Cientistas descrevem o primeiro câncer contagioso entre peixes: as células do tumor passam de um animal para outro


Estudo publicado na Nature mostra que o melanoma encontrado em até um terço dos bagres de um lago entre os Estados Unidos e o Canadá não surge dentro de cada peixe —é o mesmo tumor, com quase 250 mil marcas genéticas em comum, circulando de hospedeiro em hospedeiro há mais de uma década.

Pesquisadores da Universidade de Vermont identificaram o primeiro câncer transmissível já descrito entre peixes.

O melanoma que cobre de manchas pretas os bagres do lago Memphremagog, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá, não surge dentro de cada animal: são as próprias células tumorais que saem de um peixe e se instalam em outro, comportamento registrado até agora em apenas três grupos de animais. O trabalho foi publicado com destaque nesta quarta-feira (22) na revista Nature.

Câncer transmissível não descreve um agente infeccioso que provoca um tumor novo em cada indivíduo, como o HPV faz no colo do útero. É a mesma célula cancerosa, carregando o DNA do animal em que nasceu, migrando de hospedeiro em hospedeiro. Ela se comporta menos como tumor e mais como parasita. Entre seres humanos, o fenômeno nunca foi registrado.

O caso do Memphremagog começou como um problema ambiental. Entre 2014 e 2017, uma contagem encontrou lesões pretas e elevadas na pele de 23% a 37% dos bagres da espécie Ameiurus nebulosus.

A análise microscópica identificou melanoma —o mesmo tipo de câncer de pele que, em pessoas, costuma ser associado à exposição solar. O bagre vive no fundo do lago, no escuro, com o corpo sem escamas raspando o sedimento. A explicação óbvia não servia.

O lago, cerca de 50 quilômetros de água doce entre Vermont, nos Estados Unidos, e a província canadense do Quebec, é monitorado de perto: abastece mais de 175 mil pessoas. A primeira suspeita recaiu sobre a água. Uma enchente provocada pela tempestade tropical Irene, em 2011, havia degradado a qualidade do lago com o escoamento de poluentes, e a espécie é usada há décadas como indicadora ambiental justamente por acumular o que há de ruim no fundo.

Foi para testar essa hipótese que o grupo sequenciou o genoma completo dos tumores e do tecido saudável dos mesmos animais. O resultado apontou para outra direção.

O tumor que não pertencia ao peixe

A lógica do achado é simples de enunciar e difícil de digerir. Um tumor nasce das células do próprio organismo que adoece: por definição, o DNA do câncer deve ser o DNA do hospedeiro, com mutações a mais. Nesse caso, não foi o que apareceu.

"O sequenciamento mostrou que o melanoma de um peixe era mais parecido com o melanoma dos outros peixes do que com o próprio animal que o carregava. Se cada tumor tivesse surgido de forma independente, essa correlação não existiria", diz o oncologista Stephen Stefani, do Grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation.

Os números dão a dimensão do descompasso, e vale traduzi-los. Pense no genoma como um texto de bilhões de letras, copiado célula a célula ao longo da vida. Mutações são erros de cópia —e cada organismo comete os seus, em posições próprias. Dois peixes que adoecem por conta própria erram em lugares diferentes.

O grupo comparou 686.296 posições do genoma dos bagres e encontrou 245.189 alterações que apareciam no tumor e não apareciam no tecido saudável do mesmo animal: marcas do câncer, não do peixe. A maior parte delas se repetia de bicho para bicho. Um mesmo erro, na mesma posição exata, em 14, 15 ou nos 16 peixes analisados —o que vale para 59% do total.

Já o tecido sadio desses mesmos animais se comportou como a biologia manda: 83,4% de suas alterações eram exclusivas de um único indivíduo. Cada peixe com os seus próprios erros, como se espera de organismos sem parentesco entre si. A conta só fecha de um jeito. Os tumores não nasceram separados.

