PREFEITURA DE SP REDUZ INTERNAÇÃO PARA DEPENDENTES QUÍMICOS

21/10/2013 - 03h30 – FOLHA - GIBA BERGAMIN JR. DE SÃO PAULO
Prefeitura de SP reduz vagas para internação de dependentes químicos
A gestão Fernando Haddad (PT) encerrou contratos com três comunidades terapêuticas --clínicas para tratar dependentes químicos--, fechando ao menos cem leitos de internação.
Assinados na administração anterior, de Gilberto Kassab (PSD), os convênios venceram e não foram renovados.]
Com essa medida, a Prefeitura de São Paulo vai priorizar um modelo de atendimento que reduz internações prolongadas e mantém usuários de drogas nas chamadas unidades de acolhimento, onde é permitido que eles passem por tratamento sem ficarem isolados.
As vagas de internação fechadas, diz o município, foram "reabertas" nesses locais.
Em vez de isolamento por um período de três a seis meses, como nas comunidades terapêuticas, os usuários de drogas ficam em casas da prefeitura, com a possibilidade de sair para trabalhar ou estudar e, depois, voltar para dormir.
Apu Gomes/Folhapress
Usuários de drogas em centro terapêutico de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo
Usuários de drogas em centro terapêutico de Itapecerica da Serra, na Grande São PauloO Esta
A administração municipal chama essa política de "redução de danos".
A coordenadora de Saúde Mental da prefeitura, Myres Cavalcanti, afirma que a internação prolongada de dependentes não é ideal.
Ela diz que os leitos fechados já foram repostos em novas casas de acolhimento --seis delas foram abertas neste ano, aumentando o total de unidades para 16.
PROGRAMA ESTADUAL
Mais uma tentativa de reduzir o número de viciados em crack, o novo modelo se confronta com o programa do governo paulista, iniciado em janeiro deste ano, que prevê internação involuntária --contra a vontade do dependente-- em hospitais e clínicas da rede estadual.
Representantes das comunidades dizem que a mudança põe em risco o tratamento iniciado com dependentes químicos graves.
"As famílias estão desesperadas. Tenho experiência em dependência química e não acredito em redução de danos", disse uma funcionária da Comunidade Sagrada Família, em Cotia (Grande São Paulo), que pediu para não ser identificada.
"Nesse método, a pessoa costuma usar [droga] controladamente para tentar chegar ao ponto de abstinência."
A prefeitura nega que permitirá o uso controlado.
Além da Sagrada Família, cujo contrato foi encerrado em 15 de agosto, as comunidades Estância Verão, em Cajamar (Grande São Paulo), e Padre Haroldo, em Campinas (100 km de SP), também não tiveram os acordos renovados.
Os convênios firmados com outras três entidades vencem neste ano. A prefeitura ainda estuda se haverá ou não a renovação.
Gestor de convênios da Estância Verão, o psicólogo Edson Terra Tomazi disse que o município vai precisar ampliar os leitos das unidades de acolhimento.
"Do ponto de vista técnico, não acho que a prefeitura esteja errada. O que não pode é fechar leitos sem abrir outros para dar continuidade. E não é possível dizer que isto esteja acontecendo."
MANTIDO
Usuário de crack desde os 26 anos, A., 49, desempregado, teria o tratamento interrompido numa das clínicas cujo convênio acabou. Ele se recusou a sair e pediu à direção que o mantivesse. Conseguiu.
Morador do Itaim Paulista (zona leste), A. está há cinco meses internado. "O pessoal da prefeitura queria me levar para essa unidade de acolhimento. Eu iria voltar a usar [droga], certamente. Ninguém passa o dia na rua sem usar. A recaída é muito mais fácil."

