Fiquei com mais vergonha ainda. Empurrei um  menino e só assim consegui sair.”
Na diretoria, enquanto ela contava o caso para o coordenador, uma das agressoras entrou na sala, “várias vezes”, para inibi-la. “Ela me esperou na saída para ver se eu tinha falado dela”, contou.
A agressão aconteceu por volta das 17h, mas a mãe da menina só  ficou sabendo cerca de duas horas depois. Para ela, a família sofreu duas agressões. A segunda foi quando chegou na escola e os professores, segundo a mãe, foram hostis. “Eles falavam que ela tinha mudado e não estava indo bem nas matérias. Isso não justificava o que tinha acontecido.”
Depois que a agressão foi registrada na polícia, a escola procurou a família e informou que um psicólogo iria atender a criança. “Não quero só psicólogo. Quero outra escola para ela. Minha filha está com medo”, disse a mãe.
A delegada da 4ª DDM, Magali Celeghin Vaz, aguardava, ontem, o diretor da escola levar o nome dos pais dos alunos acusados pela menina.
Estudante
‘Tentaram colocar a mão dentro da minha calça. Fiquei com mais vergonha’
Um dia antes do aniversário de 11 anos, no dia 27 de setembro, a estudante do 5 ano da Escola Municipal Plínio Ayrosa viveu minutos de terror dentro da sala de aula. A garota sofreu violência sexual por parte de sete colegas de classe. Uma das agressoras era sua amiga.
DIÁRIO_ Por que você foi até o fundo da sala?
ESTUDANTE_ A menina que me chamou era minha amiga. Não imaginava que ela ia fazer aquilo comigo.
O que eles fizeram?
Levantaram a minha blusa e o meu sutiã. Começaram a passar a mão no meu peito.
Por que eles pararam?
Quando um dos meninos ia colocar a mão dentro da minha calça, eu fiquei com mais vergonha porque estava menstruada. Empurrei ele. Só assim eles pararam.
O que você sentiu na hora?
Muita vergonha, porque todos estavam vendo o meu peito.
Mãe da estudante
‘Minha filha ir mal na escola não é desculpa para o que tinha  acontecido’
Além da humilhação que a filha passou nas mãos dos colegas de classe, a mãe da menina considera que a família sofreu uma dupla agressão. A segunda foi quando os professores e diretores da escola tentaram colocar a estudante como causadora da situação.
DIÁRIO_ Como você ficou sabendo o que havia ocorrido?
MÃE_ Ligaram para a minha outra filha e pediram para ir na escola. Não falaram o que era. Não deixaram meus filhos entrarem na escola comigo.
Como ela estava? 
Cheguei na sala e ela estava com os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela estava gelada.
O que os professores falaram? 
Disseram  que ela ia mal nas matérias, que as notas tinham piorado. Minha filha ir mal na escola não é desculpa para o que tinha acontecido.
O que você vai fazer agora? 
Estou procurando outra escola para matricular minha filha.

