FESTAS LITURGICAS 
ASCENSÃO DO SENHOR
14 DE MAIO DE 2026

A Ascensão é uma solenidade litúrgica, comum em todas as Igrejas cristãs, que se celebra no quadragésimo dia após a Páscoa da Ressurreição. São João Crisóstomo e Santo Agostinho já se referiam a esta solenidade. Mas, uma influência incisiva na sua difusão deve-se, provavelmente, a São Gregório Nazianzeno. Visto que este dia cai em uma quinta-feira, sua solenidade foi transferida, em muitos países, para o domingo seguinte. Com a Ascensão ao Céu, conclui-se a vida de "Cristo histórico" e se inicia o tempo da Igreja.

Anno A

“Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes havia indicado. Quando o viram, se ajoelharam. No entanto, alguns ainda duvidavam. Mas Jesus, aproximou-se deles e lhes disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 16-20).

Os Onze discípulos

A Comunidade de discípulos, que acolhe o "testemunho" da proclamação do Evangelho, é uma Comunidade ferida, por causa da ausência de um companheiro, Judas. Embora imperfeita, é a esta Comunidade, concreta e real, que Jesus confiou a missão de dar testemunho do seu Evangelho, da sua proposta de amor.

Galileia

Uma missão, explica o texto, que remete os discípulos ao início da sua experiência com Jesus: "Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu?" (At 1,11 - primeira leitura do dia). Logo, a Galileia foi o lugar onde tudo começou para eles: lugar de escuta, de origem da primeira Comunidade e de início da vida de cada dia.

Um novo modo de ser

O texto dos Atos dos Apóstolos oferece-nos algumas orientações teológico-espirituais para compreender o mistério que celebramos. Jesus “foi elevado” - diz o texto dos Atos 1:11, colocando em evidência uma ação divina: “A nuvem o ocultou aos seus olhos" (v. 9).  – recorda a nuvem que cobriu o monte Sinai (Ex 24,15), que se pôs à entrada da tenda da Aliança (Ex 33,9), e até a nuvem sobre o monte da Transfiguração (Mc 9,7). A Assunção de Jesus ao Céu não é, portanto, uma "separação", mas um modo novo de ser: eis a explicação dos discípulos voltarem com "grande júbilo" (Lc 24,52). Com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, abrem-se as portas do céu e da vida eterna. A "nuvem da fé" que, hoje, envolve a nossa vida não representa um obstáculo, mas um caminho com o qual podemos fazer uma experiência mais viva e verdadeira de Jesus, animados pela certeza de que se Ele ressuscitou e subiu ao céu. Também nós somos chamados a este mesmo destino, porque Ele foi a primícia (cf. 1 Cor 15, 20).

Igreja em saída

A espera do último dia não deve ser vivida na ociosidade, tampouco fechados dentro de casa, mas, como disse Jesus, no compromisso da missão, até aos confins da terra: “O Espírito Santo vos dará força e sereis minhas testemunhas... até aos confins do mundo” (Atos 1,8), fortalecidos pela promessa de Jesus: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20), pois Jesus é nosso Deus, Emanuel, Deus conosco (Ex 3,12; Mt 1,23; Is 7,14).

Embora a fidelidade do discípulo possa falhar, muitas vezes, a fidelidade de Deus, para com ele, jamais faltará. Por isso, o caminho da comunidade e de cada discípulo de Jesus ressuscitado, estará sempre aberto a novas perspectivas e possibilidades, porque para Deus nada é impossível.

Oração:

«Senhor, vossa ascensão ao céu me enche de alegria, porque o tempo de estar a vigiar o que vós fazeis por mim acabou e começa o tempo do meu compromisso. O que me confiastes, rompe meu individualismo e estática, fazendo-me sentir, pessoalmente, responsável pela salvação do mundo.

