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EL NIÑO 2026
CIENTISTAS ESTÃO EM ALERTA
COMO ISTO PODE AFETAR SUA VIDA

El Niño 2026: o que é, por que os cientistas estão em alerta e como isso pode afetar sua vida

Possibilidade de um evento forte entre 2026 e 2027 mobiliza centros meteorológicos do mundo. Entenda o que já se sabe, o que ainda é incerto e por que o aquecimento do Pacífico pode mexer com chuva, calor, comida, energia e até o preço da conta de luz.

Por Roberto Peixoto, g1 - 23/05/2026 05h00  Atualizado há 11 horas

Nos últimos dias, manchetes sobre um possível “super El Niño” começaram a circular em jornais e redes sociais depois que centros meteorológicos internacionais aumentaram a chance de formação do fenômeno climático ainda em 2026.

A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, estima hoje mais de 80% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño nos próximos meses.

Alguns modelos europeus já projetam um aquecimento muito intenso do Oceano Pacífico, semelhante ao observado em grandes eventos históricos.

O assunto ganhou ainda mais atenção depois de análises apontarem que um evento forte poderia aumentar o risco de secas, enchentes, ondas de calor e impactos na produção agrícola em diferentes partes do mundo.

Mas afinal: o que é o El Niño? O que diferencia um "evento comum" de um "muito forte"? E o que realmente pode acontecer no Brasil?

1) O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta.

Embora aconteça no Pacífico, os efeitos acabam se espalhando para diferentes continentes.

É por isso que uma mudança na temperatura do mar perto do Peru e do Equador consegue influenciar o clima no Brasil, na Ásia, na África e até na América do Norte.

El Niño e La Niña — Foto: Arte/g1

Em anos normais, os chamados ventos alísios sopram de leste para oeste sobre o Pacífico, empurrando águas quentes em direção à Indonésia e à Austrália.

Isso ajuda a manter águas mais frias próximas da costa da América do Sul.

💨 No El Niño, esses ventos enfraquecem.

Com isso, a água quente volta a se espalhar pelo Pacífico central e leste. A atmosfera responde a essa mudança, e todo o sistema climático começa a se reorganizar.

É essa “bagunça” atmosférica que altera o regime de chuvas em várias partes do mundo.

2) O que diferencia um El Niño comum de um “super El Niño”?

A diferença principal está na intensidade do aquecimento do oceano.

Os cientistas usam índices baseados na temperatura da superfície do mar para medir a força do fenômeno.

Quando esse aquecimento ultrapassa certos limites durante vários meses, o evento passa a ser classificado como moderado, forte ou muito forte.

"O termo que qualifica o El Niño como forte ou muito forte ou super forte é feito com base nas temperaturas das águas na parte central do Oceano Pacífico ao longo do Equador", explica ao g1 Maria Assunção Dias, professora emérita do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP).

"Existem séries históricas dessas temperaturas que são medidas diretamente com termômetros em bóias marítimas ou pelos navios que por ali passam, ou indiretamente por satélites", acrescenta Dias.

De forma simplificada, um El Niño considerado muito forte acontece quando a temperatura do Pacífico Equatorial fica mais de 2°C acima da média histórica.

Foi o que ocorreu em episódios marcantes como os El Niños de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

⚠️ O termo “super El Niño”, porém, não é uma categoria científica oficial.

Ele costuma ser usado informalmente por meteorologistas para descrever justamente esses eventos extremamente intensos.

Mapa mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico em abril de 2026. Áreas em azul indicam águas mais frias que a média, padrão associado à La Niña — Foto: NOAA

3) Então já existe um “super El Niño” confirmado para 2026?

Não.

O que existe hoje é um cenário de forte probabilidade de formação do El Niño — mas ainda com muita incerteza sobre a intensidade final do evento.

A NOAA estima o seguinte:

82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho;

96% de chance de ele continuar ativo no fim de 2026 e início de 2027.

Já sobre a intensidade, os modelos ainda divergem.

Alguns centros meteorológicos europeus projetam um aquecimento extremamente elevado do Pacífico, acima de 3°C em certas simulações. Isso colocaria o fenômeno na categoria de muito forte.

Mas especialistas alertam que ainda é cedo para tratar esse cenário como certo.

Hoje, nenhuma categoria de intensidade aparece com probabilidade dominante nas projeções.

