Qual é o tratamento para o TDAH?

Qual é o tratamento para o TDAH?
Fonte: Novartis

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Hoje, apesar de não haver cura para o TDAH, existe uma infinidade de abordagens terapêuticas que permitem que as pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade desenvolvam diferentes habilidades, vivam com qualidade, sejam socialmente inseridos e alcancem grandes objetivos.
tratamento do TDAH é abrangente e individualizado. Cada criança, adolescente ou adulto com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade pode responder ao tratamento proposto de forma diferente e, por isso, é tão importante que haja acompanhamento médico, psicológico, educacional e familiar bastante próximo.
A abordagem mais utilizada para o tratamento do TDAH é a abordagem combinada (multimodal), que consiste no uso de medicamentos associado a recursos complementares para melhorar a resposta final do paciente.1 Isso pode incluir a utilização de intervenções psicoterápicas, fonoaudiológicas, psicopedagógicas, mudanças no estilo de vida, além do uso de recursos tecnológicos e ajustes no ambiente onde o paciente está inserido.
“O objetivo principal do tratamento do TDAH é que o paciente aprenda a lidar com seus sintomas, evitando ou limitando os prejuízos em sua vida. Para isso, a medicação é importante, assim como outros recursos que envolvem trabalho psicoeducativo com a família e a escola (no caso de crianças), o entendimento sobre o que é o TDAH e como deve ser feito o tratamento, além de mudanças na rotina, na estrutura e no ambiente em que vive o paciente.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. – CRM RJ 5273634-1
Sobre os medicamentos

Existem diferentes opções de medicamentos para o tratamento do TDAH, sendo a maioria da classe dos estimulantes (que, apesar do nome, proporcionam um efeito calmante no paciente), e também alguns classificados como não-estimulantes. Os medicamentos para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade têm potencial para reduzir a hiperatividade e impulsividade, além de melhorar a capacidade dos pacientes de concentração, trabalho e aprendizado. A medicação também pode melhorar a coordenação física das pessoas com TDAH.2
Quando utilizados de acordo com a prescrição médica e as recomendações de bula, esses medicamentos são bastante seguros. Dentre os efeitos colaterais mais comuns dos medicamentos para TDAH, pode ocorrer a diminuição do apetite (que pode levar a perda de peso) e alguns problemas relacionados ao sono. Qualquer efeito colateral apresentado deve ser reportado ao médico para avaliação da continuidade do tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e um eventual ajuste de dose.3
ATENÇÂO ao uso de medicamentos para TDAH por pessoas saudáveis
Uma pesquisa recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprovou que jovens saudáveis sem TDAH não têm atenção, memória ou as funções executivas beneficiadas com o uso de medicamentos para tratamento do TDAH. Por isso, além de ilegal, é também ineficaz o uso de medicamentos para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade por pessoas saudáveis sem a prescrição médica.4
Sobre a terapia

