NOTÍCIAS EM DESTAQUE
PAPA LEÃO XIV NA AMÉRICA LATINA, TESTEMUNHA DE UNIDADE E RECONCILIAÇÃO

Uruguai, Argentina e Peru aguardam o Sucessor de Pedro, que amanhã dará início à sua sexta viagem apostólica internacional. O cardeal-secretário de Estado Pietro Parolin: “O encontro com as comunidades locais será repleto de memórias, carinho e gratidão”

Massimiliano Menichetti

Será uma viagem repleta de encontros e rica em memórias a que o Papa Leão se prepara para empreender, de 6 a 17 de novembro, no Uruguai, na Argentina e no Peru. Três países unidos por raízes cristãs e grandes desafios sociais. A sexta viagem apostólica internacional de Leão entrelaça o anúncio do Evangelho com a atenção aos jovens, aos pobres e aos povos amazônicos, sob o lema da unidade e da reconciliação. O secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, destaca que “também na América Latina há, mais do que nunca, a necessidade de superar as fortes polarizações sociais, e a primeira missão da Igreja é dar testemunho de unidade, para ser fermento de paz, de diálogo e de concórdia”.

Eminência, o Papa expressou a alegria de poder retornar à América Latina, um continente no qual viveu momentos intensos de sua missão. Qual a importância desse vínculo pessoal para a viagem que o aguarda?

De fato, o Papa Leão XIV, ao retornar à América Latina, volta a lugares que marcaram sua vida, especialmente no Peru. O encontro com as comunidades locais será, portanto, repleto de memórias, afeto e gratidão. Creio que, do ponto de vista pessoal, será uma experiência muito intensa e envolvente. Mas também o caráter institucional da viagem apostólica se enriquece, pois a familiaridade cultural e espiritual do Santo Padre com aquele ambiente fortalece o diálogo com a sociedade civil. A alegria pela viagem nasce, portanto, da possibilidade de renovar a comunhão eclesial de acordo com aquela mesma missão a serviço do Evangelho, que ele desempenhou como bispo de Chiclayo e agora continua em todo o mundo como Bispo de Roma.

A viagem terá início no Uruguai, um dos países mais secularizados da América Latina.  O lema escolhido para esta etapa nos transporta para a dimensão missionária: “Anuncio-lhes uma grande alegria”.  Que mensagem o Papa deseja transmitir a uma sociedade na qual a fé cristã não ocupa mais o lugar que ocupava no passado?

A secularização de nossas sociedades, e portanto também da uruguaia, é, infelizmente, uma realidade.  Isso, porém, não altera a missão da Igreja. Anunciar o Evangelho, seja na hora oportuna ou inoportuna, continua sendo sua tarefa, hoje como ontem. O que muda, se é que muda, é a forma, e é exatamente esse o sentido do lema da viagem apostólica ao Uruguai: “Anuncio-lhes uma grande alegria”. O Papa Leão XIV não vai para reivindicar espaços perdidos, mas para propor uma boa notícia, que se oferece, não se impõe. Essa boa notícia tem um rosto e um nome: Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, o Salvador, aquele que dá sentido às nossas histórias pessoais e coletivas. Observo que tal anúncio poderá encontrar acolhimento especial em um país nascido do encontro de pessoas de origens diversas e unido em uma única identidade, mas também marcado, sobretudo hoje, por dificuldades e feridas que afetam muitas famílias e tantos jovens. Justamente ali, anunciar Cristo significa oferecer esperança para ampliar o horizonte da vida. À Igreja que vive no Uruguai, pequena em número, mas viva, que guarda a fé em um contexto nem sempre fácil, o Santo Padre deseja dizer que não estão sozinhos e que seu testemunho cotidiano, humilde e alegre, é o caminho pelo qual o Evangelho pode voltar a falar ao coração do país.

A segunda etapa será a Argentina, onde Leão XIV será recebido por uma terra que guarda uma memória particularmente intensa de seu predecessor. Como o Papa se dirigirá a essa terra, marcada também por dificuldades econômicas e tensões sociais?