Em outras palavras: os cientistas sabem que o El Niño provavelmente vem aí, mas ainda não conseguem afirmar com segurança se ele será moderado, forte ou muito forte.

Imagem de arquivo mostra Rio Branco, na Amazônia, em um de seus momentos mais críticos de seca. Evento foi atribuído por cientistas a efeitos do El Niño — Foto: Marie Hippenmeyer/Arquivo AFP

4) Por que ainda existe tanta incerteza?

Porque previsões feitas entre março e maio costumam ser menos confiáveis.

Esse período é conhecido pelos meteorologistas como “barreira de previsibilidade”.

Na prática, o oceano e a atmosfera passam por uma fase de transição em que os modelos climáticos têm mais dificuldade para prever como o sistema vai evoluir nos meses seguintes.

Por isso, muitos pesquisadores afirmam que as projeções devem ganhar mais precisão entre junho e agosto.

Durante a época atual, primavera do hemisfério norte e outono do hemisfério sul, os modelos tendem a ter um desempenho não tão bom como em outras épocas do ano. Isto porque é uma época em que tanto os oceanos como a atmosfera estão evoluindo rapidamente, introduzindo bastante incerteza nas previsões.

— Maria Assunção Dias, professora emérita do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP).

Além disso, para um El Niño realmente muito forte acontecer, não basta apenas o oceano aquecer.

A atmosfera também precisa responder a esse aquecimento.

Os cientistas monitoram justamente esse “acoplamento” entre oceano e atmosfera para entender se o fenômeno vai realmente ganhar força.

5) Como o aquecimento global entra nessa história?

O aquecimento global não causa o El Niño.

O fenômeno é natural e existe há milhares de anos.

Mas os pesquisadores acreditam que um planeta mais quente pode aumentar a frequência ou a intensidade dos eventos extremos.

Além disso, mesmo quando o El Niño tem força parecida com a de décadas atrás, os impactos tendem a ser maiores hoje porque oceanos e atmosfera já estão mais aquecidos pelo efeito das mudanças climáticas.

Na prática, isso significa que: ondas de calor podem ficar mais intensas; secas podem durar mais; incêndios podem se espalhar mais facilmente; chuvas extremas podem provocar impactos mais severos.

Um dos pontos que mais preocupam os cientistas é justamente o efeito combinado entre o El Niño e o aquecimento global.

“O aquecimento global tem-se manifestado como um aquecimento da atmosfera e dos oceanos. Assim, o efeito nos El Niños é justamente a ocorrência de casos mais fortes, mais extremos", diz Dias.

Bombeiro tenta apagar incêndio florestal em Kryoneri, na Grécia. — Foto: Yorgos Karahalis/AP

6) Quais são os possíveis impactos no Brasil?

Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa: aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos; redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste; mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste; maior frequência de ondas de calor.

Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.

Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.

Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.

                                            Impactos do El Niño no Brasil. — Foto: Arte/g1

7) Como isso pode mexer com comida, energia e abastecimento?

Os efeitos de um El Niño forte podem chegar diretamente ao bolso da população.

Na agricultura, mudanças no regime de chuva podem afetar o calendário de plantio e reduzir a produtividade em algumas regiões.

No Centro-Oeste, por exemplo, produtores acompanham com atenção o risco de atraso das chuvas, o que pode prejudicar o plantio da soja e encurtar a janela da segunda safra de milho.

Já no Sul, o excesso de chuva também pode causar perdas agrícolas e dificuldades na colheita.

Em outros países, o fenômeno costuma afetar culturas importantes como arroz, trigo e milho, especialmente em partes da Ásia e da África.

Isso pode pressionar preços internacionais de alimentos.

O setor de energia também entra em alerta porque o Brasil depende fortemente de hidrelétricas.

Se reservatórios importantes receberem menos chuva, aumenta a necessidade de acionar usinas térmicas, que são mais caras.

Isso pode elevar o custo da geração de energia e pressionar a conta de luz.

8) O El Niño também pode afetar a saúde?

Pode.

Ondas de calor mais intensas aumentam riscos para idosos, crianças e pessoas vulneráveis.

Além disso, a combinação entre calor, seca e queimadas pode piorar a qualidade do ar em várias cidades.

Especialistas também acompanham possíveis impactos sobre doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya, já que mudanças de temperatura e chuva afetam o ciclo do Aedes aegypti.

9) Dá para impedir ou reverter o El Niño?

Não.

O fenômeno é natural e não pode ser interrompido.

O que os governos conseguem fazer é reduzir os impactos.