Existem diferentes tipos de terapia que podem ajudar as pessoas com TDAH a viver melhor, conforme o estágio de desenvolvimento em que estão. Juntos, os profissionais de saúde, pacientes com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e pais, precisam buscar e avaliar qual a melhor alternativa para cada pessoa. Entre as possibilidades, está a terapia comportamental, terapia cognitiva, terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades sociais, terapia psicoeducacional, abordagem psicopedagógica e terapia fonoaudiológica.
Esses recursos podem ajudar as crianças a buscarem uma mudança de comportamento, monitorar e controlar impulsos, lidar com eventos emocionalmente difíceis, etc. Em adolescentes e adultos com TDAH, a terapia pode ajudar em questões relacionadas à baixa autoestima, organização pessoal e profissional, gerenciamento de prioridades e também no controle da impulsividade, entre outras questões.5
Mudanças no estilo de vida
Há muitos estudos em andamento que buscam compreender melhor os benefícios da alimentação e da prática de atividades físicas como complementação no tratamento do TDAH. Já se sabe que a moderação no consumo de cafeína e açúcar, por exemplo, podem ajudar.6
Além disso, diversos estudos têm demonstrado que a prática de atividades físicas aeróbicas intensas (como nadar e correr) podem melhorar o funcionamento cognitivo e comportamental. Com isso, pessoas com TDAH que praticam exercícios físicos regulares podem ter a manifestação dos sintomas reduzida e melhorar o rendimento.7
A mudança no estilo de vida do paciente com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é geralmente uma forma de tratamento adjuvante, ou seja, associada aos demais recursos existentes, como medicamentos e intervenções psicossociais.
Tecnologia
Uma série de programas, aplicativos e recursos podem ajudar as pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, em diferentes fases da vida, a gerenciar melhor seus sintomas. O uso da tecnologia pode contribuir com automonitoramento do tratamento do TDAH, para que o paciente possa controlar se já tomou o remédio, quando deve praticar exercícios físicos e visitar especialistas de saúde, por exemplo.
Além disso, os recursos tecnológicos podem ajudar os pacientes com TDAH a controlar outras áreas do dia a dia, como as tarefas da escola ou do trabalho. Mas é preciso que os pacientes pesquisem os recursos disponíveis e avaliem, individualmente, o que funciona para cada um.
Recursos que podem diminuir a intensidade dos sintomas do TDAH
A intensidade da manifestação dos sintomas do TDAH também pode ser influenciada por quatro diferentes fatores: estruturação do ambiente; nível de motivação; saliência da tarefa; e estágio de desenvolvimento. Por isso, resultados positivos podem ser observados a partir de mudanças propostas nesses fatores.8
1. Estruturação do ambiente: seja em casa, na escola ou em outro local, quanto mais estruturadas as regras do ambiente e quanto mais próximo o monitoramento externo (por país ou professores, por exemplo), menor a chance da manifestação dos sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
2. Nível de motivação: quanto mais motivado o paciente estiver para a realização de determinada tarefa ou atividade proposta, maior deverá ser seu nível de atenção na execução.
3. Saliência da tarefa: isto é, quanto mais divertida, ousada ou prazerosa a atividade, maior deve ser a atenção do paciente com TDAH. Além disso, atividades que geram recompensas rápidas (seja um elogio ou algo material) também costumam receber mais atenção e, desde que usadas com moderação, podem ajudar a reforçar um bom comportamento.
4. Estágio de desenvolvimento: cada paciente pode manifestar os sintomas do TDAH de forma diferente conforme sua idade e grau de desenvolvimento, bem como de acordo com suas habilidades e capacidades cognitivas. É importante entender o estágio do paciente e fazer propostas coerentes.

Referências
1. Site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção e Hiperatividade (ABDA). Disponível em http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/tratamento.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
2. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
3. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
4. Site Psiquiatria Unifesp. Disponível em http://www.psiquiatria.unifesp.br/sobre/noticias/exibir/?id=186. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
5. Site DDA Déficit de Atenção. Disponível em http://www.dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/tdah-alimentacao.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
6. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/publications/attention-deficit-hyperactivity-disorder/index.shtml#pub7. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
7. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3724411/. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
8. Polanczyk GV, Rohde LA. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. In: Forlenza OV, Miguel EC (Ed). Compêndio de Clínica Psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2012, pp. 220-239.

Calcule a idade de sua Lua

Mesmo quem não gosta de números pode saber quando se repetirá a fase lunar do dia do seu nascimento.