O Papa Leão XIV chegará a uma terra que guarda uma memória particularmente viva do Papa Francisco, lembrado com gratidão não apenas em seu país, mas em toda a Igreja e no coração de tantos homens e mulheres de todas as partes do mundo.  Acredito que ele desejará prestar-lhe homenagem e, de alguma forma, responder a uma expectativa que os argentinos guardam no coração há muito tempo: a de receber o Sucessor de Pedro, já que o Papa Francisco, infelizmente, não conseguiu realizar uma visita durante seu pontificado. Ele se dirigirá aos argentinos como um pai aos seus filhos, com uma linguagem de proximidade, certamente não para oferecer soluções técnicas, mas com o desejo de estar ao lado daqueles que vivem um momento difícil.  Ele reconhecerá o empenho daqueles que, em vários níveis e com diferentes responsabilidades, buscam caminhos concretos para construir um futuro de justiça e prosperidade para todos, indicando no diálogo sincero e na unidade o caminho principal para encontrar soluções duradouras.  E, ao mesmo tempo, desejará abraçar indivíduos, famílias e comunidades que, todos os dias, com dignidade e sacrifício, se esforçam para seguir em frente, para que ninguém se sinta excluído. É isso que destaca o lema da visita: “Sejam todos bem-vindos, vão e anunciem”: uma acolhida que não deixa ninguém de fora e um envio que faz de cada um um portador de esperança!  O exemplo dos pais da Pátria, como San Martín, nos lembra ainda hoje que a força de um povo nasce da escuta mútua, do respeito a todos, da atenção aos que enfrentam mais dificuldades e de uma generosidade compartilhada.

O Peru representa uma etapa que poderíamos definir como pessoal para Leão XIV: é o país onde ele exerceu sua missão pastoral, foi bispo de Chiclayo e desenvolveu um vínculo profundo com a população. O que significa esse retorno, não mais apenas como pastor de uma Igreja local, mas como bispo de Roma?

Há poucos meses, o Santo Padre, ao se reunir com os bispos do Peru em visita ad Limina Apostolorum (30 de janeiro de 2026), compartilhou com eles uma reflexão que pode nos ajudar a responder a essa pergunta, claramente muito pessoal. O Papa falou a eles sobre o lugar especial que o Peru ocupa em seu coração, por ter compartilhado ali alegrias e dificuldades, por ter aprendido muito sobre a fé das pessoas simples e por ter experimentado a força de uma Igreja que sabe perseverar mesmo em meio às provações. À luz dessas palavras, penso que um dos sentimentos com que seu retorno está sendo vivido seja, no estilo do Papa Leão XIV, uma gratidão humilde e alegre pelo que, ao longo dos anos de seu ministério em solo peruano, ele recebeu de todos e, especialmente, dos membros mais humildes do Povo de Deus. O Papa, porém, retorna ao Peru como Bispo de Roma, Sucessor de Pedro e Pastor da Igreja universal, e isso é um grande presente para tantas pessoas que o conheceram e amaram: o de um vínculo de comunhão ainda mais profundo e forte com toda a grande Família de Deus, pelo qual o amor vivenciado entre o rebanho e o Pastor de uma Igreja particular, de fé viva e sólida, floresce em um sentimento que abraça, no Senhor, toda a humanidade.

Uma das etapas mais significativas será Pucallpa, na Amazônia peruana, onde o Papa se encontrará com missionários, missionárias e representantes dos povos amazônicos. Após o Sínodo pela Amazônia e os apelos do Papa Francisco pela salvaguarda da casa comum, quais são as prioridades atuais?

Em continuidade aos apelos do Papa Francisco, também o Papa Leão XIV, por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, em 1º de setembro passado, renovou o convite para promover uma relação mais responsável com a criação.  À luz do Sínodo para a Amazônia e dos ensinamentos contidos na Laudato si’ e na Querida Amazônia, a proteção da dignidade da pessoa humana continua sendo fundamental, com atenção especial às pessoas mais vulneráveis.  A preservação do meio ambiente está, de fato, intimamente ligada à defesa da vida, dos direitos e das condições de existência das populações mais expostas à degradação ambiental e à exploração dos recursos. É necessário, além disso, repensar os modelos de desenvolvimento e de produção, superando uma concepção de crescimento voltada exclusivamente para o lucro e o consumo. É preciso promover uma economia mais atenta à pessoa, à justiça social e às gerações futuras, valorizando as culturas, os direitos e os conhecimentos dos povos indígenas. A experiência amazônica representa, nesse sentido, um exemplo importante de como a proteção da criação está ligada ao respeito pelas comunidades que nela vivem. Para a Igreja, essa responsabilidade exige um compromisso pastoral, educacional e social baseado na escuta e na proximidade com essas comunidades.