Senhor, vós me confiastes o vosso Evangelho, para anunciá-lo em todos os cantos do mundo. Dai-me a força da fé, como destes aos seus primeiros apóstolos, para que o medo não me vença, as dificuldades não me impeçam, a incompreensão não me desanime, mas que eu seja, sempre e em toda parte, a vossa boa nova, reveladora do vosso amor, como foram os mártires e santos na história de todos os povos do mundo».

Oração:

«Senhor Jesus, que com vossa ascensão enchestes os Onze de alegria, fazei que sejamos dignos desta alegria, em virtude da vossa oração e misericórdia.

Senhor Jesus, Vós que com a vossa ascensão levastes a nossa frágil humanidade para o céu e nos abristes o caminho do Céu, infundi em nós a alegria da serenidade e da paz.

Senhor Jesus, Vós que ao subir ao Céu, nos vestistes com o dom do Espírito Santo, fazei de nós vossas testemunhas na vida de cada dia, para que possamos transmitir sempre a alegria da vossa Misericórdia.

 HOMILIA DOMINICAL
17 DE MAIO DE 2026
7ª SEMANA DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 1,12-14

Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos. 

Segunda Leitura
Primeira Carta de san Pedro -1 Pt 4,13-16

Antes, alegrem‑se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a glória dele for revelada, vocês exultem com grande alegria. Se são insultados por causa do nome de Cristo, vocês são bem-aventurados, pois o glorioso Espírito de Deus repousa sobre vocês. Portanto, nenhum de vocês sofra como assassino, ladrão, criminoso, nem como quem se intromete nos negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.

Evangelho do Dia
Evangelho segundo João - 17,1-11a

Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste.

Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.

Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste.

Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”.

As palavras dos Papas

«Pai, chegou a hora: glorifica o teu Filho, para que o Filho te glorifique» (Jo 17, 1). A glorificação que Jesus pede para Si mesmo, como Sumo Sacerdote, é o ingresso na obediência mais plena ao Pai, uma obediência que o leva à sua condição filial mais completa: «E agora, Pai, glorifica-me diante de ti com aquela glória que Eu tinha em Ti antes da criação do mundo» (Jo 17, 5). Esta disponibilidade e este pedido são o primeiro acto do novo sacerdócio de Jesus, que é um doar-se totalmente na cruz, e precisamente na cruz — o supremo gesto de amor — Ele é glorificado, porque o amor é a glória autêntica, a glória divina. O segundo momento desta oração é a intercessão que Jesus faz pelos seus discípulos, que permaneceram com Ele. Eles são aqueles sobre os quais Jesus pode dizer ao Pai: «Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus e Tu deste-mos, e eles observaram a tua palavra» (Jo 17, 6). «Manifestar o nome de Deus aos homens» é a realização de uma nova presença do Pai no meio do povo, da humanidade. Este «manifestar» não é só uma palavra, mas é realidade em Jesus; Deus está conosco, e assim o nome — a sua presença conosco, o ser um de nós — «realizou-se». Portanto, esta manifestação realiza-se na encarnação do Verbo. Em Jesus, Deus entra na carne humana, faz-se próximo de modo único e novo. E esta presença tem o seu ápice no sacrifício que Jesus realiza na sua Páscoa de morte e ressurreição.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
10 DE MAIO DE 2026
6º DOMINGO DA PASCOA 

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 8,5-8.14-17

Naqueles dias, Felipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo.
As multidões seguiam com atenção as coisas que Felipe dizia. 
E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia.
De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos.
Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados.
Era grande a alegria naquela cidade.
Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João.
Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo.
Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus.
Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

Evangelho do Dia
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 3,15-18

Caríssimos:

Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir.
Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência.
Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo.
Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus do que praticando o mal.
Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus.
Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.

