HOMILIA DOMINICAL
19 DE ABRIL DE 2026
3º DOMINGO DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 2,14.22-33

No dia de Pentecostes, Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão:
"Homens de Israel, escutai estas palavras:
Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós.
Tudo isto vós bem o sabeis.
Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz.
Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse.
Pois Davi dele diz:
"Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar".
Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança.
Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção.
Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria'.
Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje.
Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono.
É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras:
'Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção'.
Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas.
E agora, exaltado pela direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo".

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 1,17-21

Caríssimos:
Se invocais como Pai aquele que sem discriminação julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante o tempo de vossa migração neste mundo.
Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito.
Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu, por amor de vós.
Por ele é que alcançastes a fé em Deus.
Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas - 24,13-35

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém.
Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.
Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles.
Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram.
Então Jesus perguntou:
"O que ides conversando pelo caminho?"
Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse:
"Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?"
Ele perguntou: "O que foi?"
Os discípulos responderam:
"O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo.
Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto.
Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele.
Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo.
Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito.
A ele, porém, ninguém o viu".
Então Jesus lhes disse:
"Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!
Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?"
E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele.
Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante.
Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo:
"Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!"
Jesus entrou para ficar com eles.
Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.
Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus.
Jesus, porém, desapareceu da frente deles.
Então um disse ao outro: 
"Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?"
Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros.
E estes confirmaram:
"Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!"
Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

As palavras dos Papas

Os discípulos de Emaús caminham tristes porque esperam outro final, um Messias que não conhecesse a cruz. Não obstante tenham ouvido dizer que o sepulcro está vazio, não conseguem sorrir. Mas Jesus põe-se ao lado deles, ajudando-os pacientemente a compreender que a dor não é a negação da promessa, mas o caminho ao longo do qual Deus manifestou a medida do seu amor (cf. Lc 24, 13-27). Quando finalmente se sentam à mesa com Ele e partem o pão, abrem-se-lhes os olhos. E sentem que o seu coração já ardia, embora não o soubessem (cf. Lc 24, 28-32). Esta é a maior surpresa: descobrir que, sob as cinzas do desencanto e do cansaço, há sempre uma brasa viva, que só espera ser reavivada. Irmãos e irmãs, a Ressurreição de Cristo ensina-nos que não há história tão marcada pela desilusão ou pelo pecado que não possa ser visitada pela esperança. Nenhuma queda é definitiva, nenhuma noite é eterna, nenhuma ferida está destinada a permanecer aberta para sempre. Por mais distantes, confusos ou indignos que nos possamos sentir, não há distância que possa extinguir a força infalível do amor de Deus.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
12 DE ABRIL DE 2026
DOMINGO NA OITAVA DA PASCOA

DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA  SEMANA DA PASCOA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos - 2,42-47

Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna na fração do pão e nas orações.
E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam.
Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.
Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração.
Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo.
E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro - 1,3-9

Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus.
Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos.
Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. 
Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo e alcançará louvor, honra e glória no dia da manifestação de Jesus Cristo.
Sem ter visto o Senhor, vós o amais.
Sem o ver ainda, nele acreditais.
Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 20,19-31

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: 
"A paz esteja convosco".
Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
Novamente, Jesus disse: 
"A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio".
E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: 
"Recebei o Espírito Santo.
A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos".
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio.
Os outros discípulos contaram-lhe depois:
"Vimos o Senhor!" 
Mas Tomé disse-lhes:
"Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei".
Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles.
Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: 
"A paz esteja convosco".
Depois disse a Tomé:
"Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos.
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado.
E não sejas incrédulo, mas fiel".
Tomé respondeu: 
"Meu Senhor e meu Deus!"
Jesus lhe disse: 
"Acreditaste, porque me viste?
Bem-aventurados os que creram sem terem visto!"
Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro.
Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