Nos três países, o programa alterna encontros com as autoridades, celebrações litúrgicas, encontros com os jovens e visitas às pessoas mais vulneráveis. Quais são, na sua opinião, as expectativas mais profundas que as comunidades latino-americanas depositam nesta viagem?

A Argentina, o Uruguai e o Peru possuem um patrimônio histórico, linguístico e cultural decorrente de seu passado comum.  Além das diferenças geográficas, étnicas e econômicas de cada nação, entre os pilares fundamentais que unem mutuamente os três países, além da língua — que permite uma comunicação direta e um rico espaço cultural —, está a fé católica, que moldou uma cultura impregnada de valores fundamentais como a família, a abertura à vida, os laços comunitários de fraternidade, solidariedade e hospitalidade. Portanto, levando em conta essas características compartilhadas, a visita do Santo Padre Leão XIV desperta nessas comunidades uma mistura de alegria e esperança, bem como grandes expectativas pastorais e sociais.  Diante de momentos socioeconômicos, políticos e históricos complexos, de crises locais e dificuldades cotidianas, as comunidades aguardam palavras de encorajamento sobre a busca pela reconciliação e pela paz; sobre a importância da justiça social para a vida desses povos, com atenção especial à recuperação social e ambiental das populações indígenas. Essas expectativas são acompanhadas de entusiasmo e alegria, pois, para numerosos bispos, padres, religiosos e fiéis da região, a viagem apostólica representa um gesto de predileção por parte do Papa em relação a uma área do mundo onde a escassez de padres, as grandes distâncias geográficas e os enormes desafios exigem sua presença paterna, próxima e atenciosa.

Em muitos contextos latino-americanos, padres, religiosos, religiosas e leigos continuam a dedicar suas vidas ao lado dos pobres, às vezes em situações de grave risco.  Quão importante é apoiar esses testemunhos?

Acredito que esse aspecto da evangelização não seja apenas importante, mas decisivo. O testemunho desses irmãos e irmãs contribui para traçar o rosto de uma Igreja que não apenas fala dos pobres, mas vive com eles, compartilha de suas dificuldades e está ao lado deles. A obra de tantos cristãos que, por sua fé em Cristo, dedicam a vida aos pobres, testemunha que a Igreja não se resigna à injustiça, à violência e ao que o Papa Francisco chamava de “cultura do descarte”, mas creio verdadeiramente que é possível construir um mundo diferente e melhor. Precisamos dessas pessoas generosas: a existência delas é um sinal profético que convoca todo o Povo de Deus a permanecer fiel à missão em favor dos mais desfavorecidos, confiada a ele pelo Senhor Jesus.

Há uma grande expectativa, especialmente entre os jovens, que também enfrentam a incerteza no trabalho, a precariedade, o medo do futuro e, às vezes, a pobreza e as privações: como a Igreja pode ajudá-los a recuperar a confiança e a se sentirem protagonistas da mudança?

Os jovens vivem um momento difícil. Eles sabem que é possível viver em paz, buscar a justiça, encontrar um trabalho que lhes dê dignidade e construir uma família. No entanto, vivem em um mundo marcado pela guerra e pela injustiça, com empregos precários e famílias cada vez mais frágeis.  Nesta fase tão contraditória para as novas gerações, a Igreja oferece o testemunho do Evangelho e o encontro com Jesus.  Um encontro que transforma a vida, não porque a proteja dos problemas e das tensões, mas porque oferece o caminho para vivê-la em plenitude, sem se sentir sozinho.  “No mundo tereis aflições, mas tende coragem: eu venci o mundo!”, afirma Jesus no Evangelho de João.  Não me parece por acaso que esse versículo seja o tema da próxima Jornada Mundial da Juventude em Seul. Acredito que seja essa a mensagem que o Papa levará aos muitos jovens que encontrará durante sua viagem: o convite a seguir a Cristo para viver plenamente o tempo que lhes foi dado.

A Igreja é chamada a dialogar com as instituições civis, mantendo sua liberdade e força profética.  Quão importante é esse equilíbrio para o bem de cada pessoa?