Entre as medidas consideradas mais importantes estão: reforço de sistemas de alerta; preparação da Defesa Civil; monitoramento de rios e reservatórios; combate a queimadas; adaptação da agricultura; planejamento para ondas de calor e eventos extremos.

Justamente por isso, pesquisadores afirmam que o maior problema não é apenas o fenômeno climático em si, mas a falta de preparação para lidar com ele.

"A lição sempre é aprender com os extremos do passado e refletir sobre o que pode ser feito em termos de infraestrutura e de preparação, defesa civil, por exemplo, caso ocorra novamente. Cada região do país conhece os extremos do passado. É preparar-se para algo semelhante de forma a mitigar os impactos", acrescenta a professora emérita do IAG/USP.

10) Quando os efeitos podem começar a aparecer?

Os primeiros impactos já podem surgir no segundo semestre de 2026.

Mas muitos cientistas avaliam que os efeitos mais intensos devem acontecer entre o fim de 2026 e o começo de 2027.

Até lá, centros meteorológicos do Brasil e do exterior devem atualizar constantemente as projeções sobre a força do fenômeno.

Os próximos boletins da NOAA, do INPE e do Cemaden serão decisivos para indicar se o evento realmente caminhará para um cenário de alta intensidade.

 HOMILIA DOMINICAL
24 DE MAIO DE 2026
DOMINGO DE PENTECOSTES

Celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria. É considerado o nascimento oficial da Igreja Cristã.

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 2,1-11

Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam.
Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava.
Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo.
Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua.
Cheios de espanto e de admiração, diziam:
"Esses homens que estão falando não são todos galileus?
Como é que nós os escutamos na nossa própria língua?
Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia, próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!"

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios - 12,3b-7.12-13

Irmãos:

Ninguém pode dizer:
Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo.
Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.
Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor.
Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.
A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum.
Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo.
De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 20,19-23

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco".
Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
Novamente, Jesus disse: 
"A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio".
E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: 
"Recebei o Espírito Santo.
A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos".

As palavras dos Papas

Hoje, Solenidade de Pentecostes, o Evangelho leva-nos ao Cenáculo, onde os apóstolos se tinham refugiado depois da morte de Jesus (Jo 20, 19-23). O Ressuscitado, na noite de Páscoa, apresenta-se precisamente naquela situação de medo e angústia e, soprando sobre eles, diz: «Recebei o Espírito Santo» (v. 22). Assim, com o dom do Espírito, Jesus quer libertar os discípulos do medo, este medo que os mantém fechados em casa, e liberta-os para que possam sair e tornar-se testemunhas e anunciadores do Evangelho. Reflitamos um pouco sobre aquilo que o Espírito faz: liberta do medo. Os discípulos tinham fechado as portas, diz o Evangelho, «por temor» (v. 19). A morte de Jesus tinha-os perturbado, os seus sonhos tinham sido desfeitos, as suas esperanças tinham desaparecido. E fecharam-se em si mesmos. Não apenas naquela sala, mas dentro, no coração. Gostaria de sublinhar este facto: fechados dentro. Quantas vezes também nós nos fechamos em nós mesmos? Quantas vezes, por causa de uma situação difícil, de um problema pessoal ou familiar, do sofrimento que nos marca ou por causa do mal que respiramos à nossa volta, caímos lentamente na perda da esperança e na falta de coragem para continuar? (...) Contudo, o Evangelho oferece-nos o remédio do Ressuscitado: o Espírito Santo. Ele liberta das prisões do medo. (...) Pois é isto que o Espírito faz: faz-nos sentir a proximidade de Deus e, assim, o seu amor afasta o temor, ilumina o caminho, consola, sustenta na adversidade. Diante dos medos e dos fechamentos, invoquemos então o Espírito Santo para nós, para a Igreja e para o mundo inteiro: a fim de que um novo Pentecostes afaste os receios que nos assaltam e reacenda o fogo do amor de Deus.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

FESTAS LITURGICAS 
ASCENSÃO DO SENHOR
14 DE MAIO DE 2026

A Ascensão é uma solenidade litúrgica, comum em todas as Igrejas cristãs, que se celebra no quadragésimo dia após a Páscoa da Ressurreição. São João Crisóstomo e Santo Agostinho já se referiam a esta solenidade. Mas, uma influência incisiva na sua difusão deve-se, provavelmente, a São Gregório Nazianzeno. Visto que este dia cai em uma quinta-feira, sua solenidade foi transferida, em muitos países, para o domingo seguinte. Com a Ascensão ao Céu, conclui-se a vida de "Cristo histórico" e se inicia o tempo da Igreja.