As palavras dos Papas

Na realidade, Tomé não é o único que tem dificuldade em acreditar, aliás, representa um pouco todos nós. Com efeito, nem sempre é fácil acreditar, especialmente quando, como no seu caso, se sofreu uma grande desilusão. (...) Para acreditar, Tomé gostaria de um sinal extraordinário: tocar as chagas. Jesus mostra-lhas, mas de modo ordinário, diante de todos, na comunidade, não fora. Como se lhe dissesse: se quiseres encontrar-me, não procures longe, fica na comunidade, com os outros; e não te vás embora, reza com eles, parte o pão com eles. E di-lo também a nós. É ali que me poderás encontrar, é aí que te mostrarei, gravados no meu corpo, os sinais das chagas: os sinais do Amor que vence o ódio, do Perdão que desarma a vingança, os sinais da Vida que derrota a morte. É aí, na comunidade, que descobrirás o meu rosto, enquanto partilhares momentos de dúvida e de medo com os irmãos, estreitando-te ainda mais fortemente a eles. Fora da comunidade, é difícil encontrar Jesus! (...) Apesar de todos os seus limites e quedas, que são os nossos limites e quedas, a nossa Mãe Igreja é o Corpo de Cristo; e é ali, no Corpo de Cristo, que estão gravados, ainda e para sempre, os maiores sinais do seu amor.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA SEXTA-FEIRA SANTA
3 DE  ABRIL DE 2026
PAIXÃO DO SENHOR

Leitura do Dia
Leitura do Livro do Profeta Isaías - 52,13-53,12

Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau.
Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo - tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano -, do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos.
Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram.
Quem de nós deu crédito ao que ouvimos?
E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor?
Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca.
Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. 
Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.
A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!
Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura.     
Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; o pecado de todos nós.
Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca.
Foi atormentado pela angústia e foi condenado.
Quem se preocuparia com sua história de origem?
Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer.
Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal nem se encontrou falsidade em suas palavras.
O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos.
Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor.
Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita.
Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.
Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos  intercedia em favor dos pecadores.

Segunda Leitura
Leitura da Carta aos Hebreus 4,14-16; 5,7-9

Irmãos:
Temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus.
Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos.
Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado.
Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.
C
risto, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte.
E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus.
Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu.
Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.

Evangelho do Dia
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João 18,1-19,42