Para calibrar o que isso significa, os autores foram buscar comparação no Atlas do Genoma do Câncer (The Cancer Genome Atlas), o maior banco de dados genômicos de tumores humanos.

Entre 463 melanomas de pacientes, 94% das mutações eram exclusivas de um único caso. Apenas 40 de quase 500 mil alterações —0,008%— apareciam em dez ou mais tumores. Cânceres independentes não se parecem tanto assim.

Os melanomas do lago descendem, portanto, de um mesmo animal fundador, num evento anterior a 2015.

A varredura em busca de vírus e bactérias que pudessem explicar o surto não encontrou nenhum microrganismo associado aos tumores. O que resta como agente de transmissão é a própria célula cancerosa.

Cães, diabos-da-tasmânia, mariscos; e agora bagres

Os outros três casos não guardam nada em comum entre si além da esquisitice.

  • Em cães, um tumor venéreo que circula há milhares de anos e que o hospedeiro geralmente sobrevive.
  • Em diabos-da-tasmânia, um tumor facial surgido há poucas décadas, quase sempre letal, associado a uma queda de 90% em populações do marsupial.
  • E em pelo menos dez espécies de moluscos bivalves, um câncer parecido com leucemia que emergiu de forma independente pelo menos dez vezes.
  • O bagre é o quarto —e o primeiro descrito tanto em um peixe quanto em ambiente de água doce.

O registro mais antigo é de 1925: um pesquisador descreveu tumores negros em bagres de um açude de Massachusetts e conseguiu induzir lesões semelhantes em peixes sadios por contato com o tecido doente.

Não havia, à época, ferramenta capaz de identificar o agente. O sequenciamento genético, que se tornou rápido e barato nos últimos anos, fechou uma pergunta aberta por um século.

Câncer não pega

Uma descoberta assim chega ao consultório de um jeito torto, e Stefani faz questão de antecipar o estrago.

"Câncer não é uma doença contagiosa. Nenhum câncer, em nenhuma forma, entre humanos", afirma o oncologista.

O mesmo vale para qualquer via de contato com os peixes doentes. "Nem por ingestão haveria transmissão: uma célula é degradada até virar aminoácido durante a digestão", explica.

Julie Dragon, geneticista molecular da Universidade de Vermont que co-liderou o estudo, afirma que a doença não apareceu em nenhuma outra espécie de fundo do mesmo lago e que não há ameaça conhecida à saúde humana.

O que a oncologia tem a ganhar com um peixe doente

Se não há risco, o que sobra? Sobra a pergunta que interessa a quem estuda câncer há décadas: como uma célula tumoral consegue existir dentro de um corpo que não é o dela.

"Qualquer célula vinda de outro organismo é reconhecida e atacada pelo sistema imunológico. Por isso quem recebe um transplante precisa de imunossupressor, com a exceção dos gêmeos univitelinos. A pergunta que fica é como essa célula tumoral conseguiu contornar essa barreira", diz Stefani.

A capacidade de um tumor de escapar da vigilância imunológica dentro do próprio corpo já é conhecida —é o alvo das terapias oncológicas mais modernas, as que retiram o freio do sistema imune para que ele volte a enxergar o câncer.

Atravessar a fronteira de outro organismo e se instalar ali é outro patamar de sofisticação.

"Se um tumor consegue vingar em outro ser vivo, ele dispõe de uma blindagem bem mais complexa do que uma camuflagem. Descrever esse mecanismo é o que pode, mais adiante, render alguma aplicação clínica", afirma o médico.

Há também o efeito sobre a própria classificação da doença. A literatura da área já trata o câncer contagioso como uma sexta modalidade de doença infecciosa, ao lado de vírus, bactérias, fungos, parasitas e príons.

Os casos confirmados já passam de uma dezena de espécies, e os autores apontam que outros peixes com lesões escuras de causa desconhecida merecem ser testados. Quanto mais se procura, mais comum o fenômeno parece.