Muita gente usa as fases da Lua para fazer regime, plantar, podar etc. uma prática que entrou recentemente em moda consiste em só cortar os cabelos na fase da Lua que coincide com a do momento do nascimento. Uma amiga minha pagou 50 dólares para obter essas datas para o ano de 1993 e ficou indignada ao saber que ela mesma poderia tê-las calculado. Apesar de não gostar muito de números, ela me pediu para ensina-la a fazer contas. Deixando de lado a questão de ser ou não uma bobagem regular a vida pela Lua, vamos ao cálculo da fase.
É preciso saber de quanto em quanto tempo as fases da Lua se repetem, ou o seu ciclo, que vale, em média, 29 dias, 12 horas, 44 minutos. Cada vez que se somar o ciclo à data do nascimento de uma pessoa dá um “aniversário mensal” da Lua. Um pequeno truque usado pelos astrônomos ajuda nessa soma. Imagine que uma pessoa nasceu às 11h30 do dia 20 de março d 1968. Pode-se dizer que, a contar do primeiro dia do ano, ela nasceu no dia de número 80,4792. Parece esquisito, mas janeiro, é claro, termina no dia de número 31. Fevereiro, que teve 29 dias (pois 1968 foi bissexto), termina no dia 60. O seja, 29 mais 31. Somando-se os 20 dias de março, chega-se ao dia de número 80.
O próximo passo é acrescentar as horas à data de nascimento: a pessoa não nasceu no primeiro momento de 20 de março, mas sim às 11h30. Para se transformar horas em dia, divide-se 11 por 24. A resposta correta é 0,4584. Mais 80: 80,4584. Para transformar os 30 minutos em hora, divide-se por 60 e se obtém 0,5. E 0,5 dividido por 24, dá 0,0208. a soma com 80,4584 dá a data de nascimento no novo sistema: 80,4792. as mesmas conversões devem ser feitas para a duração do ciclo lunar, que fica valendo 29,5306 dias. Assim, para aquela pessoa, o primeiro aniversário mensal da Lua será no dia 111,0098 (80,4792 mais 29,5306). Ou seja, aos 14 minutos de 19 de abril de 1968.
O que ela quer saber, porém, é o seu mais próximo aniversário hoje – por exemplo, a partir de zero hora de 5 de julho de 1993, ou o dia 181 deste ano. Nesse caso, contam-se todos os dias entre 1969 e 1993. Primeiro, os que faltam para terminar 1969: basta tirar 80,4792 de 366 (o ano é bissexto). Dá 285,5208. Vêm depois 24 anos até 1992; multiplicados por 365, são 8.760 dias. Como houve seis anos bissextos no período, são seis dias a mais: 8.766. Somados aos 181 dias de 1993, resultam 8.947 dias. Esse total, dividido pelo ciclo da Lua (29,5308) dá o total de ciclos do período: 302,9739. Logo, falta 0,0261 dia para completar o próximo ciclo (303 menos 302,9739 igual a 0,0261). A multiplicação por 24 transforma dia em hora. O resultado (0,6264) mostra que a Lua aniversaria logo após logo após a zero hora de 5 de julho.
A cada 3 minutos, mais de 2 brasileiros morrem por falhas médicas evitáveis
Maria Júlia Marques - Do UOL, em São Paulo
26/10/201606h00

A cada três minutos mais de dois brasileiros (2,47 exatamente) morrem em um hospital por consequência de um erro que poderia ser evitado. Essas falhas são chamadas de "eventos adversos", que representam erros como a má dosagem de medicamentos ou uso incorreto de equipamentos.
Um estudo feito pela Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e pelo IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), divulgado nesta quarta-feira (26), mostra que os erros podem ser uma das principais causas de morte do país.
Analisando artigos já publicados, os pesquisadores estimam que só no ano passado 434,11 mil óbitos foram provocados por falhas no sistema de saúde nacional (tanto público quanto privado). O número representa 1,19 mil pessoas morrendo por dia devido a erros evitáveis. Para efeito de comparação, em 2013 o Ministério da Saúde informou que as doenças cérebro vasculares foram as que mais mataram os brasileiros, registrando 100 mil óbitos.
Além das vidas perdidas, o estudo projeta que, em 2015, os eventos adversos consumiram de R$ 5,19 bilhões a R$ 15,57 bilhões de recursos da saúdeprivada brasileira. Não há valores de perdas para o SUS.
Os eventos adversos causam mortes e desperdícios de verbas de um sistema de saúde que sofre com a falta de recursos. A transparência na divulgação dos dados e evitar as falhas ajudam os pacientes e cortam desperdícios"médico que participou do estudo Renato Couto, da UFMG
O erro é do médico?
iStock
Quando falamos "falhas médicas" buscamos um culpado e podemos imaginar que o erro tenha sido de um médico ou enfermeiro. Porém, Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do IESS, afirma que existe uma política de não culpar o profissional de saúde.
"Errar é humano, não queremos culpar um médico e sim mostrar como o processo de segurança na saúde precisa ser melhorado para evitar mortes", afirma.
O superintendente explica que nos Estados Unidos, por exemplo, notaram que os eventos adversos mais prevalentes eram com medicamentos. Para diminuir as falhas, hospitais adotaram medidas preventivas como fazer com que o funcionário que distribui os medicamentos use uma camisa com os dizeres: "Não fale comigo" e ainda usa fone de ouvido para não distrair. Também colocam gavetas nos carrinhos de remédios que só abrem se o funcionário passar o código da pulseira do paciente.
Como diminuir as falhas?
Atualmente, os hospitais não informam quantas mortes ou complicações acontecem por eventos adversos, e os pacientes podem nem saber que esse tipo de falha ocorre.
"A escolha de um hospital se baseia na qualidade, na recomendação de um médico...Mas ninguém tem condições de garantir que tal prestador é qualificado, simplesmente porque desconhecemos seus indicadores de qualidade"afirma Luiz Augusto Carneiro do IESS.
Uma das propostas de solução do estudo é que os hospitais comecem a divulgar quais são as consequências dessas falhas para o paciente. Uma vez que a população tenha acesso à informação a cobrança por melhorias aumenta, e os hospitais serão pressionados a melhorar seus sistemas de trabalho para resolver as questões.
E essa iniciativa não precisa partir do Ministério da Saúde exatamente. Nos Estados Unidos, empresas que contratam planos de saúde fizeram um site com um enorme banco de dados avaliando condições de hospitais. O sucesso foi tamanho que hoje em dia 48% dos americanos escolhe seu hospital de acordo com os dados do site.