Naquele tempo, Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron.
Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos.
Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos.
Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas.
Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: 
"A quem procurais?"
Responderam:
"A Jesus, o Nazareno".
Ele disse: 
"Sou eu".
Judas, o traidor, estava junto com eles.
Quando Jesus disse: "Sou eu", eles recuaram e caíram por terra.
De novo lhes perguntou: "A quem procurais?"
Eles responderam: "A Jesus, o Nazareno".
Jesus respondeu: 
"Já vos disse que sou eu.
Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem".
Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:
'Não perdi nenhum daqueles que me confiaste'.
Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
O nome do servo era Malco.
Então Jesus disse a Pedro:
"Guarda a tua espada na bainha.
Não vou beber o cálice que o Pai me deu?
Conduziram Jesus primeiro a Anás.
Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram.
Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano.
Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: "É preferível que um só morra pelo povo".
Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus.
Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote.
Pedro ficou fora, perto da porta.
Então o outro discípulo, que era conhecido do Sumo Sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro.
A
 criada que guardava a porta disse a Pedro: "Não pertences também tu aos discípulos desse homem?"
Ele respondeu: "Não!"
Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam-se aquecendo, pois fazia frio.
Pedro ficou com eles, aquecendo-se.
Entretanto, o Sumo Sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento.
Jesus lhe respondeu:
"Eu falei às claras ao mundo. 
Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem.
Nada falei às escondidas.
Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse".
Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo: "É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?"
Respondeu-lhe Jesus: 
"Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?"
Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o Sumo Sacerdote.
Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: "Não!" Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se.
Disseram-lhe: "Não és tu, também, um dos discípulos dele?"
Pedro negou: "Não!"
Então um dos empregados do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: "Será que não te vi no jardim com ele?"
Novamente Pedro negou. 
E na mesma hora, o galo cantou.
O meu reino não é deste mundo.
De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador.
Era de manhã cedo.
Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa.
Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: "Que acusação apresentais contra este homem?"
Eles responderam: "Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!"
Pilatos disse: "Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei".
Os judeus lhe responderam: "Nós não podemos condenar ninguém à morte".
Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.
Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: "Tu és o rei dos judeus?"
Jesus respondeu:
"Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?"
Pilatos falou: 
"Por acaso, sou judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim.
Que fizeste?
Jesus respondeu: 
"O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui".
Pilatos disse a Jesus: 
"Então tu és rei?"
Jesus respondeu: 
'Tu o dizes: eu sou rei.
Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz".
Pilatos disse a Jesus: 
"O que é a verdade?"
Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes: "Eu não encontro nenhuma culpa nele.
Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso.
Quereis que vos solte o rei dos Judeus?"
Então, começaram a gritar de novo: "Este não, mas Barrabás!"
Barrabás era um bandido.
Viva o rei dos judeus!
Então Pilatos mandou flagelar Jesus.
Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus.
Vestiram-no com um manto vermelho, aproximavam-se dele e diziam:
"Viva o rei dos judeus!"
E davam-lhe bofetadas.
Pilatos saiu de novo e disse aos judeus:
"Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum".
Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho.
Pilatos disse-lhes: "Eis o homem!"
Quando viram Jesus, os Sumos Sacerdotes e os guardas começaram a gritar: "Crucifica-o! Crucifica-o!"
Pilatos respondeu: "Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum".
Os judeus responderam: "Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus".
Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda.
Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: "De onde és tu?"
Jesus ficou calado.
Então Pilatos disse: "Não me respondes?
Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?
J
esus respondeu:
"Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto.
Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.
Fora! Fora! Crucifica-o!
Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus.
Mas os judeus gritavam: "Se soltas este homem, não és amigo de César.
Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César".
Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado "Pavimento", em hebraico "Gábata".
Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia.
Pilatos disse aos judeus: "Eis o vosso rei!" 
Eles, porém, gritavam: "Fora! Fora! Crucifica-o!"
Pilatos disse: "Hei de crucificar o vosso rei?"
Os sumos sacerdotes responderam: "Não temos outro rei senão César".
Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.Ali o crucificaram, com outros dois.
Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado "Calvário", em hebraico "Gólgota".
Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio.
Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: "Jesus o Nazareno, o Rei dos Judeus".
Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade.
O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego.
Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: "Não escrevas 'O Rei dos Judeus', mas sim o que ele disse: 'Eu sou o Rei dos judeus'".
Pilatos respondeu: "O que escrevi, está escrito".
Repartiram entre si as minhas vestes.
Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado.
Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo.
Disseram então entre si: "Não vamos dividir a túnica.
Tiremos a sorte para ver de quem será".
Assim se cumpria a Escritura que diz: "Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica".
Assim procederam os soldados.
Este é o teu filho. Esta é a tua mãe.
Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena.
Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: "Mulher, este é o teu filho".
Depois disse ao discípulo: "Esta é a tua mãe".
Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.
Tudo está consumado.
Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: "Tenho sede".
Havia ali uma jarra cheia de vinagre.
Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus.
Ele tomou o vinagre e disse: "Tudo está consumado".
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
E logo saiu sangue e água.
Era o dia da preparação para a Páscoa.
Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene.
Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz.
Os soldados foram e quebraram as pernas de um e, depois, do outro que foram crucificados com Jesus.
Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis.
Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: "Não quebrarão nenhum dos seus ossos".
E outra Escritura ainda diz: "Olharão para aquele que transpassaram".
Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho.
Depois disso, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus -pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus.
Pilatos consentiu.
Então José veio tirar o corpo de Jesus.
Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus.
Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés.
Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar.
No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus.

As palavras dos Papas

Tenho sede, diz Jesus, e assim manifesta a sua humanidade e também a nossa. Nenhum de nós pode bastar a si mesmo. Ninguém pode salvar-se sozinho. A vida “realiza-se” não quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber. E precisamente nesse momento, depois de ter recebido de mãos estranhas uma esponja embebida em vinagre, Jesus proclama: Tudo está consumado. O amor tornou-se necessitado e, precisamente por isso, levou a cabo a sua obra. Este é o paradoxo cristão: Deus salva não fazendo, mas deixando-se fazer. Não vencendo o mal com a força, mas aceitando até ao fim a fraqueza do amor. Na cruz, Jesus ensina-nos que o homem não se realiza no poder, mas na abertura confiante ao outro, mesmo quando este nos é hostil e inimigo. A salvação não está na autonomia, mas em reconhecer com humildade a própria necessidade e saber expressá-la livremente. A realização da nossa humanidade no desígnio de Deus não é um ato de força, mas um gesto de confiança. Jesus não salva com um gesto clamoroso, mas pedindo algo que sozinho não se pode dar. E aqui se abre uma porta para a verdadeira esperança: se até o Filho de Deus escolheu não ser suficiente para si mesmo, então também a nossa sede – de amor, de sentido, de justiça – não é um sinal de fracasso, mas de verdade.