As palavras dos Papas

O Senhor Jesus disse aos seus discípulos:  "Se Me amardes, guardareis os meus mandamentos. E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre" (Jo 14, 15-16). Aqui revela-se-nos o Coração orante de Jesus, o seu Coração filial e fraterno. Esta oração alcança o seu ápice e o seu cumprimento na cruz, onde a invocação de Cristo se identifica com o dom total que Ele faz de si mesmo, e deste modo o seu rezar torna-se por assim dizer o próprio selo do seu doar-se em plenitude por amor ao Pai e à humanidade:  invocação e doação do Espírito Santo encontram-se, compenetram-se e tornam-se uma única realidade. "E Eu suplicarei ao Pai e Ele dar-vos-á outro Consolador, a fim de permanecer convosco para sempre". Na realidade, a oração de Jesus – a da Última Ceia e a da cruz – é uma oração que permanece também no Céu, onde Cristo está sentado à direita do Pai. Com efeito, Jesus vive sempre o seu sacerdócio de intercessão a favor do povo de Deus e da humanidade, e portanto reza por todos pedindo ao Pai o dom do Espírito Santo. 

HOMILIA DOMINICAL
 3 DE MAIO DE 2026
5º DOMINGO DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 6,1-7

Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica.
Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário.
Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram:
"Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas.
Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa.
Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra".
A proposta agradou a toda a multidão.
Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Felipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um pagão que seguia a religião dos judeus.
Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles.
Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. 
O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 2,4-9

Caríssimos:
Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus.
Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.
Com efeito, nas Escrituras se lê: "Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido".
A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra.
Mas para os que não creem, "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, pedra de tropeço e rocha que faz cair".
Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles.
Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 14,1-12

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
"Não se perturbe o vosso coração.
Tendes fé em Deus, tende fé em mim também.
Na casa de meu Pai há muitas moradas.
Se assim não fosse, eu vos teria dito.
Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós.
E para onde eu vou, vós conheceis o caminho".
Tomé disse a Jesus:
"Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?"
Jesus respondeu:
"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim.
Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.
E desde agora o conheceis e o vistes".
Disse Felipe:
"Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!"
Jesus respondeu:
"Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai.
Como é que tu dizes: 'Mostra-nos o Pai'?
Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?
As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras.
Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim.
Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras.
Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas.
Pois eu vou para o Pai".

As palavras dos Papas

Aproximando-se da Paixão, Jesus tranquiliza os seus discípulos, convidando-os a não ter medo e a ter fé; depois, instaura um diálogo com eles, no qual fala de Deus Pai (cf. Jo 14, 2-9). Numa certa altura, o apóstolo Filipe pede a Jesus: «Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta-nos» (Jo 14, 8). Filipe é muito prático e concreto, e diz também o que nós desejamos dizer: «Queremos ver, mostra-nos o Pai», pede para «ver» o Pai, para ver o seu rosto. A resposta de Jesus não se dirige apenas a Filipe, mas também a nós, e introduz-nos no coração da fé cristológica; o Senhor afirma: «Aquele que me viu, viu também o Pai» (Jo 14, 9). Nesta expressão encerra-se sinteticamente a novidade do Novo Testamento, aquela novidade que apareceu na gruta de Belém: é possível ver Deus, Deus manifestou o seu rosto, é visível em Jesus Cristo. (...) Em Jesus, também a mediação entre Deus e o homem encontra a sua plenitude. No Antigo Testamento existe um exército de figuras que desempenharam esta função, de modo particular Moisés, o libertador, o guia, o «mediador» da aliança, como o define também o Novo Testamento (cf. Gl 3, 19; Act 7, 35; Jo 1, 17). Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não é simplesmente um dos mediadores entre Deus e o homem, mas é «o Mediador» da nova e eterna aliança (cf. Hb 8, 6; 9, 15; 12, 24); «Porque há um só Deus — diz são Paulo — e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem» (1 Tm 2, 5; cf. Gl 3, 19-20). Nele nós vemos e encontramos o Pai; nele podemos invocar Deus com o nome de «Abá, Pai»; nele é-nos conferida a salvação.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
26 DE ABRIL DE 2026
4º DOMINGO DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 2,14a.36-41