"Depois da divulgação, os hospitais precisam atuar em três frentes: nas estruturas das instalações, com bons equipamentos e boa equipe, no funcionamento integrado dos recursos, não adianta a melhor máquina se não tiver funcionários que operem bem, e por último mensurar resultados, para calcular metas e acompanhar sua evolução", explica Couto.
Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no local que viria a ser o município de Palmira (hoje rebatizado em honra a ele), em Minas Gerais. Filho de Henrique Dumont, de ascendência francesa e engenheiro de obras públicas, e de Francisca Santos Dumont, filha de uma tradicional família portuguesa.
Com Alberto ainda pequeno a família se mudou para Valença (RJ) e passou a se dedicar ao café. Em seguida seu pai comprou a Fazenda Andreúva a cerca de 20 km de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Ali, o pai de Alberto logo percebeu o fascínio do filho pelas máquinas da fazenda e direcionou os estudos do rapaz para a mecânica, a física, a química e a eletricidade.
Em 1891, Alberto, então com 18 anos e emancipado, foi para a França completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar. Ao chegar em Paris, admirou-se com os motores de combustão que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e comprou um para si. Logo Santos Dumont estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.
Com a morte do pai, um ano depois, o jovem Santos Dumont sofreu um grande abalo emocional, mas continuou os estudos na Cidade-Luz. Em 1897 fez seu primeiro vôo num balão alugado. Um ano depois, subia ao céu no balão Brasil, construído por ele. Mas procurava a solução para o problema da dirigibilidade e propulsão dos balões. Projetou então o seu número 1, com forma de charuto, com hidrogênio e motor a gasolina.

Primeiro vôo

No dia 20 de setembro de 1898 realizou o primeiro vôo de um balão com propulsão própria. No ano seguinte voou com os dirigíveis número 2 e número 3. O sucesso de Santos Dumont chamou a atenção do milionário Henry Deutsch de la Muerte que no dia 24 de março de 1900 ofereceu um prêmio de cem mil francos a quem partisse de Saint Cloud, contornasse a torre Eiffel e retornasse ao ponto de partida em 30 minutos.
Santos Dumont fez experiências com os números 4 e 5. Em 19 de outubro de 1901 cruzou a linha de chegada com o número 6, mas houve uma polêmica graças a um atraso de 29 segundos. Em 4 de novembro o Aeroclube da França declarou-o vencedor. Além do Prêmio Deutsch recebeu do presidente Campos Salles outro prêmio no mesmo valor e uma medalha de ouro.
Em 1902 o príncipe de Mônaco, Alberto 1º, ofereceu um hangar para ele fazer suas experiências no principado. Santos Dumont continuou construindo seus dirigíveis. O numero 11 foi um bimotor com asas e o numero 12 parecia um helicóptero. Em 1906 foi instituída a Taça Archdeacon para um vôo mínimo de 25 metros com um aparelho mais pesado que o ar, com propulsão própria. O Aeroclube da França lançou o desafio para um vôo de 100 metros.