Secretaria diz estar apurando o caso, mas esconde detalhes

A Secretaria Municipal de Educação informou estar tomando todas as providências necessárias em relação ao episódio  de violência sexual na Escola Municipal Plínio Ayrosa, na Freguesia do Ó. Segundo a pasta, a mãe da estudante foi orientada pela direção da escola a registrar um boletim de ocorrência, enquanto os pais dos alunos envolvidos, todos matriculados no 5 ano, eram convocados para uma reunião.
A secretaria garante que “todos” os agressores estão na faixa dos 10 anos, mas a garota afirmou que pelo menos dois dos agressores tinham mais de 14 anos. Confrontada, a secretaria admitiu, ontem,  não saber a idade exata dos envolvidos.
Mesmo a mãe negando que tenha recebido auxílio da escola para matricular a filha em outra unidade de ensino, a direção da Plínio Ayrosa garante que ofereceu transferência da aluna para outra unidade escolar, se a família desejar, para não prejudicar a vida escolar da garota. A escola informa que ainda não teve retorno dos pais, por isso enviou um telegrama às famílias.
Em paralelo ao encaminhamento do caso à Vara da Infância e Juventude, a Diretoria Regional de Educação  da Freguesia do Ó  abriu apuração “e se colocou à disposição da Justiça para a apuração dos fatos”.
Para o MP,  pais precisam estar ‘dentro’ da escola.
O promotor Antonio Carlos Ozório Nunes def endeu parcerias em andamento entre o Ministério Público e a Secretaria Estadual de Educação como forma de enfrentar casos de agressão, preconceito e bulliyng dentro das escolas.
Sem entrar no mérito do que aconteceu na Escola Municipal Plínio Ayrosa, na Freguesia do Ó, classificado por ele como “pontual e, por isso, impossível de ser analisado de forma genérica”, Nunes disse que os pais devem participar  da vida escolar dos filhos.
Em paralelo a isso, o MP elaborou folders para discutir o bullying. O material é distribuído, em sua maioria, nas escolas estaduais. Além disso, existe um curso à distância para educadores tratarem sobre conflitos dentro das escolas.
Batizado de  Professor/Mediador, no qual um educador capacitado pela pasta  e pelo Ministério Público repassa o que aprendeu para os outros docentes, o curso tem como  objetivo principal prevenir o bullying, indisciplina e o vandalismo. Nos últimos três anos, o projeto  teve a presença ampliada em 149%. Atualmente, são 2.885 professores/mediadores — em 2010, eram 1.156.
Segundo o coordenador do Sistema de Proteção Escolar, Felippe Angeli, 90% dos casos relatados pelos professores se referem a  provocações agressivas, verbais ou físicas. Para isso, ele ressalta a importância de a testemunha denunciar à direção da escola. “Não pode haver silêncio quando  algum tipo de injustiça é praticada contra outras pessoas.”
No  programa Prevenção Também se Ensina, um jogo de RPG distribuído aos alunos do ensino médio  orienta os jovens a prevenir o preconceito. “A atuação da secretaria é para que as escolas fortaleçam a parceria com os pais, famílias e comunidade escolar na discussão de temas tão sensíveis e importantes para as nossas crianças e jovens”, afirmou, ontem, o secretário estadual de Educação,  Herman Voorwald, durante o 2Seminário de Proteção Escolar .
Maiores de 12 anos já são punidos 
Segundo Ricardo Cabezón, presidente da Comissão de Direitos Infantojuvenis da OAB-SP, a responsabilidade penal de uma criança começa com 12 anos. “A partir dessa idade, a criança já pode sofrer uma internação e ir, por exemplo, para a Fundação Casa. Lá, ela vai passar por uma avaliação psicológica a cada três meses”, diz o advogado. Uma criança menor de 12 anos não pode sofrer tal punição. Neste caso, o que acontece é uma medida de proteção, que está prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Pais também têm responsabilidades 
Os pais dos alunos que participaram das agressões à garota de 11 anos também podem ser responsabilizados criminalmente por danos físicos e psíquicos cometidos por seus filhos a outras pessoas. “Quando se comprova, e só quando se comprova, que os pais incentivaram seus filhos a cometerem a infração, eles também podem responder por isso”, afirma Ricardo. Para ele, a primeira providência da escola é abrir um procedimento administrativo interno para apurar o caso, o que já foi feito, segundo a Secretaria Municipal de Educação.

Caso Amarido é uma vergonha para o Rio de Janeiro

'Sabia que a verdade iria aparecer', desabafa mulher de Amarildo, no Rio


02/10/2013 10h28 - Atualizado em 02/10/2013 10h39 – G1

Esposa e filhos de Amarildo também participam do protesto na Rocinha  (Foto: Cristiane Cardoso/G1)
Esposa e filhos de Amarildo
(Foto: Cristiane Cardoso/G1)
Após o indiciamento de 10 policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da  Rocinha, incluindo o major Edson Santos, ex-comandante da UPP da Rocinha, pelo desaparecimento de Amarildo de Souza, a mulher do ajudante de pedreiro Elisabete Gomes relatou em entrevista exclusiva ao G1que sabia que a verdade iria aparecer.
"Eu poderia ter me calado, mas não fiz isso. Gritei para o mundo querendo uma resposta. Todos os amigos, familiares e moradores da nossa comunidade tinham fé que tudo iria ser resolvido. Eu sabia que a verdade iria aparecer. Estou me sentindo aliviada. Enfim, a Justiça começou a ser feita", desabafou Elisabete na manhã desta quarta-feira (2).