E há a consequência ecológica, que é imediata.

"Uma doença grave que se transmite sem vírus e sem bactéria, dentro de um ambiente fechado como um lago, tem implicações reais para a conservação da espécie", diz Stefani.

Para os órgãos que monitoram fauna, muda o roteiro: um tumor encontrado em animal selvagem deixa de ser apenas sinal de contaminação ambiental e passa a exigir a pergunta sobre transmissão.

As perguntas em aberto

Como a célula passa de um peixe para o outro segue sem resposta —o estudo não se propôs a investigar.

As hipóteses giram em torno da reprodução: a doença só aparece em animais grandes, em idade reprodutiva, e a desova reúne os bagres em aglomerações rasas, com contato físico intenso. Sem escamas e rente ao fundo, o animal também poderia se infectar por células depositadas no sedimento, que entrariam pela pele, pela boca ou pelas brânquias.

A hipótese ambiental não foi abandonada, mas perdeu força: os testes de qualidade da água no Memphremagog mostraram níveis de poluentes semelhantes aos de outros lagos da região, incluindo o Champlain, onde não há melanoma transmissível.

A análise genética sugere, ainda, que a linhagem tumoral se originou fora do lago —e a equipe já ampliou a coleta para corpos d'água em Vermont, New Hampshire, Maine e New Brunswick.

Falta saber quanto isso custa à espécie. Diferentemente do que ocorre com os diabos-da-tasmânia, os bagres doentes parecem conviver anos com os tumores, e o efeito de longo prazo sobre a população segue desconhecido.

"As células cancerígenas se mostraram mais complexas do que aquilo que a gente conhecia", diz Stefani.

O lago do Vermont não muda o prognóstico de nenhum paciente. Muda o tamanho da pergunta.

 HOMILIA DOMINICAL
26 DE JULHO DE 2026
17º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Primeiro Livro dos Reis - 3,5.7-12

Naqueles dias,
Em Gabaon o Senhor apareceu a Salomão, em sonho, durante a noite, e lhe disse: "Pede o que desejas, e eu te darei".
E Salomão disse: "Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai.
Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar.
Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso que não se pode contar ou calcular.
Dá, pois, ao teu servo, um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal.
Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?
Esta oração de Salomão agradou ao Senhor.
E Deus disse a Salomão: "Já que pediste esses dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti, nem haverá depois de ti".

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 8,28-30

Irmãos:
Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus.
Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre, a esses ele predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito numa multidão de irmãos.
E aqueles que Deus predestinou, também os chamou.
E
 aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 13,44-52

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
"O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo.
Um homem o encontra e o mantém escondido.
Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo.
O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas.
Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.
O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar  que apanha peixes de todo tipo.
Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam.
Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo.
E aí haverá choro e ranger de dentes.
Compreendestes tudo isso? "Eles responderam: "Sim".
Então Jesus acrescentou: "Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas".

As palavras dos Papas

Face à descoberta inesperada, quer o camponês quer o mercador dão-se conta de ter uma ocasião única que não querem perder, e por isso vendem tudo o que possuem. A avaliação do valor inestimável do tesouro leva a uma decisão que implica também sacrifícios, desprendimentos e renúncias. Quando o tesouro e a pérola foram descobertos, ou seja, quando encontrámos o Senhor, é necessário que esta descoberta não seja estéril, mas deve-se sacrificar por ela qualquer outra coisa. Não se trata de desprezar o resto, mas de o subordinar a Jesus, pondo-O em primeiro lugar. A graça do primeiro lugar. O discípulo de Cristo não é alguém que se privou de algo essencial; é uma pessoa que encontrou muito mais: encontrou a alegria plena que só o Senhor pode doar. É a alegria evangélica dos doentes curados; dos pecadores perdoados; do ladrão para o qual se abre a porta do paraíso. [...] Hoje somos exortados a contemplar a alegria do camponês e do mercador das parábolas. É a alegria de cada um de nós quando descobrimos a proximidade e a presença confortadora de Jesus na nossa vida. Uma presença que transforma o coração e nos abre às necessidades e ao acolhimento dos irmãos, sobretudo dos mais débeis.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS

HOMILIA DOMINICAL
19 DE JULHO DE 2026
16º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do dia

Primeira leitura
Leitura do Livro da Sabedoria - 
12,13.16-19

Não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas e a quem devas mostrar que teu julgamento não foi injusto.
A tua força é princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente.
Mostras a tua força a quem não crê na perfeição do teu poder; e nos que te conhecem, castigas o seu atrevimento.
No entanto, dominando tua própria força, julgas com clemência e nos governas com grande consideração: pois quando quiseres, está ao teu alcance fazer uso do teu poder.
Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano; e a teus filhos deste a confortadora esperança de que concedes o perdão aos pecadores. 

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 8,26-27

Irmãos:
O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza.
Pois nós não sabemos o que pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis.
E aquele que penetra o íntimo dos corações sabe qual é a intenção do Espírito.
Pois é sempre segundo Deus que o Espírito intercede em favor dos santos.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 13,24-43

Naquele tempo:
Jesus contou outra parábola à multidão:
"O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo, e foi embora.
Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio.
Os empregados foram procurar o dono e lhe disseram:
'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo?
Donde veio então o joio?'
O dono respondeu: 'Foi algum inimigo que fez isso'.
Os empregados lhe perguntaram: 'Queres que vamos arrancar o joio?'
O dono respondeu: 'Não! pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo.
Deixai crescer um e outro até a colheita!
E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado!
Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!
Jesus contou-lhes outra parábola:
"O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo.
Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas.
E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos".
Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola:
"O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado".
Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões.
Nada lhes falava sem usar parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta:
"Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo".
Então Jesus deixou as multidões e foi para casa.
Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram:
"Explica-nos a parábola do joio!"
Jesus respondeu:
"Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
O campo é o mundo.
A boa semente são os que pertencem ao Reino.
O joio são os que pertencem ao Maligno.
O inimigo que semeou o joio é o diabo.
A colheita é o fim dos tempos.
Os ceifeiros são os anjos.
Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo.
Aí haverá choro e ranger de dentes.
Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai.
Quem tem ouvidos, ouça".

As palavras dos Papas

Jesus compara o Reino dos céus com um campo de trigo, para nos levar a compreender que dentro de nós foi semeado algo de pequeno e escondido que, no entanto, possui uma força vital insuprimível. Não obstante todos os obstáculos, a semente desenvolver-se-á e o fruto amadurecerá. Este fruto só será bom, se o terreno da vida for cultivado em conformidade com a vontade divina. Por isso, na parábola do trigo bom e do joio (cf. Mt 13, 24-30), Jesus admoesta-nos que, depois da sementeira realizada pelo dono, «enquanto todos dormiam», interveio «o seu inimigo», que semeou a erva daninha. Isto significa que devemos estar prontos para conservar a graça recebida desde o dia do Baptismo, continuando a alimentar a fé no Senhor, a qual impede que o mal ganhe raízes. Santo Agostinho, comentando esta parábola, observa que «muitos, primeiro são joio e depois tornam-se trigo bom», e acrescenta: «Se eles, quando são malvados, não fossem tolerados com paciência, não chegariam à mudança louvável» (Quaest. septend. in Ev. sec. Matth., 12, 4: pl 35, 1371). (...) Portanto, se somos filhos de um Pai tão grande e bom, procuremos assemelhar-nos a Ele! Esta era a finalidade que Jesus se propunha com a sua pregação; com efeito, a quantos O ouviam, Ele dizia: «Sede perfeitos, como o vosso Pai que está nos céus é perfeito» (Mt 5, 48).