Com Edison e Roosevelt

Em abril de 1902 Santos Dumont viajou para os Estados Unidos onde visitou os laboratórios de Thomas Edison e foi recebido pelo presidente Theodore Roosevelt.Em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, o 14-Bis voou por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e conquistou a Taça Archdeacon. Uma multidão de testemunhas assistiu a proeza e no dia seguinte toda a imprensa louvou o fato histórico. O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o costume do inventor.
Em 12 de novembro de 1906, na quarta tentativa, conseguiu realizar um vôo de 220 metros, estabelecendo o primeiro recorde de distância e ganhando o Prêmio Aeroclube. Santos Dumont não ficou satisfeito com os números 15 a 18 e construiu a série 19 a 22, de tamanho menor, chamadas Demoiselles.
Santos Dumont recebeu diversas homenagens na Europa e nas Américas, em especial no Brasil, onde foi recebido com euforia. Como o brasileiro não patenteava suas invenções, seus projetos foram aperfeiçoados por outros como Voisin, Leon Delagrange, Blériot, Flarman.
Em 1909 ocorreram dois grandes eventos: a Semaine de Champagne, em Reims, o primeiro encontro aeronáutico do mundo e o desafio da travessia do Canal da Mancha. Nesse ano Santos Dumont obteve o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França. Em 25 de julho de 1909, Blériot atravessou o canal da Mancha e foi parabenizado por carta pelo brasileiro.

Primeira Guerra Mundial

Cansado e com a saúde abalada, Santos Dumont realizou seu último vôo em 18 de setembro de 1909. Depois fechou sua oficina e em 1910 retirou-se do convívio social. Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra e Santos Dumont amargurou-se ao ver sua invenção ser usada com finalidades bélicas.
Passou a se dedicar ao estudo da astronomia, residindo em Trouville, perto do mar. Em 1915, com a piora na sua saúde, decidiu retornar ao Brasil. No mesmo ano, participou do 11º Congresso Científico Panamericano nos Estados Unidos, tratando do tema da utilização do avião como forma de facilitar o relacionamento entre os países.
Já sofrendo com a depressão, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé "A Encantada": uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada onde só se pode pisar primeiro com o pé direito. Permaneceu lá até 1922, quando visitou os amigos na França. Passou a se dividir entre Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.
Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo num avião. Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. No mesmo ano, inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas. Internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.
Em maio de 1927, chegou a ser convidado pelo Aeroclube da França para presidir o banquete em homenagem a Charles Lindberg, pela travessia do Atlântico, mas declinou do convite devido a seu estado de saúde. Passou algum tempo em convalescença em Glion, na Suíça e depois retornou à França.
Em 1928 veio ao Brasil no navio Cap Arcona. A cidade do Rio de Janeiro tinha se preparado para recebê-lo festivamente. Mas o hidroavião que ia fazer a recepção, sobrevoando o navio onde estava, da empresa Condor Syndikat, e que fora batizado com seu nome, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Abatido, Santos Dumont retornou a Paris.
Legião de Honra
Em junho de 1930 foi condecorado com o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. Em 1931, esteve internado em casas de saúde em Biarritz, e em Ortez no sul da França. Antônio Prado Júnior, ex-prefeito do Rio de Janeiro, encontrou Santos Dumont doente na França, o que o levou a entrar em contato com a família e a pedir ao sobrinho Jorge Dumont Villares que fosse buscar o tio.
De volta ao Brasil, passam por Araxá, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente no Guarujá, onde se instalou no Hotel La Plage, em maio de 1932. Antes, em junho de 1931 tinha sido eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
Em 1932, explodiu a Revolução Constitucionalista, quando o Estado de São Paulo se levantou contra o governo de Getúlio Vargas. Isso incomodava a Santos Dumont, que lançou apelos para que não houvesse uma guerra civil. Mas aviões atacaram o campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho. Possivelmente esse fato pode ter piorado a angústia de Santos Dumont, que nesse dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade, sem deixar descendentes.

Novo exame de sangue pode personalizar tratamento de depressão

08/06/2016 05h18 - Atualizado em 08/06/2016 05h18

Novo exame de sangue pode personalizar tratamento de depressão

Como o teste, diagnóstico da doença deverá ser feito mais cedo.
Cientistas criaram forma de prever reação a antidepressivos comuns.

Da Reuters
Venda de remédio antidepressivo aumentou em Rio Preto (Foto: Reprodução / TV Tem)Novo exame irá ajudar a detectar sensibilidade do paciente aos remédios (Foto: Reprodução / TV Tem)