 HOMILIA DOMINICAL
5 DE ABRIL DE 2026
DOMINGO DA PASCOA RESSURREIÇÃO DO SENHOR

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos Apóstolos 10,34a.37-4

Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse:
Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder.
Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.
E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém.
Eles o mataram, pregando-o numa cruz.
Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos.
E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos.
Todos os profetas dão testemunho dele: 'Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados'".

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses 3,1-4

Irmãos:
Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto; onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.
Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 20,1-9

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: 
"Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram".
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo.
Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.
Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo.
Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo.
Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

As palavras dos Papas

Meditando o mistério da Ressurreição, encontramos resposta à nossa sede de significado. Perante a nossa humanidade frágil, o anúncio pascal torna-se cuidado e cura, alimenta a esperança diante dos desafios assustadores que a vida nos apresenta todos os dias, a nível pessoal e planetário. Na perspetiva da Páscoa, a Via Crucis transfigura-se em Via Lucis. Precisamos de saborear e meditar a alegria após a dor, reviver na nova luz todas as etapas que precederam a Ressurreição. A Páscoa não elimina a cruz, mas vence-a no duelo prodigioso que mudou a história humana. Também o nosso tempo, marcado por tantas cruzes, invoca o amanhecer da esperança pascal. A Ressurreição de Cristo não é uma ideia, uma teoria, mas o Acontecimento que está na base da fé. Ele, o Ressuscitado, através do Espírito Santo, continua a recordá-lo a nós para que possamos ser suas testemunhas também onde a história humana não vê luz no horizonte. A esperança pascal não decepciona. Acreditar verdadeiramente na Páscoa através do caminho diário significa revolucionar a nossa vida, ser transformados para transformar o mundo com a força suave e corajosa da esperança cristã.

UM BOM E SANTO DOMINGO, FELIZ PASCOA A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
29 DE MARÇO DE 2026
DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías - 50,4-7

O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo.
O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás.
Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.
Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses - 2,6-11

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.
Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai".

Evangelho do Dia
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus - 27,11-54

Naquele tempo, Jesus foi posto diante do Pôncio Pilatos, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?"
Jesus declarou: "É como dizes", e nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos.
Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?"
Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado.
Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse.
Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás.
Então Pilatos perguntou à multidão reunida: 
"Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?"
Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja.
Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele:
"Não te envolvas com esse justo! Porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele".
Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer.
O governador tornou a perguntar: "Qual dos dois quereis que eu solte?"
Eles gritaram: "Barrabás".
Pilatos perguntou: "Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?"
Todos gritaram: "Seja crucificado!"
Pilatos falou: "Mas, que mal ele fez?"
Eles, porém, gritaram com mais força: "Seja crucificado!"
Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta.
Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse:
"Eu não sou responsável pelo sangue deste homem.
Este é um problema vosso!"
O povo todo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos".
Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.
Salve, rei dos judeus!
Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, reuniram toda a tropa em volta dele. 
Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita.
Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: "Salve, rei dos judeus!"
Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça.
Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas.
Daí o levaram para crucificar.
Com ele também crucificaram dois ladrões.
Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus.
E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer "lugar da caveira".
Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber.
Ele provou, mas não quis beber.
Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes.
E ficaram ali sentados, montando guarda.
Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação:
"Este é Jesus, o Rei dos Judeus".
Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus.
Se és o Filho de Deus, desce da cruz!
As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:
"Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo!
Se és o Filho de Deus, desce da cruz!"
Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, ambém zombaram de Jesus:
"A outros salvou... a si mesmo não pode salvar!
É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele.
Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama!
Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus"
Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam.
Eli, Eli, lamá sabactâni?
Desde o meio-dia até às três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra.
Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito:
"Eli, Eli, lamá sabactâni?", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste"?
Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: "Ele está chamando Elias!"
E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber.
Outros, porém, disseram:
"Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!"
Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.
Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram.
Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram!
Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, pareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas.
O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram:
"Ele era mesmo Filho de Deus!" 

As palavras dos Papas

Segundo o Evangelho de hoje, na cruz, Jesus diz uma frase, uma apenas: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mt 27, 46). É uma frase impressionante. Jesus sofrera o abandono dos seus, que fugiram. Restava-Lhe, porém, o Pai. Agora, no abismo da solidão, pela primeira vez designa-O pelo nome genérico de «Deus». E clama, «com voz forte», o «por quê»? [...]  Por quê tudo isto? Uma vez mais… por nós, para servir-nos. Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que nem Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total, a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário conosco. 