Ela acrescentou ainda que tem certeza que os policiais agiram por "pura maldade". "Meu marido morava há 43 anos na comunidade e nunca teve problema com ninguém. Sempre se relacionou bem com todas as pessoas, nunca passou um dia fora de casa e não tinha inimigos. Quando ele sumiu, eu sabia que tinha sido pura maldade dos policiais", completou.
Os PMs foram indiciados pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. A informação foi dada com exclusividade pelo Jornal Nacional. O promotor Homero Freitas, que está a frente do caso, informou que deve oferecer a denúncia à Justiça nos próximos dias.
Os policiais negam envolvimento no sumiço e dizem que liberaram Amarildo, no dia14 de julho, depois de constatar que não havia qualquer mandado de prisão contra ele.
Entenda o caso
Amarildo sumiu após ser levado à sede da UPP da Rocinha, onde passou por uma averiguação. Após esse processo, segundo a versão dos PMs que estavam com Amarildo no dia 14 de julho, eles ainda passaram por vários pontos da cidade do Rio antes de voltarem à sede da Unidade de Polícia Pacificadora, onde as câmeras de segurança mostram as últimas imagens de Amarildo, que, segundo os policiais, teria deixado o local sozinho.

Na sexta-feira (27), uma ossada achada em Resende, no Sul Fluminense, passou por uma necropsia, motivada pelas suspeitas de que poderia ser de Amarildo. O relatório, porém, foi considerado inconclusivo, e a ossada será novamente analisada no Rio de Janeiro. O resultado deve sair entre 10 e 15 dias.

Testemunhas deixam o Rio
Duas testemunhas-chave do caso do desaparecimento do ajudante de pedreiro deixaram o Rio de Janeiro na noite do dia 20. A mãe e o filho adolescente que contaram em depoimento à Divisão de Homicídios que foram coagidos por policiais para dar falsas declarações sobre o caso pediram ingresso no Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. O programa confirmou o pedido feito pelas testemunhas.

Os dois deixaram o Rio de avião, acompanhados por agentes da Polícia Federal. De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos, devido à complexidade do caso, ficou acertado que seria mais adequado tirar as testemunhas da cidade.
O ingresso no programa ainda vai ser avaliado por técnicos da secretaria. Eles vão fazer a análise dos riscos que as testemunhas estão correndo e decidir se eles têm direito ou não à acolhida. O resultado dessas análises deve ficar pronto num prazo de uma semana a dez dias.
A Divisão de Homicídios, que investiga o caso, prefere não se pronunciar sobre a saída do Rio das testemunhas-chave do caso, e se concentrar nas investigações.
Reconstituição
O delegado Rivaldo Barbosa, acompanhado por peritos, fez a reconstituição do caso em duas etapas.

A primeira etapa, no início de setembro, reproduziu as ações desde a primeira abordagem dos policiais da UPP ao ajudante de pedreiro. A reconstituição durou mais de 16 horas, entre a noite de domingo (1º) e a manhã de segunda-feira (2), e foi considerada uma das maiores reconstituições já feitas pela Polícia Civil, segundo informou a assessoria da corporação.
A segunda, no dia 8 de setembro, refez o trajeto do carro da PM que levou Amarildo, com base no GPS do veículo. O aparelho mostrou que depois de deixar a Rocinha, o carro fez um percurso de quase 2h30 pela cidade. No caminho, o veículo parou três vezes antes de voltar à comunidade