Cientistas desenvolveram um exame de sangue que pode prever se pessoas com depressão irão reagir ou não a antidepressivos comuns, uma descoberta que pode dar início a uma nova era de tratamentos personalizados.
Os pesquisadores disseram que, orientados por este exame, no futuro os médicos deverão ser capazes de encaminhar pacientes depressivos para tratamentos precoces com uso mais adequado de antidepressivos, possivelmente incluindo duas medicações, antes que eles piorem.
"Este estudo nos deixa um passo mais próximos de proporcionar um tratamento de depressão personalizado aos primeiros sinais de depressão", afirmou Annamaria Cattaneo, que liderou o trabalho do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College de Londres (IoPPN, na sigla em inglês).
A depressão é uma das formas mais comuns de doença mental e afeta mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) a listou com a causa principal de invalidez no planeta.
O tratamento normalmente envolve medicação ou alguma forma de psicoterapia, ou ainda uma combinação de ambos. Mas cerca de metade de todas as pessoas tratadas por depressão não melhora com antidepressivos de uso inicial, e aproximadamente um terço dos pacientes tem resistência a todos os medicamentos concebidos para ajudá-los.
Até agora, os médicos não foram capazes de estabelecer se alguém vai reagir bem ou não a um antidepressivo, ou se o paciente pode precisar de um plano de tratamento mais agressivo desde o início.
Como resultado, muitas vezes os pacientes são tratados na base da tentativa e erro, experimentando uma droga após outra durante meses a fio e com frequência sem testemunhar uma melhoria em seus sintomas.
No estudo, divulgado nesta terça-feira (7) na publicação científica "International Journal of Neuropsychopharmacology", a equipe de Cattaneo se concentrou em dois marcadores biológicos que medem a inflamação sanguínea.
Estudos anteriores já haviam ligado níveis altos de inflamação a uma reação ruim a antidepressivos. Os pesquisadores mensuraram os dois marcadores, chamados de Fator de Inibição da Migração de Macrófagos (MIF) e interleucina (IL)-1β, em dois grupos de pacientes depressivos antes ou depois de eles tomarem uma variedade de antidepressivos comuns.

Nível de água do sistema Cantareira sobe pelo sexto dia seguido

G1 - 06/06/2016 09h17 - Atualizado em 06/06/2016 09h17
Nível de água do sistema Cantareira sobe pelo sexto dia seguido
Já choveu 129,8 mm no sistema; média do mês é 58,1 mm.
Todos os outros cinco sistemas que abastecem a Grande SP tiveram alta.
O nível de água do Sistema Cantareira registrou nova alta nesta segunda (6) e opera com 69,9% do total da sua capacidade, de acordo com dados divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Nas últimas 24 horas, choveu na Cantareira 31,2 mm. Em 6 dias de junho, já estão acumulados 129,8 mm, número muito superior à média esperada para o mês, que é de 58,1 mm.
Todos os outros cinco sistemas que abastecem a Grande São Paulo também tiveram alta no armazenamento de água, devido às chuvas. Confira os dados atualizados:
- Cantareira: 69,9% da capacidade
- Alto Tietê: 43,2% da capacidade
- Guarapiranga: 88,9% da capacidade
- Alto Cotia: 103,2% da capacidade
- Rio Grande: 80,2% da capacidade
- Rio Claro: 99,7% da capacidade
Índices
Após uma ação do Ministério Público, aceita pela Justiça, a Sabesp passou a divulgar outros dois índices do Cantareira. O segundo está em 54,1% e considera o volume armazenado na capacidade total, incluída a área do volume morto. O terceiro índice leva em consideração o volume armazenado menos o volume morto na área total dos reservatórios e também se manteve em 40,7% nesta manhã.
O Cantareira chegou a atender 9 milhões de pessoas só na Região Metropolitana de São Paulo, mas atualmente abastece 7,4 milhões após a crise hídrica que atingiu o estado em 2014 e 2015. Os sistemas Guarapiranga e o Alto Tietê absorveram parte dos clientes, para aliviar a sobrecarga do Cantareira durante o período de estiagem.
Volume Morto
A reserva técnica começou a ser bombeada em maio de 2014. Na época, ainda havia água no volume útil. Em julho, porém, o sistema passou a operar somente com o volume morto. Especialistas ouvidos pelo G1, no entanto, alertam que o Cantareira ainda segue em crise porque não se recuperou totalmente. A Sabesp também informou que não descarta voltar a usar a reserva técnica no próximo período seco, com a chegada do inverno. 







O fim da dependência da reserva técnica ocorreu antes do previsto pela Sabesp. A expectativa era de uso até o fim do verão, com probabilidade de 98% de o Cantareira sair do volume morto até abril.
A chuva acima da média nos últimos meses acelerou o processo e as represas acumularam mais água por causa da precipitação intensa e entrada de água no manancial.
 Leia abaixo mais questões sobre o volume morto e a crise hídrica em São Paulo.