Considero esse equilíbrio essencial.  O Concílio Vaticano II o expressou com clareza: a comunidade política e a Igreja são independentes e autônomas, cada uma em seu próprio campo, mas ambas, a título diferente, estão a serviço da vocação pessoal e social das mesmas pessoas (cf. Gaudium et spes, 76).  O ponto de encontro é, portanto, o bem da pessoa concreta. Os três países que o Santo Padre visitará mostram como esse princípio pode se articular em contextos diversos, desde a longa tradição de laicidade do Uruguai até os acordos com a Santa Sé em vigor na Argentina e no Peru. A Igreja é chamada a colaborar e o faz de bom grado. No entanto, ela não renuncia a apontar o que fere a dignidade humana. A fidelidade ao Evangelho exige dela uma proximidade especial aos mais fracos.  Afinal, as instituições existem para as pessoas.  Leão XIV, dirigindo-se aos parlamentares em 21 de junho de 2025, por ocasião do Jubileu dos Governantes, lembrou-lhes a tarefa de promover e proteger o bem comum, além dos interesses particulares e com atenção especial aos mais fracos e marginalizados.  É nesse terreno que a colaboração entre a Igreja e as instituições civis pode dar frutos, na distinção de suas respectivas responsabilidades e em benefício de todos.

Eminência, o senhor também tem um vínculo especial com a América Latina. Pessoalmente, o que o senhor espera que esta viagem deixe no coração do Papa?

Com base também na minha experiência pessoal, espero que o Santo Padre possa encontrar comunidades cristãs empenhadas em ser um sinal de comunhão em seus respectivos países. A Igreja é, por natureza, sinal e instrumento de unidade para todos os homens e, também na América Latina, há mais do que nunca a necessidade de superar as fortes polarizações sociais. A primeira missão da Igreja é dar testemunho de unidade, para ser fermento de paz, de diálogo e de concórdia na sociedade.  O Papa, que é o sinal visível da unidade da Igreja, é também a primeira testemunha, onde quer que vá, da necessidade de superar as contradições e de todos colaborarem pelo bem comum. Espero que o coração do Sucessor de Pedro possa ser consolado ao encontrar Igrejas empenhadas em crescer na unidade e a serviço da concórdia social.

 HOMILIA DOMINICAL
8 DE NOVEMBRO DE 2026
32º DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURA DO DIA

Primeira Leitura
Leitura do Livro da Sabedoria - 6,12-16

A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa.
Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram.
Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam.
Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta.
Meditar sobre ela é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela em breve há de viver despreocupado.
Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses - 4,13-18

Irmãos: não queremos deixar-vos na incerteza a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança.
Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé - de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte.
Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós que formos deixados com vida para a vinda do Senhor não levaremos vantagem em relação aos que morreram.
Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. 
Em seguida, nós que formos deixados com vida seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares.
E assim estaremos sempre com o Senhor.
Exortai-vos, pois, uns aos outros, com essas palavras.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 25,1-13

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola:
"O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo.
Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes.
As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo.
As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas.
O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormindo.
No meio da noite, ouviu-se um grito: 
'O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!'
Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas.
As imprevidentes disseram às previdentes:
'Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando'.
As previdentes responderam:
'De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós.
É melhor irdes comprar dos vendedores'.
Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento.
E a porta se fechou.
Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram:
'Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!'
Ele, porém, respondeu: 
'Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!'
Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora".

As palavras dos Papas

O Evangelho de hoje é uma célebre parábola, que fala de dez virgens convidadas para uma festa de bodas, símbolo do Reino dos céus, da vida eterna (cf. Mt 25, 1-13). É uma imagem feliz, com a qual contudo Jesus ensina uma verdade que nos põe em questão; com efeito, daquelas dez virgens, cinco entram na festa porque, quando o esposo chega, têm óleo para acender as próprias lâmpadas; enquanto as outras cinco permanecem fora porque, insensatas, não tinham trazido óleo. O que representa este «óleo», indispensável para serem admitidas no banquete nupcial? Santo Agostinho (cf. Discursos 93, 4) e outros antigos autores vêem nisto um símbolo do amor, que não se pode comprar, mas que recebemos como dom, conservamos no íntimo e praticamos com as obras. A verdadeira sabedoria consiste em aproveitar a vida mortal para realizar obras de misericórdia, porque depois da morte isto já não será possível. Quando formos despertados para o juízo final, isto acontecerá com base no amor praticado na vida terrena (cf. Mt 25, 31-46). E este amor é dom de Cristo, efundido em nós pelo Espírito Santo. Quem crê em Deus-Amor tem em si uma esperança invencível, como uma lâmpada com a qual atravessar a noite para além da morte, e chegar à grande festa da vida.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
1 DE NOVEMBRO DE 2026
TODOS OS SANTOS, SOLENIDADE, DOMINGO