Anno A

“Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes havia indicado. Quando o viram, se ajoelharam. No entanto, alguns ainda duvidavam. Mas Jesus, aproximou-se deles e lhes disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 16-20).

Os Onze discípulos

A Comunidade de discípulos, que acolhe o "testemunho" da proclamação do Evangelho, é uma Comunidade ferida, por causa da ausência de um companheiro, Judas. Embora imperfeita, é a esta Comunidade, concreta e real, que Jesus confiou a missão de dar testemunho do seu Evangelho, da sua proposta de amor.

Galileia

Uma missão, explica o texto, que remete os discípulos ao início da sua experiência com Jesus: "Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu?" (At 1,11 - primeira leitura do dia). Logo, a Galileia foi o lugar onde tudo começou para eles: lugar de escuta, de origem da primeira Comunidade e de início da vida de cada dia.

Um novo modo de ser

O texto dos Atos dos Apóstolos oferece-nos algumas orientações teológico-espirituais para compreender o mistério que celebramos. Jesus “foi elevado” - diz o texto dos Atos 1:11, colocando em evidência uma ação divina: “A nuvem o ocultou aos seus olhos" (v. 9).  – recorda a nuvem que cobriu o monte Sinai (Ex 24,15), que se pôs à entrada da tenda da Aliança (Ex 33,9), e até a nuvem sobre o monte da Transfiguração (Mc 9,7). A Assunção de Jesus ao Céu não é, portanto, uma "separação", mas um modo novo de ser: eis a explicação dos discípulos voltarem com "grande júbilo" (Lc 24,52). Com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, abrem-se as portas do céu e da vida eterna. A "nuvem da fé" que, hoje, envolve a nossa vida não representa um obstáculo, mas um caminho com o qual podemos fazer uma experiência mais viva e verdadeira de Jesus, animados pela certeza de que se Ele ressuscitou e subiu ao céu. Também nós somos chamados a este mesmo destino, porque Ele foi a primícia (cf. 1 Cor 15, 20).

Igreja em saída

A espera do último dia não deve ser vivida na ociosidade, tampouco fechados dentro de casa, mas, como disse Jesus, no compromisso da missão, até aos confins da terra: “O Espírito Santo vos dará força e sereis minhas testemunhas... até aos confins do mundo” (Atos 1,8), fortalecidos pela promessa de Jesus: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20), pois Jesus é nosso Deus, Emanuel, Deus conosco (Ex 3,12; Mt 1,23; Is 7,14).

Embora a fidelidade do discípulo possa falhar, muitas vezes, a fidelidade de Deus, para com ele, jamais faltará. Por isso, o caminho da comunidade e de cada discípulo de Jesus ressuscitado, estará sempre aberto a novas perspectivas e possibilidades, porque para Deus nada é impossível.

Oração:

«Senhor, vossa ascensão ao céu me enche de alegria, porque o tempo de estar a vigiar o que vós fazeis por mim acabou e começa o tempo do meu compromisso. O que me confiastes, rompe meu individualismo e estática, fazendo-me sentir, pessoalmente, responsável pela salvação do mundo.

Senhor, vós me confiastes o vosso Evangelho, para anunciá-lo em todos os cantos do mundo. Dai-me a força da fé, como destes aos seus primeiros apóstolos, para que o medo não me vença, as dificuldades não me impeçam, a incompreensão não me desanime, mas que eu seja, sempre e em toda parte, a vossa boa nova, reveladora do vosso amor, como foram os mártires e santos na história de todos os povos do mundo».

Oração:

«Senhor Jesus, que com vossa ascensão enchestes os Onze de alegria, fazei que sejamos dignos desta alegria, em virtude da vossa oração e misericórdia.

Senhor Jesus, Vós que com a vossa ascensão levastes a nossa frágil humanidade para o céu e nos abristes o caminho do Céu, infundi em nós a alegria da serenidade e da paz.

Senhor Jesus, Vós que ao subir ao Céu, nos vestistes com o dom do Espírito Santo, fazei de nós vossas testemunhas na vida de cada dia, para que possamos transmitir sempre a alegria da vossa Misericórdia.

 HOMILIA DOMINICAL
17 DE MAIO DE 2026
7ª SEMANA DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 1,12-14

Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos. 