O QUE É O VOLUME MORTO
O volume morto é uma reserva com 480 bilhões de litros de água situado abaixo das comportas das represas do Cantareira. Até então, essa água nunca tinha sido usada para atender a população. Em maio de 2014, bombas flutuantes começaram a retirar essa água. A decisão de fazer essa captação foi tomada por causa da crise hídrica que atingiu o estado de São Paulo no ano passado.
O governo do estado tentou fazer desvios para usar a água de outras represas, mas essas manobras não foram suficientes para atender toda a população da Região Metropolitana de São Paulo. Após o nível do sistema atingir um patamar preocupante, a Sabesp começou a fazer obras para conseguir bombear a água do volume morto.

CRONOLOGIA DO VOLUME MORTO
- 15/05/2014: bombas flutuantes para retirada da primeira reserva técnica são inauguradas.
- 16/05/2014: 182,5 bilhões de litros de água são disponibilizados para abastecimento da Grande São Paulo. Mesmo assim, a sequência de quedas no nível das represas continua.
- 11/07/2014: volume útil do Cantareira acaba e o abastecimento de parte da Região Metropolitana de São Paulo atendida pelo Cantareira é feito somente com a primeira cota.
- 24/10/2014: Sabesp consegue autorização para usar uma segunda cota do volume morto, com 105 bilhões de litros.
- 24/02/2015: segunda cota do volume morto é recuperada, mas a Sabesp ainda depende da primeira cota do volume morto para garantir o abastecimento de 5,4 milhões de pessoas atendidos pelo Cantareira na Grande São Paulo.
- 30/12/2015: sistema consegue recuperar as duas cotas do volume morto e volta a operar apenas com o volume útil.


SAÍDA ANTES DO ESPERADO
O término do uso do volume morto ocorreu antes do esperado pela Sabesp. A companhia de abastecimento havia previsto que o sistema operasse com a reserva técnica até o fim do verão, mas a chuva acima da média nos últimos meses acelerou o processo e as represas passaram a acumular mais água por causa da precipitação intensa e afluência dos rios que desaguam no reservatório.
A companhia de abastecimento informou que usa cenários afluência e pluviometria desde 1930 e que em apenas dois deles não seriam registrados índices de chuva para que o manancial deixasse a reserva técnica até abril. Para fevereiro, a probabilidade de saída do volume morto era de 85%, segundo a Sabesp.
Represa do Sistema Cantareira em agosto de 2015 (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)
Represa do Sistema Cantareira em agosto de 2015 (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)
No mês de novembro de 2015, o sistema registrou 197,6 milímetros de chuva, 23,1% acima da média histórica, de 160,4 mm. O volume ficou atrás apenas do verificado em 2009, quando a precipitação total no conjunto de represas, considerando os 30 dias do mês, foi de 237,6 milímetros.
Nesse mesmo período, o El Niño ganhou força e teve impactos no Brasil, como temporais no Sul e seca no Nordeste. Especialistas ouvidos pelo G1, no entanto, divergem sobre a influência do fenômeno climático para ajudar São Paulo a sair da crise hídrica antes do esperado.
Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador geral de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), estatisticamente não há uma relação entre o El Niño com as chuvas no Sudeste.
“Talvez a única relação que temos, nós pesquisadores, é que durante os anos do El Niño as chuvas no Sudeste ficam longe da normalidade", afirmou. O meteorologista explica que São Paulo teve novembro e dezembro mais chuvosos, o que não significa que janeiro e fevereiro seguirão a mesma tendência porque o El Niño pode oscilar entre períodos mais secos e mais chuvosos.
Os efeitos do fenômeno El Niño (Foto: Arte G1)
Já uma pesquisa inédita sobre impacto do El Niño nos índices de chuva, feita pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Inpe e divulgada em novembro, apontou que a ocorrência de tempestades na região Sudeste no verão deve ser 20% maior em relação aos anos anteriores. O auge dos temporais deve ocorrer na primeira quinzena de fevereiro.

"O estudo verificou quando ocorre o evento El Niño muito intenso, os efeitos do aumento das tempestades não ficam restritos à região Sul, e se estende ao Sudeste e ao Mato Grosso do Sul", explicou o coordenador do Elat/Inpe, Osmar Pinto Junior. A causa das tempestades - chuvas de forte intensidade e de curta duração - é uma combinação de temperaturas mais altas, circulação atmosférica que mais sistemas frontais que chegam à Região Sudeste.

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