Lei Maria da Penha já salvou 300 mil vidas, diz ministra Eleonora Menicucci




02/10/2013 - 03h04 - Folha
O estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostrando, na semana passada, que o número de homicídios de mulheres não diminuiu no período de aplicação da Lei Maria da Penha tirou o sono da ministra Eleonora Menicucci.
Ela não contesta os dados, que mostram que a taxa média de mortalidade, antes de 2007, era de 5,28 por 100 mil habitantes, e depois da lei chegou a 5,22 por 100 mil. E sim as conclusões tiradas do trabalho. Ela recebeu a coluna no sábado em sua casa, em Pinheiros, em SP, para a seguinte entrevista.
Folha - A lei fracassou?
Eleonora Menicucci - A Lei Maria da penha é um sucesso. Ela substituiu uma lei que, essa sim, era fracassada. Antigamente, a penalização para o agressor era distribuir cestas básicas e fazer trabalho comunitário. Isso incentivava a violência e não estimulava as mulheres a denunciarem. Ao contrario, elas tinham vergonha de dizer que apanhavam. A Lei Maria da Penha mudou isso.

Talvez não tanto quanto o desejado?
A Lei Maria da Penha tem apenas sete anos. Ela não está nem na adolescência, ela está ainda na segunda infância. E seu primeiro sucesso foi possibilitar uma articulação inédita entre os poderes executivos nacional, estadual, e municipal com o judiciário, as promotorias e o sistema de segurança pública do país inteiro. Houve uma mudança de concepção. As defensorias públicas, antigamente, defendiam o réu [no caso, homens acusados de agressão]. Hoje, elas defendem a vítima [a mulher agredida]. Isso já é um ganho extraordinário.

Os magistrados muitas vezes não são sensíveis a ela?
Isso ainda é um problema. Alguns juízes, lá do caixa prego, resolveram pedir atestado psicológico da mulher antes de conceder a ela a medida protetiva, que determina que o agressor fique a uma determinada distância dela. Isso é duvidar da fala da mulher e pode ter consequências graves. Hoje, o juiz tem o prazo de 30 dias para expedir a medida protetiva. Fomos ao CNJ pedir que esse prazo seja reduzido para 24 horas. A Elisa Samúdio [assassinada pelo goleiro Bruno] pediu e não obteve a medida. Ela morreu. Com a proteção, provavelmente estaria viva.

E o caso de Luana Piovani, em que o Tribunal de Justiça do Rio anulou a condenação do ex-namorado dela, Dado Dolabella, porque a atriz não seria vulnerável?
Eu acho um absurdo. Só porque ela é rica, bonita, autossuficiente? A vulnerabilidade não pega classe social. As mulheres de classe média para baixo denunciam mais. A classe alta tem mais vergonha. Por isso a Luana foi extraordinária, exemplar. É aquele velho paradigma patriarcal: ela é bonita, estava na boate, usa vestidos curtos, ela estava pedindo. A Lei maria da Penha é clara: mulher nenhuma pede para ser violentada ou agredida.

Por que o número de homicídios de mulheres não caiu?
Os dados desse estudo de uma pesquisadora do Ipea são baseados no 180 [número que recebe denúncias] e em dados do SUS. A fonte é legítima e correta. Mas os números não mostram o que é o simples homicídio, em que a mulher morre num assalto, por exemplo, do feminicídio, em que ela é assassinada por uma questão de gênero, por causa de uma relação de opressão e de violência doméstica. Nós estamos debatendo um projeto de lei que transforma o feminicídio em crime, com agravantes para o acusado. A conclusão de que esse estudo mostra que a Lei Maria da Penha fracassou é equivocada. Não é só o número de mortes de mulheres que vai definir o sucesso ou não da lei.

O que é então?
Só em 2011 foram 30 mil prisões de homens enquadrados na Lei Maria da Penha. As projeções mostram que, nesse ano, serão 38 mil. Nós temos mais de 300 mil medidas preventivas, protetivas, expedidas. A lei já salvou mais de 300 mil vidas. Houve julgamentos exemplares que reforçam o caráter educativo da lei. Só 2% nunca ouviram falar dela. E há novidades interessantes por todo o país.

Quais?
No Espírito Santo, cem mulheres receberam o botão do pânico, com um GPS. Quando o agressor se aproxima, a mulher aperta o botão. Uma viatura policial chega imediatamente. Dois homens já foram presos por causa disso. Em Minas Gerais, os homens acusados têm que usar tornozeleiras. Em 2006, quando a lei foi promulgada, 46 mil mulheres ligaram para o 180. Estamos chegando já a um total de 4 milhões de ligações em sete anos. As mulheres estão mais confiantes. Sabem que não estão sozinhas. O Estado está do lado delas.