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
22 DE MARÇO DE 2026
5º DOMINGO DA QUARESMA

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura da Profecia de Ezequiel - 37,12-14

Assim fala o Senhor Deus:
"Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel; e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor.
Porei em vós o meu espírito, para que vivais e vos colocarei em vossa terra.
Então sabereis que eu, o Senhor, digo e faço 
- oráculo do Senhor".

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 8,8-11

Irmãos:
Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.
Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós.
Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.
Se, porém, Cristo está em vós, embora vosso corpo esteja ferido de morte por causa do pecado, vosso espírito está cheio de vida, graças à justiça.
E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 11,3-7.17.20-27.33b-45

Naquele tempo, as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus:
"Senhor, aquele que amas está doente".
Ouvindo isto, Jesus disse: "Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela".
Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro.
Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava.
Então, disse aos discípulos: 
"Vamos de novo à Judeia".
Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias.
Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa.
Então Marta disse a Jesus: "Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido.
Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele to concederá".
Respondeu-lhe Jesus: "Teu irmão ressuscitará".
Disse Marta: "Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia".
Então Jesus disse: "Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá.
E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?"
Respondeu ela: 'Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo".
Jesus ficou profundamente comovido e perguntou: "Onde o colocastes?"
Responderam: "Vem ver, Senhor".
E Jesus chorou.
Então os judeus disseram: "Vede como ele o amava!"
Alguns deles, porém, diziam:
"Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?"
De novo, Jesus ficou interiormente comovido.
Chegou ao túmulo. Era uma caverna, fechada com uma pedra.
Disse Jesus: "Tirai a pedra!"
Marta, a irmã do morto, interveio:
"Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias".
Jesus lhe respondeu:
"Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?"
Tiraram então a pedra.
Jesus levantou os olhos para o alto e disse:
"Pai, eu te dou graças porque me ouviste.
Eu sei que sempre me escutas.
Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste".
Tendo dito isso, exclamou com voz forte:
"Lázaro, vem para fora!"
O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano.
Então Jesus lhes disse:
"Desatai-o e deixai-o caminhar!"
Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.

As palavras dos Papas

O Evangelho deste quinto Domingo da Quaresma é o  da Ressurreição de Lázaro (...) Jesus poderia ter evitado a morte do seu amigo Lázaro, mas ele quis fazer sua a nossa dor pela morte de entes queridos, e acima de tudo ele quis mostrar o domínio de Deus sobre a morte. Neste trecho do Evangelho, vemos que a fé do homem e a omnipotência de Deus, do amor de Deus procuram-se e, por fim, encontram-se. É como um caminho duplo: a fé do homem e a omnipotência do amor de Deus que se procuram,  no final encontram-se. Vemo-lo no grito de Marta e de Maria e de todos nós com elas: «Se Tu estivesses aqui!...». E a resposta de Deus não é um discurso, não, a resposta de Deus ao problema da morte é Jesus: «Eu sou a Ressurreição e a Vida... Tende fé! No meio do choro continuai a ter fé, mesmo que a morte pareça ter vencido. Tirai a pedra do vosso coração! Que a Palavra de Deus restitua a vida onde há a morte». Ainda hoje Jesus nos repete: «Tirai a pedra». (...) Cristo vive, e aquele que o acolhe e adere a ele entra em contacto com a vida.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
15 DE MARÇO DE 2026
4º DOMINGO DA QUARESMA

Leitura do Dia

Primeira Leitura 
Leitura do Primeiro Livro de Samuel - 16,1b.6-7.10-13a

Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: Enche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos.
Assim que chegou, Samuel viu a Eliab e disse consigo "Certamente é este o ungido do Senhor!"
Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei.
Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração".
Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse:
"O Senhor não escolheu a nenhum deles".
E acrescentou: "Estão aqui todos os teus filhos?"
Jessé respondeu: Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas".
E Samuel ordenou a Jessé: "Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar".
Jessé mandou buscá-lo.
Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência.
E o Senhor disse: "Levanta-te, unge-o: é este!"
Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos.
E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi.