HOMILIA DOMINICAL
12 DE JUNHO DE 2026
15º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Profeta Isaías - 55,10-11

Isto diz o Senhor:
"Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la".

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 8,18-23

Irmãos:
Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós.
De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus.
Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.
Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto.
E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 13,1-23

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia.
Uma grande multidão reuniu-se em volta dele.
Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia.
E disse-lhes muitas coisas em parábolas: 
"O semeador saiu para semear.
Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.
Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra.
As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda.
Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
Outras sementes caíram no meio dos espinhos.
Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.
Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente.
Quem tem ouvidos, ouça!
Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus:
"Por que tu falas ao povo em parábolas?"
Jesus respondeu:
"Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado.
Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem.
É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem.
Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: 
'Havereis de ouvir, sem nada entender.
Havereis de olhar, sem nada ver.
Porque o coração deste povo se tornou insensível. 
Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure'.
Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem.
Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.
Ouvi, portanto, a parábola do semeador:
Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração.
Este é o que foi semeado à beira do caminho.
A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo.
A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto.
A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende.
Esse produz fruto.
Um dá cem, outro sessenta e outro trinta".

As palavras dos Papas

Um semeador muito original sai para semear, mas não se preocupa com o lugar onde a semente cai. Lança a semente até onde é improvável que dê fruto: ao longo da estrada, entre as pedras, no meio dos arbustos. Esta atitude surpreende o ouvinte, levando-o a questionar-se: como é possível? Estamos habituados a calcular as coisas - e às vezes é necessário - mas isto não vale no amor! O modo como este semeador “esbanjador” lança a semente é uma imagem da maneira como Deus nos ama. Aliás, é verdade que o destino da semente depende também do modo como o terreno a acolhe e da situação em que se encontra, mas nesta parábola Jesus diz-nos sobretudo que Deus lança a semente da sua palavra em todos os tipos de solo, isto é, em qualquer uma das nossas situações: às vezes somos mais superficiais e distraídos, outras vezes deixamo-nos levar pelo entusiasmo, por vezes sentimo-nos oprimidos pelas preocupações da vida, mas há também momentos em que estamos disponíveis e somos acolhedores. Deus confia e espera que, mais cedo ou mais tarde, a semente floresça. É assim que nos ama: não espera que nos tornemos o melhor terreno, concede-nos sempre generosamente a sua palavra. Talvez precisamente vendo que Ele confia em nós, nasça em nós o desejo de ser uma terra melhor. Esta é a esperança, fundada na rocha da generosidade e da misericórdia de Deus.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
5 DE JULHO DE 2026
14º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura da Profecia de Zacarias - 9,9-10

Assim diz o Senhor:
"Exulta, cidade de Sião!
Rejubila, cidade de Jerusalém.
Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria de jumenta.
Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações.
Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar, e desde o rio até aos confins da terra".

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 8,9.11-13

Irmãos:
Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós.
Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.
E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós.
Portanto, irmãos, temos uma dívida, mas não para com a carne, para vivermos segundo a carne.
Pois, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 11,25-30

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer:
"Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso.
Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".

As palavras dos Papas

Jesus (...) nos convida a carregar o seu jugo e a aprender d'Ele, que é "manso e humilde de coração" (Mt 11, 29). Carregar o jugo do Senhor significa antes de tudo:  aprender d'Ele. Estar sempre dispostos a ir à sua escola. D'Ele devemos aprender a mansidão e a humildade a humildade de Deus que se mostra no seu ser homem. São Gregório Nazianzeno certa vez perguntou-se porque é que Deus se quis fazer homem. A parte mais importante e para mim mais comovedora da sua resposta é:  "Deus queria dar-se conta do que significa para nós a obediência e queria medir tudo com base no próprio sofrimento, esta invenção do seu amor por nós. Deste modo, Ele pode conhecer diretamente em si mesmo o que nós experimentamos quanto nos é exigido, quanta indulgência merecemos calculando com base no seu sofrimento a nossa debilidade" (Discurso 30; Disc. Teol. IV, 6). Às vezes gostaríamos de dizer a Jesus:  Senhor, o teu jugo não é minimamente leve. Aliás, é tremendamente pesado neste mundo. Mas olhando depois para Ele que carregou tudo que em si sentiu a obediência, a debilidade, o sofrimento, toda a escuridão, então estas nossas lamentações dissipam-se. O seu jugo é o de amar com Ele. Quanto mais amarmos, e com Ele nos tornarmos pessoas que amam, tanto mais leve se tornará para nós o seu jugo aparentemente pesado.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL
28 DE JUNHO DE 2026
XIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Segundo Livro dos Reis - 4,8-11.14-16a