Leitura do Dia

Primeira Leitura 
Leitura do Livro do Apocalipse de São João - (Ap 7,2-4.9-14)

Eu, João, vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: "Não façais mal à terra, nem ao mar nem às arvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus". Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. Todos proclamavam com voz forte: "A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro". Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos e dos quatro Seres vivos e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: "Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém" E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: "Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?" Eu respondi: "Tu é que sabes, meu senhor". E então ele me disse: "Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro".

Segunda Leitura 
Leitura da Primeira Carta de São João - (1Jo 3,1-3)

Caríssimos, vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - (Mt 5,1-12a)

Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus".

As palavras dos Papas

As Bem-aventuranças trazem consigo uma nova interpretação da realidade. São o caminho e a mensagem de Jesus educador. À primeira vista, parece impossível declarar bem-aventurados os pobres, aqueles que têm fome e sede de justiça, os perseguidos ou os que promovem a paz. Mas o que parece inconcebível na gramática do mundo, enche-se de sentido e luz na proximidade do Reino de Deus. Nos santos, constatamos este reino a aproximar-se e a tornar-se atual entre nós. Com razão, São Mateus apresenta as Bem-aventuranças como um ensinamento, representando Jesus como Mestre que transmite uma nova visão das coisas e cuja perspectiva coincide com o seu caminho. Porém, as Bem-aventuranças não são um ensinamento entre tantos: são o ensinamento por excelência. Da mesma forma, o Senhor Jesus não é um entre tantos mestres, é o Mestre por excelência. Mais ainda, é o Educador por excelência. Nós, seus discípulos, encontramo-nos na sua escola, aprendendo a descobrir na sua vida, ou seja, no caminho por Ele percorrido, um horizonte de sentido capaz de iluminar todas as formas de conhecimento. 

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
25 DE OUTUBRO DE 2026
30º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

PRIMEIRA LEITURA
Leitura do Livro do Êxodo - 22,20-26

Assim diz o Senhor:
Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito.
Não façais mal algum à viúva nem ao órfão.
Se os maltratardes, gritarão por mim, e eu ouvirei o seu clamor.
Minha cólera, então, se inflamará e eu vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas e órfãos os vossos filhos.
Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não sejas um usurário,
dele cobrando juros.
Se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr do sol.
Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir.
Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.

SEGUNDA LEITURA
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses - 1,5c-10

Irmãos:
Sabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem.
E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo,
apesar de tantas tribulações.
Assim vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia.
Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia,
mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte.
Assim, nós já nem precisamos de falar, pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes e como vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, esperando dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos:
Jesus, que nos livra do castigo que está por vir.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 22,34-40

Naquele tempo,
Os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus.
Então eles se reuniram em grupo, e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo:
"Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?"
Jesus respondeu:
"'Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!'
Esse é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo é semelhante a esse:
'Amarás ao teu próximo como a ti mesmo'.
Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos".

As palavras dos Papas

O Evangelho deste domingo (Mc 12, 28-34) repropõe-nos o ensinamento de Jesus sobre o maior mandamento: o mandamento do amor, que é duplo: amar a Deus e amar ao próximo. (...) Antes de ser um mandamento — o amor não é uma ordem — é um dom, uma realidade que Deus nos faz conhecer e experimentar, de modo que, como uma semente, possa germinar também dentro de nós e desenvolver-se na nossa vida. Se o amor de Deus ganhou raízes profundas numa pessoa, ela torna-se capaz de amar até quem não o merece, como faz precisamente Deus em relação a nós. O pai e a mãe não amam os filhos só quando o merecem: amam-nos sempre, mesmo se naturalmente lhe fazem compreender quando erram. De Deus nós aprendemos a querer sempre e só o bem e nunca o mal. Aprendemos a olhar para o próximo não só com os nossos olhos, mas com o olhar de Deus, que é o olhar de Jesus Cristo. Um olhar que parte do coração e não se detém na superfície, vai além das aparências e consegue captar as expectativas profundas do outro: expectativas de ser recebido, de uma atenção gratuita, numa palavra: de amor. Mas verifica-se também o percurso contrário: que abrindo-me ao outro tal como ele é, indo ao seu encontro, pondo-me à disposição, abro-me também ao conhecimento de Deus, a sentir que Ele existe e é bondoso. Amor de Deus e amor ao próximo são inseparáveis e estão em relação recíproca.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS,