No dia de Pentecostes, Pedro, de pé, no meio dos Onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão:
"Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza:
Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes".
Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos:
"Irmãos, o que devemos fazer?"
Pedro respondeu: 
"Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados.
E vós recebereis o dom do Espírito Santo.
Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si".
Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo:
"Salvai-vos dessa gente corrompida!"
Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo.
Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 2,20b-25

Caríssimos:
Se suportais com paciência aquilo que sofreis por ter feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus.
De fato, para isto fostes chamados.
Também Cristo sofreu por vós deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos.
Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca.
Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça.
Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça.
Por suas feridas fostes curados.
Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 10,1-10

Naquele tempo, disse Jesus:
"Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante.
Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora.
E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.
Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos".
Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer.
Então Jesus continuou:
"Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas.
Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram.
Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem.
O ladrão só vem para roubar, matar e destruir.
Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

As palavras dos Papas

Depois de nos ter reconduzido ao abraço de Deus e ao redil da Igreja, Jesus é a porta que nos faz sair para o mundo: Ele impele-nos a ir ao encontro dos irmãos. E – fixemo-lo bem na memória! – todos nós, sem exceção, somos chamados a isto: sair das nossas comodidades e ter a coragem de alcançar toda a periferia que necessita da luz do Evangelho (cf. Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 20).
Irmãos e irmãs, para cada um de nós, viver «em saída» significa tornar-se, como Jesus, uma porta aberta. É triste e custa ver portas fechadas: as portas fechadas do nosso egoísmo em relação a quem caminha diariamente ao nosso lado; as portas fechadas do nosso individualismo numa sociedade que corre o risco de se atrofiar na solidão; as portas fechadas da nossa indiferença em relação a quem está no sofrimento e na pobreza; as portas fechadas a quem é estrangeiro, diferente, migrante, pobre. E até as portas fechadas das nossas comunidades eclesiais: fechadas entre nós, fechadas para o mundo, fechadas para quem «não está dentro das normas», fechadas para quem aspira pelo perdão de Deus. Irmãos e irmãs, por favor, por favor: abramos as portas! Procuremos ser também nós – com as palavras, os gestos, as atividades quotidianas – como Jesus: uma porta aberta, uma porta que nunca se fecha na cara de ninguém, uma porta que a todos permite entrar para experimentar a beleza do amor e do perdão do Senhor.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
19 DE ABRIL DE 2026
3º DOMINGO DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 2,14.22-33

No dia de Pentecostes, Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão:
"Homens de Israel, escutai estas palavras:
Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós.
Tudo isto vós bem o sabeis.
Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz.
Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse.
Pois Davi dele diz:
"Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar".
Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança.
Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção.
Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria'.
Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje.
Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono.
É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras:
'Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção'.
Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas.
E agora, exaltado pela direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo".

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 1,17-21

Caríssimos:
Se invocais como Pai aquele que sem discriminação julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante o tempo de vossa migração neste mundo.
Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito.
Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu, por amor de vós.
Por ele é que alcançastes a fé em Deus.
Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas - 24,13-35

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém.
Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.
Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles.
Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram.
Então Jesus perguntou:
"O que ides conversando pelo caminho?"
Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse:
"Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?"
Ele perguntou: "O que foi?"
Os discípulos responderam:
"O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo.
Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto.
Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele.
Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo.
Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito.
A ele, porém, ninguém o viu".
Então Jesus lhes disse:
"Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!
Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?"
E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele.
Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante.
Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo:
"Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!"
Jesus entrou para ficar com eles.
Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.
Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus.
Jesus, porém, desapareceu da frente deles.
Então um disse ao outro: 
"Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?"
Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros.
E estes confirmaram:
"Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!"
Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