Mas os dados de homicídio podem ser um sinal.
Temos uma cultura patriarcal muito forte, da posse do corpo da mulher. As mulheres tinham dificuldade de romper esse ciclo de violência porque não tinham a porta de saída, que é a autonomia econômica, a possibilidade de entrar no mercado de trabalho. Agora elas têm e têm também o aparato legal para combater a violência. Mas não se muda uma mentalidade de quatro séculos em sete anos. A lei não faz milagre. Mas a Maria da Penha é um "chutezinho" para o começo do fim da impunidade.
01/10/2013 - 03h30
Há mais políticos investigados em esquema de fundos de previdência, afirma modelo

MATHEUS LEITÃO - DE BRASÍLIA
Luciane Hoepers, a "pastinha" mais famosa da quadrilha acusada de lavagem de dinheiro e desvio de recursos de fundos de pensão municipais, nega irregularidades no trabalho que ela e suas colegas faziam e afirma que há mais políticos sendo investigados pela Polícia Federal.
"Existem muitos políticos investigados. Com o tempo, se tiver que ter esclarecimentos, vou fazer, e os envolvidos vão fazer. Não há necessidade de citar agora", diz a loira de olhos verdes, 33 anos e 1,75 m de altura, em entrevista à Folha.
Luciane não gosta de ser chamada de pastinha, como foram classificadas pela PF as meninas que procuravam prefeitos e gestores de fundos de previdência municipais, levando em pastas propostas de aplicações arriscadas e de rendimento duvidoso.
Ela se define como uma "captadora de clientes", que oferecia propostas de melhoria da administração dos recursos previdenciários: "Tudo foi feito na legalidade. O trabalho era correto, lícito, de instruir para que eles [prefeitos] tivessem melhor rentabilidade e diversificação nos fundos de previdência".
Sérgio Lima/Folhapress
AnteriorPróxima
A modelo Luciane Hoepers durante entrevista no escritório do seu advogado em Brasília
O esquema foi desbaratado há duas semanas, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Miqueias. Segundo a PF, o esquema tinha influência no mundo político e era comandado por um doleiro e um policial aposentado.
Se os negócios oferecidos pelas pastinhas fossem fechados, cada uma ganhava uma porcentagem sobre o valor do contrato: "Quando fechava um [negócio] se ganhava uma corretagem sim, admito. De forma idônea".
Luciane afirma que é credenciada pela CVM (órgão que fiscaliza o mercado financeiro) e formada em administração. Natural de Joinville (SC), ela diz que foi para Brasília reconstruir a vida depois de uma separação traumática do casamento.
Investigadores creem que algumas das mulheres envolvidas no esquema eram prostitutas. Luciane nega: "Qual o problema com uma mulher bonita [trabalhar] no mercado financeiro? Não é por [ser bonita] que precisa dar".
Segundo ela, a operação da PF foi um "circo". Luciane ficou presa por cinco dias, três deles no presídio feminino do Distrito Federal: "Foi um trauma. É um canil aquilo".

PF suspeita de participação de parlamentares e governador em esquema de fraudes
A Polícia Federal estuda pedir o desmembramento da Operação Miqueias por suposto envolvimento de políticos com foro privilegiado no esquema de lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de pensão que desviou cerca de R$ 50 milhões.
A Folha apurou que informações sobre parlamentares e ao menos um governador vão motivar um pedido de desmembramento à Justiça nos próximos 15 dias. Se for acatado, parte do caso vai para cortes superiores, como o STF (Supremo Tribunal Federal) e STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Até então, as investigações apontavam que integrantes de uma quadrilha aliciavam apenas prefeitos --que não têm foro privilegiado-- e gestores de fundos de previdência por meio de lobistas para investir em "papéis podres" do próprio grupo, com rentabilidade baixa e alto risco de investimento.


HOMILIA DOMINICAL 30 DE AGOSTO DE 2026 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM Leitura do Dia Primeira Leitura Leitura do Livro do Profeta Jeremias - 20,...