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios - 5,8-14

Irmãos:
Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor.
Vivei como filhos da luz.
E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade.
Discerni o que agrada ao Senhor.
Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as.
O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo.
Mas tudo que é condenável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz.
É por isso que se diz: "Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá".

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 9,1-41

Naquele tempo, ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
Os discípulos perguntaram a Jesus: "Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?"
Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele.
É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo".
Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego.
E disse-lhe: "Vai lavar-te na piscina de Siloé" (que quer dizer: Enviado).
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
Os vizinhos e os que costumavam ver o cego - pois ele era mendigo - diziam:
"Não é aquele que ficava pedindo esmola?"
Uns diziam: "Sim, é ele!"
Outros afirmavam: "Não é ele, mas alguém parecido com ele".
Ele, porém, dizia: "Sou eu mesmo!"
Então lhe perguntaram:
"Como é que se abriram os teus olhos?"
Ele respondeu: "Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: 'Vai a Siloé e lava-te'. 
Então fui, lavei-me e comecei a ver". 
Perguntaram-lhe: "Onde está ele?"
Respondeu: "Não sei".
Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego.
Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego.
Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista.
Respondeu-lhes: "Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!"
Disseram, então, alguns dos fariseus: "Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado".
Mas outros diziam: "Como pode um pecador fazer tais sinais?"
E havia divergência entre eles.
Perguntaram outra vez ao cego: "E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?"
Respondeu: "É um profeta."
Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista.
Chamaram os pais dele e perguntaram-lhes: "Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego?
Como é que ele agora está enxergando?"
Os seus pais disseram: "Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego.
Como agora está enxergando, isso não sabemos. 
E quem lhe abriu os olhos também não sabemos.
Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo".
Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas.
De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias.
Foi por isso que seus pais disseram: "É maior de idade. Interrogai-o a ele".
Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego.
Disseram-lhe: "Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador".
Então ele respondeu: "Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo".
Perguntaram-lhe então: "Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?"
Respondeu ele: "Eu já vos disse, e não escutastes.
Por que quereis ouvir de novo?
Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?"
Então insultaram-no, dizendo: "Tu, sim, és discípulo dele!
Nós somos discípulos de Moisés.
Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é".
Respondeu-lhes o homem: "Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos!
Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade.
Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada".
Os fariseus disseram-lhe: "Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?"
E expulsaram-no da comunidade.
Jesus soube que o tinham expulsado.
Encontrando-o, perguntou-lhe: "Acreditas no Filho do Homem?
Respondeu ele: "Quem é, Senhor, para que eu creia nele?"
Jesus disse: "Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo".
Exclamou ele: "Eu creio, Senhor!"
E prostrou-se diante de Jesus.
Então, Jesus disse: "Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos".
Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: "Porventura, também nós somos cegos?
Respondeu-lhes Jesus: "Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece".

As palavras dos Papas

Detenhamo-nos brevemente na narração do cego de nascença (cf. Jo 9, 1-41). Os discípulos, segundo a mentalidade comum do tempo, dão por certo que a sua cegueira seja consequência de um pecado seu e dos seus pais. Ao contrário, Jesus rejeita este preconceito e afirma: "Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim, para se manifestarem as obras de Deus" (Jo 9, 3). Que conforto nos oferecem estas palavras! Elas fazem-nos ouvir a voz viva de Deus, que é Amor providente e sábio! Perante o homem marcado pelo limite do sofrimento, Jesus não pensa em eventuais culpas, mas na vontade de Deus que criou o homem para a vida. (...) Ao cego curado Jesus revela que veio ao mundo para fazer um juízo, para separar os cegos curáveis dos que não se deixam curar, porque presumem ser sadios. De fato, é forte no homem a tentação de construir para si um sistema de segurança ideológica: também a própria religião pode tornar-se elemento deste sistema, assim como o ateísmo, ou o laicismo, mas fazendo assim permanece-se cego pelo próprio egoísmo. (...) Deixemo-nos curar por Jesus, que pode doar-nos a luz de Deus! Confessemos as nossas cegueiras, as nossas miopias, e sobretudo as que a Bíblia chama a "grande falta" (cf. Sl 18, 14): o orgulho.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

  HOMILIA DOMINICAL 19 DE ABRIL DE 2026 3º DOMINGO DA PASCOA Leitura do Dia Primeira Leitura Leitura dos Atos dos Apóstolos -  2,14.22-33 No...