Certo dia, Eliseu passou por Sunam.
Lá morava uma senhora rica, que insistiu para que fosse comer em sua casa.
Depois disso, sempre que passava por lá, Eliseu parava na casa dessa mulher para fazer suas refeições.
E ela disse ao marido: ‘Tenho observado que este homem, que passa tantas vezes por nossa casa, é um santo homem de Deus.
Façamos para ele, no terraço, um pequeno quarto de alvenaria, onde colocaremos uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro.
Assim, quando vier à nossa casa, poderá acomodar-se ali’.
Um dia, Eliseu passou por Sunam e recolheu-se àquele pequeno quarto para descansar.
E perguntou a Giezi, seu servo: ‘Que se poderia fazer por esta mulher?’
Giezi respondeu: ‘É inútil perguntar-lhe; ela não tem filhos e seu marido já é velho’.
Eliseu mandou então que a chamasse.
Ele chamou-a e ela pôs-se à porta.
Eliseu disse-lhe: ‘Daqui a um ano, neste tempo, estarás com um filho nos braços’.

Segunda leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 6,3-4.8-11

Irmãos:
Será que ignorais que todos nós, batizados em Jesus Cristo, é na sua morte que fomos batizados?
Pelo batismo na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova. 
Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. 
Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele.
Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive.
Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 10,37-42

Naquele tempo, disse Jesus a seus apóstolos:
Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim.
Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.
Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.
Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la.
E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la.
Quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou.
Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta.
E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo.
Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa.’

As palavras dos Papas

Jesus pede aos seus discípulos que levem a sério as exigências do Evangelho, mesmo quando isso requer sacrifício e esforço. (...) Ele diz: “Quem ama o pai ou a mãe, [...] o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim” (v. 37). Jesus não pretende certamente subestimar o amor pelos pais e filhos, mas sabe que os laços de parentesco, se forem postos em primeiro lugar, podem desviar do verdadeiro bem. Vemo-lo: acontecem algumas corrupções nos governos precisamente porque o amor à parentela é maior do que o amor à pátria, e dão cargos aos parentes. Quando, por outro lado, o amor aos pais e filhos é animado e purificado pelo amor ao Senhor, então torna-se plenamente fecundo e produz frutos de bem na própria família e muito para além dela (...). Então Jesus diz aos seus discípulos: «Quem não tomar a sua cruz para Me seguir, não é digno de mim» (v. 38). É uma questão de O seguir no caminho que Ele próprio percorreu, sem procurar atalhos. Não há amor verdadeiro sem cruz, ou seja, sem um preço a pagar pessoalmente. E dizem-no muitas mães, muitos pais, que tanto se sacrificam pelos filhos e suportam verdadeiras dificuldades e cruzes, porque amam. E carregada com Jesus, a cruz não é assustadora, porque Ele está sempre ao nosso lado para nos apoiar na hora da prova mais dura, para nos dar força e coragem.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

NOTÍCIAS EM DESTAQUE - BRASIL - 118 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL 

A Imigração Japonesa no Brasil teve início oficial em 18 de junho de 1908, com a chegada do navio Kasato Maru ao porto de Santos trazendo 781 imigrantes. O país abriga a maior comunidade de descendentes nipônicos do mundo, com aproximadamente 2,7 milhões de pessoas vivendo em território nacional. 