As palavras dos Papas

Os discípulos de Emaús caminham tristes porque esperam outro final, um Messias que não conhecesse a cruz. Não obstante tenham ouvido dizer que o sepulcro está vazio, não conseguem sorrir. Mas Jesus põe-se ao lado deles, ajudando-os pacientemente a compreender que a dor não é a negação da promessa, mas o caminho ao longo do qual Deus manifestou a medida do seu amor (cf. Lc 24, 13-27). Quando finalmente se sentam à mesa com Ele e partem o pão, abrem-se-lhes os olhos. E sentem que o seu coração já ardia, embora não o soubessem (cf. Lc 24, 28-32). Esta é a maior surpresa: descobrir que, sob as cinzas do desencanto e do cansaço, há sempre uma brasa viva, que só espera ser reavivada. Irmãos e irmãs, a Ressurreição de Cristo ensina-nos que não há história tão marcada pela desilusão ou pelo pecado que não possa ser visitada pela esperança. Nenhuma queda é definitiva, nenhuma noite é eterna, nenhuma ferida está destinada a permanecer aberta para sempre. Por mais distantes, confusos ou indignos que nos possamos sentir, não há distância que possa extinguir a força infalível do amor de Deus.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
12 DE ABRIL DE 2026
DOMINGO NA OITAVA DA PASCOA

DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA  SEMANA DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 2,42-47

Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna na fração do pão e nas orações.
E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam.
Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.
Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração.
Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo.
E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 1,3-9

Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus.
Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos.
Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. 
Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo e alcançará louvor, honra e glória no dia da manifestação de Jesus Cristo.
Sem ter visto o Senhor, vós o amais.
Sem o ver ainda, nele acreditais.
Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 20,19-31

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 
"A paz esteja convosco".
Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
Novamente, Jesus disse: 
"A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio".
E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: 
"Recebei o Espírito Santo.
A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos".
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio.
Os outros discípulos contaram-lhe depois:
"Vimos o Senhor!" 
Mas Tomé disse-lhes:
"Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei".
Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles.
Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: 
"A paz esteja convosco".
Depois disse a Tomé:
"Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos.
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado.
E não sejas incrédulo, mas fiel".
Tomé respondeu: 
"Meu Senhor e meu Deus!"
Jesus lhe disse: 
"Acreditaste, porque me viste?
Bem-aventurados os que creram sem terem visto!"
Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro.
Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

As palavras dos Papas

Na realidade, Tomé não é o único que tem dificuldade em acreditar, aliás, representa um pouco todos nós. Com efeito, nem sempre é fácil acreditar, especialmente quando, como no seu caso, se sofreu uma grande desilusão. (...) Para acreditar, Tomé gostaria de um sinal extraordinário: tocar as chagas. Jesus mostra-lhas, mas de modo ordinário, diante de todos, na comunidade, não fora. Como se lhe dissesse: se quiseres encontrar-me, não procures longe, fica na comunidade, com os outros; e não te vás embora, reza com eles, parte o pão com eles. E di-lo também a nós. É ali que me poderás encontrar, é aí que te mostrarei, gravados no meu corpo, os sinais das chagas: os sinais do Amor que vence o ódio, do Perdão que desarma a vingança, os sinais da Vida que derrota a morte. É aí, na comunidade, que descobrirás o meu rosto, enquanto partilhares momentos de dúvida e de medo com os irmãos, estreitando-te ainda mais fortemente a eles. Fora da comunidade, é difícil encontrar Jesus! (...) Apesar de todos os seus limites e quedas, que são os nossos limites e quedas, a nossa Mãe Igreja é o Corpo de Cristo; e é ali, no Corpo de Cristo, que estão gravados, ainda e para sempre, os maiores sinais do seu amor.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

FESTAS LITURGICAS   ASCENSÃO DO SENHOR 14 DE MAIO DE 2026 A Ascensão é uma solenidade litúrgica, comum em todas as Igrejas cristãs, que se c...