HOMILIA DOMINICAL
11 DE OUTUBRO DE 2026
28º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

PRIMEIRA LEITURA
Leitura do Livro do Profeta Isaías - 25, 6-10a

O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos.
Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações.
O Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra; o Senhor o disse.
Naquele dia, se dirá: "Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo".
E a mão do Senhor repousará sobre este monte.

SEGUNDA LEITURA
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses - 4,12-14.19-20

Irmãos:
Sei viver na miséria e sei viver na abundância.
Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade.
Tudo posso naquele que me dá força.
No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades.
O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus.
Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 22,1-14

Naquele tempo, Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo:
"O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho.
E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram vir.
O rei mandou outros empregados, dizendo: 'Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!'
Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.
O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles.
Em seguida, o rei disse aos empregados: 'A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela.
Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes'.
Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons.
E a sala da festa ficou cheia de convidados. 
Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa e perguntou-lhe: 'Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?'
Mas o homem nada respondeu.
Então o rei disse aos que serviam: 'Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão!
Aí haverá choro e ranger de dentes'.
Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos".

As palavras dos Papas

O Evangelho de hoje fala-nos de um rei que prepara um banquete de núpcias para o seu filho (cf. Mt 22, 1-14). É um homem poderoso, mas é sobretudo um pai generoso, que convida a participar na sua alegria. Em particular, revela a bondade do seu coração no fato de não obrigar ninguém, mas convida todos, mesmo que este modo de agir o exponha à possibilidade de rejeição. Reparemos: ele prepara um banquete, oferecendo gratuitamente a oportunidade de se encontrar, de festejar. É isto que Deus prepara para nós: um banquete, para estarmos em comunhão com Ele e uns com os outros. E nós, todos nós, somos portanto os convidados de Deus. Mas um banquete de núpcias exige tempo e participação da nossa parte, requer um “sim”: ir, responder ao convite do Senhor, Ele convida, mas deixa-nos livres. É este o tipo de relação que o Pai nos oferece: chama-nos a estar com Ele, deixando-nos a possibilidade de aceitar ou não. Não nos propõe uma relação de sujeição, mas de paternidade e de filiação, necessariamente condicionada pelo nosso livre consentimento. Deus é muito respeitador da liberdade, muito respeitador. Santo Agostinho usa uma expressão muito bonita a este respeito, dizendo: «Deus, que te criou sem ti, não te pode salvar sem ti» (Sermo CLXIX, 13). E certamente não porque não tenha capacidade para isso - Ele é omnipotente! - mas porque, sendo amor, respeita plenamente a nossa liberdade. Deus propõe-se, não se impõe, nunca.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
4 DE OUTUBRO DE 2026 
27º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

PRIMEIRA LEITURA
Leitura do Livro do Profeta Isaías - 5,1-7

Vou cantar para o meu amado o cântico da vinha de um amigo meu:
Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta.
Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens.
Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai a minha situação e a de minha vinha.
O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz?
Eu contava com uvas de verdade, mas, por que produziu ela uvas selvagens? Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha: vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada.
Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não será podada nem lavrada, espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela.
Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça — e eis injustiça; esperava obras de bondade — e eis iniquidade.

SEGUNDA LEITURA
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses - 4,6-9

Irmãos:
Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças.
E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor.
Praticai o que aprendestes e recebestes de mim, ou que de mim vistes e ouvistes.
Assim o Deus da paz estará convosco.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 21,33-43

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo:
33 "Escutai esta outra parábola:
Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda.
Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro.
34 Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos.
35 Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram.
36 O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros.
Mas eles os trataram da mesma forma.
37 Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: 'Ao meu filho eles vão respeitar'.
38 Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro.
Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!'
39 Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
40 Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?"
41 Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam:
"Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo".
42 Então Jesus lhes disse: 
"Vós nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?'
43 Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos".