Contexto Histórico e Expansão

O movimento migratório começou a se fortalecer em 1905, impulsionado por um acordo entre os governos brasileiro e japonês para suprir a escassez de mão de obra nas plantações de café de São Paulo e outras regiões. Após enfrentarem dificuldades iniciais de adaptação, idioma e condições de trabalho nas fazendas, muitas famílias japonesas seguiram para núcleos coloniais, onde diversificaram a agricultura nacional.

Para uma visão geral e documentada sobre a jornada, desafios e a importância cultural dos imigrantes japoneses no Brasil:

Presença Cultural e Social

A contribuição nipônica no Brasil vai muito além da introdução de novas técnicas agrícolas (como o cultivo de hortaliças, chá e pimenta-do-reino). A cultura influenciou fortemente a gastronomia, o esporte e os costumes. Um marco dessa influência é o bairro da Liberdade, na cidade de São Paulo, que se desenvolveu a partir da primeira grande concentração de imigrantes na região.

O Brasil conta com acervos dedicados a preservar essa herança. Se você deseja explorar a documentação, fotografias e os objetos originais trazidos pelos primeiros colonos, pode consultar os registros mantidos pela Embaixada do Japão no Brasil e o Museu da Imigração Japonesa - Bunkyo. 

Identidade Nipo-Brasileira Atualmente

Atualmente, as novas gerações de nipo-brasileiros (nikkeis) integram plenamente a sociedade brasileira. Eles se identificam primeiramente como brasileiros, mantendo vivo o legado de trabalho árduo, respeito à educação e os valores tradicionais japoneses que enriquecem a identidade cultural do país.

Gostaria de aprofundar seu conhecimento sobre alguma área específica? Posso procurar detalhes sobre:

  • A influência da culinária japonesa no Brasil
  • O impacto na agricultura em regiões específicas, como São Paulo ou Pará
  • A história das colônias agrícolas pioneiras

Principais Causas da Imigração

  • Superpopulação no Japão: O país enfrentava forte crise demográfica e desemprego no início do século XX.
  • Falta de terras cultiváveis: A modernização da Era Meiji centralizou terras e isolou pequenos camponeses.
  • Falta de mão de obra no Brasil: O fim da escravidão (1888) gerou forte demanda nas fazendas de café paulistas.

Trajetória e Ciclos Econômicos

  • O Café (1908–1920s): Os primeiros imigrantes trabalharam como colonos no cultivo do café no interior de São Paulo.
  • Independência Agrícola: Com o tempo, compraram terras e formaram cooperativas, introduzindo novos alimentos no Brasil.
  • Novas Regiões: Expandiram-se para o Paraná, Mato Grosso do Sul, Pará (cultivo de pimenta-do-reino) e Amazonas (juta). 

Contribuições Culturais e Econômicas

  • Agricultura: Introdução do cultivo do caqui, kiwi, maçã fuji, mexerica ponkan e técnicas de cultivo em estufas.
  • Culinária: Popularização do consumo de peixe cru, sushi, pastel de feira, shoyu e o uso marcante do arroz e hortaliças.
  • Artes e Esportes: Difusão de artes marciais (Judô, Karatê, Aikidô) e celebrações tradicionais como o Bon Odori.

Marcos Históricos Locais (Pontos de Interesse)

  • Bairro da Liberdade (São Paulo): O maior reduto da comunidade japonesa no país, famoso por seus pórticos (Torii) e feiras.
  • Museu Histórico da Imigração Japonesa (São Paulo): Principal acervo documental e de objetos da trajetória dos imigrantes.
  • Pavilhão Japonês (Parque Ibirapuera): Monumento construído em conjunto pelo governo japonês e a comunidade nikkei.

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