Segunda Leitura
Primeira Carta de san Pedro -1 Pt 4,13-16

Antes, alegrem‑se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a glória dele for revelada, vocês exultem com grande alegria. Se são insultados por causa do nome de Cristo, vocês são bem-aventurados, pois o glorioso Espírito de Deus repousa sobre vocês. Portanto, nenhum de vocês sofra como assassino, ladrão, criminoso, nem como quem se intromete nos negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.

Evangelho do Dia
Evangelho segundo João - 17,1-11a

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste.

Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.

Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste.

Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”.

As palavras dos Papas

«Pai, chegou a hora: glorifica o teu Filho, para que o Filho te glorifique» (Jo 17, 1). A glorificação que Jesus pede para Si mesmo, como Sumo Sacerdote, é o ingresso na obediência mais plena ao Pai, uma obediência que o leva à sua condição filial mais completa: «E agora, Pai, glorifica-me diante de ti com aquela glória que Eu tinha em Ti antes da criação do mundo» (Jo 17, 5). Esta disponibilidade e este pedido são o primeiro acto do novo sacerdócio de Jesus, que é um doar-se totalmente na cruz, e precisamente na cruz — o supremo gesto de amor — Ele é glorificado, porque o amor é a glória autêntica, a glória divina. O segundo momento desta oração é a intercessão que Jesus faz pelos seus discípulos, que permaneceram com Ele. Eles são aqueles sobre os quais Jesus pode dizer ao Pai: «Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus e Tu deste-mos, e eles observaram a tua palavra» (Jo 17, 6). «Manifestar o nome de Deus aos homens» é a realização de uma nova presença do Pai no meio do povo, da humanidade. Este «manifestar» não é só uma palavra, mas é realidade em Jesus; Deus está conosco, e assim o nome — a sua presença conosco, o ser um de nós — «realizou-se». Portanto, esta manifestação realiza-se na encarnação do Verbo. Em Jesus, Deus entra na carne humana, faz-se próximo de modo único e novo. E esta presença tem o seu ápice no sacrifício que Jesus realiza na sua Páscoa de morte e ressurreição.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
10 DE MAIO DE 2026
6º DOMINGO DA PASCOA 

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 8,5-8.14-17

Naqueles dias, Felipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo.
As multidões seguiam com atenção as coisas que Felipe dizia. 
E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia.
De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos.
Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados.
Era grande a alegria naquela cidade.
Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João.
Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo.
Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus.
Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

Evangelho do Dia
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 3,15-18

Caríssimos:

Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir.
Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência.
Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo.
Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus do que praticando o mal.
Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus.
Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.

As palavras dos Papas

O Senhor Jesus disse aos seus discípulos:  "Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre" (Jo 14, 15-16). Aqui revela-se-nos o Coração orante de Jesus, o seu Coração filial e fraterno. Esta oração alcança o seu ápice e o seu cumprimento na cruz, onde a invocação de Cristo se identifica com o dom total que Ele faz de si mesmo, e deste modo o seu rezar torna-se por assim dizer o próprio selo do seu doar-se em plenitude por amor ao Pai e à humanidade:  invocação e doação do Espírito Santo encontram-se, compenetram-se e tornam-se uma única realidade. "E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre". Na realidade, a oração de Jesus – a da Última Ceia e a da cruz – é uma oração que permanece também no Céu, onde Cristo está sentado à direita do Pai. Com efeito, Jesus vive sempre o seu sacerdócio de intercessão a favor do povo de Deus e da humanidade, e portanto reza por todos pedindo ao Pai o dom do Espírito Santo. 

HOMILIA DOMINICAL
 3 DE MAIO DE 2026
5º DOMINGO DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 6,1-7

Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica.
Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário.
Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram:
"Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas.
Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa.
Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra".
A proposta agradou a toda a multidão.
Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Felipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um pagão que seguia a religião dos judeus.
Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles.
Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. 
O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 2,4-9

Caríssimos:
Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus.
Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.
Com efeito, nas Escrituras se lê: "Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido".
A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra.
Mas para os que não creem, "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, pedra de tropeço e rocha que faz cair".
Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles.
Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 14,1-12

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
"Não se perturbe o vosso coração.
Tendes fé em Deus, tende fé em mim também.
Na casa de meu Pai há muitas moradas.
Se assim não fosse, eu vos teria dito.
Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós.
E para onde eu vou, vós conheceis o caminho".
Tomé disse a Jesus:
"Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?"
Jesus respondeu:
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim.
Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.
E desde agora o conheceis e o vistes".
Disse Felipe:
"Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!"
Jesus respondeu:
"Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai.
Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai'?
Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?
As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras.
Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim.
Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras.
Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas.
Pois eu vou para o Pai".