As palavras dos Papas

Hoje o Evangelho apresenta-nos uma parábola dramática, com um epílogo triste (cf. Mt 21, 33-43). O proprietário de um terreno plantou ali uma vinha e cuidou bem dela; depois, tendo de partir, confia-a a alguns camponeses. Na altura da colheita, manda os seus servos fazer a colheita. Mas os camponeses maltratam-nos e matam-nos; depois o dono manda o seu filho, e também o matam. Por quê? O que é que correu mal? (...) Com esta parábola, Jesus recorda-nos o que acontece quando o homem se ilude é autossuficiente e esquece a gratidão, esquece a realidade fundamental da vida: que o bem vem da graça de Deus, que o bem vem do seu dom gratuito. Quando se esquece disto, da gratuidade de Deus, acaba por viver a própria condição e a própria limitação já não com a alegria de se sentir amado e salvo, mas com a triste ilusão de não precisar nem de amor nem de salvação. Não nos deixamos amar e ficamos prisioneiros da própria avidez, prisioneiros da necessidade de ter algo mais do que os outros, de querer sobressair sobre os outros. É feio, este processo, e acontece-nos muitas vezes. Pensemos seriamente nisto. Daí nascem tantas insatisfações e recriminações, tantas incompreensões e tanta inveja; e, movidos pelo ressentimento, podemos precipitar no vórtice da violência. Sim, queridos irmãos e irmãs, a ingratidão gera violência, tira-nos a paz e faz-nos ouvir e falar aos gritos, sem paz, enquanto um simples “obrigado” pode trazer a paz! 

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
27 DE SETEMBRO DE 2026
26º DOMINGO DO TEMPO COMUM

LEITURA DO DIA

PRIMEIRA LEITURA
Leitura da Profecia de Ezequiel - 18,25-28

Assim diz o Senhor:
Vós andais dizendo: "A conduta do Senhor não é correta.
Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta?
Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre.
Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida.
Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá".

SEGUNDA LEITURA 
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses - 2,1-11

Irmãos:
Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade.
Nada façais por competição ou vanglória mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro.
Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.
Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor!"
— para a glória de Deus Pai.

EVANGELHO DO DIA
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 21,28-32

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo:
"Que vos parece?
Um homem tinha dois filhos.
Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: 'Filho, vai trabalhar hoje na vinha!'
O filho respondeu: 'Não quero'.
Mas depois mudou de opinião e foi.
O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa.
Este respondeu: 'Sim, senhor, eu vou'. 
Mas não foi.
Qual dos dois fez a vontade do pai?"
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam:
"O primeiro".
Então Jesus lhes disse: 
"Em verdade vos digo, que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus.
Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele.
Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele.
Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele".

AS PALAVRAS DOS PAPAS

Se o teu coração não é um coração arrependido, se tu não escutas o Senhor, não aceitas a correção e não confias n’Ele, tu tens um coração não arrependido. Mas esses hipócritas que se escandalizam com isto que Jesus diz sobre os publicanos e as prostitutas, mas depois às escondidas iam até eles, ou para desabafar suas paixões ou para fazer negócios – mas tudo às escondidas –, eram puros! E a estes o Senhor não quer. (...) Esses não podem receber a Salvação. Eles estão fechados à Salvação. ‘Deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; confiará no nome do Senhor’, por toda a vida. E isso até hoje, não é? Quando vemos o santo povo de Deus que é humilde, que tem as suas riquezas na fé no Senhor, na confiança no Senhor – o povo humilde, pobre, que confia no Senhor: e estes são os salvos e este é o caminho da Igreja, não é? Deve ir por este caminho, não pelo outro caminho que não escuta a voz, que não aceita a correção e não confia no Senhor. (...)  Quando formos capazes de dizer ao Senhor: ‘Senhor, estes são os meus pecados – não são daquele ou daquele outro, são os meus… São os meus. Toma-os tu e assim eu serei salvo’ – quando nós formos capazes de fazer isso, seremos aquele belo povo, ‘povo humilde e pobre’, que confia no nome do Senhor. Que o Senhor nos conceda esta graça.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

  NOTÍCIAS EM DESTAQUE PAPA LEÃO XIV NA AMÉRICA LATINA, TESTEMUNHA DE UNIDADE E RECONCILIAÇÃO Uruguai, Argentina e Peru aguardam o Sucessor ...