As palavras dos Papas

Aproximando-se da Paixão, Jesus tranquiliza os seus discípulos, convidando-os a não ter medo e a ter fé; depois, instaura um diálogo com eles, no qual fala de Deus Pai (cf. Jo 14, 2-9). Numa certa altura, o apóstolo Filipe pede a Jesus: «Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta-nos» (Jo 14, 8). Filipe é muito prático e concreto, e diz também o que nós desejamos dizer: «Queremos ver, mostra-nos o Pai», pede para «ver» o Pai, para ver o seu rosto. A resposta de Jesus não se dirige apenas a Filipe, mas também a nós, e introduz-nos no coração da fé cristológica; o Senhor afirma: «Aquele que me viu, viu também o Pai» (Jo 14, 9). Nesta expressão encerra-se sinteticamente a novidade do Novo Testamento, aquela novidade que apareceu na gruta de Belém: é possível ver Deus, Deus manifestou o seu rosto, é visível em Jesus Cristo. (...) Em Jesus, também a mediação entre Deus e o homem encontra a sua plenitude. No Antigo Testamento existe um exército de figuras que desempenharam esta função, de modo particular Moisés, o libertador, o guia, o «mediador» da aliança, como o define também o Novo Testamento (cf. Gl 3, 19; Act 7, 35; Jo 1, 17). Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não é simplesmente um dos mediadores entre Deus e o homem, mas é «o Mediador» da nova e eterna aliança (cf. Hb 8, 6; 9, 15; 12, 24); «Porque há um só Deus — diz são Paulo — e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem» (1 Tm 2, 5; cf. Gl 3, 19-20). Nele nós vemos e encontramos o Pai; nele podemos invocar Deus com o nome de «Abá, Pai»; nele é-nos conferida a salvação.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
26 DE ABRIL DE 2026
4º DOMINGO DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 2,14a.36-41

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, no meio dos Onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão:
"Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza:
Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes".
Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos:
"Irmãos, o que devemos fazer?"
Pedro respondeu: 
"Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados.
E vós recebereis o dom do Espírito Santo.
Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si".
Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo:
"Salvai-vos dessa gente corrompida!"
Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo.
Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 2,20b-25

Caríssimos:
Se suportais com paciência aquilo que sofreis por ter feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus.
De fato, para isto fostes chamados.
Também Cristo sofreu por vós deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos.
Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca.
Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça.
Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça.
Por suas feridas fostes curados.
Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 10,1-10

Naquele tempo, disse Jesus:
"Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante.
Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora.
E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.
Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos".
Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer.
Então Jesus continuou:
"Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas.
Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram.
Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem.
O ladrão só vem para roubar, matar e destruir.
Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

As palavras dos Papas

Depois de nos ter reconduzido ao abraço de Deus e ao redil da Igreja, Jesus é a porta que nos faz sair para o mundo: Ele impele-nos a ir ao encontro dos irmãos. E – fixemo-lo bem na memória! – todos nós, sem exceção, somos chamados a isto: sair das nossas comodidades e ter a coragem de alcançar toda a periferia que necessita da luz do Evangelho (cf. Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 20).
Irmãos e irmãs, para cada um de nós, viver «em saída» significa tornar-se, como Jesus, uma porta aberta. É triste e custa ver portas fechadas: as portas fechadas do nosso egoísmo em relação a quem caminha diariamente ao nosso lado; as portas fechadas do nosso individualismo numa sociedade que corre o risco de se atrofiar na solidão; as portas fechadas da nossa indiferença em relação a quem está no sofrimento e na pobreza; as portas fechadas a quem é estrangeiro, diferente, migrante, pobre. E até as portas fechadas das nossas comunidades eclesiais: fechadas entre nós, fechadas para o mundo, fechadas para quem «não está dentro das normas», fechadas para quem aspira pelo perdão de Deus. Irmãos e irmãs, por favor, por favor: abramos as portas! Procuremos ser também nós – com as palavras, os gestos, as atividades quotidianas – como Jesus: uma porta aberta, uma porta que nunca se fecha na cara de ninguém, uma porta que a todos permite entrar para experimentar a beleza do amor e do perdão do Senhor.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

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