Isolar dependente químico nem sempre ajuda, diz Prefeitura de SP
O tratamento prolongado em comunidades terapêuticas não é a solução para dependentes químicos, afirma a coordenadora de saúde mental da Prefeitura de São Paulo, Myres Cavalcanti.
Segundo ela, as internações referentes a casos graves continuarão a ocorrer, mas em hospitais gerais.
"Não acreditamos que trancar a pessoa por seis meses seja o que vai deixá-la curada ou abstêmia", afirmou.
Ela diz que as comunidades terapêuticas ficam fora da capital e que esse distanciamento da rede Caps (Centros de Atenção Psicossocial) prejudica o tratamento. Por isso, ela afirma que optou por não renovar os convênios com clínicas e ampliar as unidades de acolhimento (UAs).
De acordo com Myres, não há uso controlado de drogas nessas casas. "É um plano de convivência monitorado por profissionais. As pessoas trabalham, estudam e voltam para a casa, onde são escaladas para serviços, como cozinhar, por exemplo. Todos têm responsabilidades. Ninguém usa droga na casa", disse.
'INSUCESSO'
Myres afirmou que os casos de internação serão encaminhados para os hospitais.
"Se a pessoa quer se tratar, vai para um hospital geral e ficará num leito por até 15 dias. Depois que ela sair, vai para um Caps, com o apoio da família. Se não tiver nessas condições, pode ir para as casas [de acolhimento]."
Segundo ela, o plano inclui suporte às famílias e acompanhamento de psiquiatras e assistentes sociais.
A coordenadora defende que o tratamento que não esteja vinculado à rede Caps "tende ao insucesso".
"As estatísticas mostram que, do total de dependentes, 30% vão ficar sem uso [de droga] para sempre. Os 70% restantes temos que trabalhar para a redução de danos, com esforço para a cura. Esse é o tratamento para dependência."
De acordo com Myres, a internação contra a vontade do dependente só é necessária quando há risco de morte.
VÁRIAS OPÇÕES
Para o psiquiatra Arthur Guerra, professor do Departamento de Psiquiatria da USP, as internações prolongadas devem ocorrer nos casos mais graves.
"Não defendo internação prolongada, mas, em termos de saúde pública, acredito que deve haver diversas opções, seja de período prolongado, curto prazo ou redução de danos. O que não pode é fechar numa opção só, de forma radical", afirmou.
"Para alguns pacientes, a internação prolongada é a única opção. Não adianta eu, por uma questão ideológica, achar que não é ideal e o paciente sentir que é", disse.

Prefeitura de Itatiba abre vagas efetivas para professores

17/10/2013 19h49 - Atualizado em 17/10/2013 20h01 – G1
Prefeitura de Itatiba abre vagas efetivas para professores
Oportunidade também se estende para gestores escolares.
Salários variam de R$ 1.411,98 a R$ 4.032,79.


A Prefeitura de Itatiba (SP) abriu inscrições para o concurso público direcionados aos interessados em ingressar na rede municipal de ensino. A oportunidade é para vagas efetivas, não somente para Professores de Educação Básica  PEB I (1º ao 5º ano e Eja da 1ª a 4ª série) e II (6º ao 9º ano e Eja da 5ª a 8ª série), mas também para psicopedagogos, monitores de informática, inspetores de alunos e diretores de escola.
Os salários variam de acordo com a função, de R$ 1.412,98 (inspetor, com 40 horas semanais), R$ 2.047,57 (PEB I, 30 horas semanais), R$ 2.442,27 (PEB II, 30 horas semanais), R$ 2.760,94 (monitor de informática, 40 horas semanais), R$ 2.780,67 (psicopedagogo, 30 horas semanais) e R$ 4.032,79 (diretor, 40 horas semanais).
As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet até às 22h do próximo dia 8 de novembro e o candidato deve efetuar o pagamento da taxa de R$ 76,90. A impressão do boleto pode ser efetuada após preenchimento da ficha de inscrição e o pagamento realizado exclusivamente via internet banking, agências bancárias ou caixa eletrônico com cartão de débito até a sua data de vencimento.
As provas acontecerão nos dias 7 e 8 de dezembro, de acordo com a vaga pretendida, com questões objetivas de múltipla escolha e de produção textual. Mais informações podem ser obtidas no site de inscrições ou na Imprensa Oficial da Prefeitura de Itatiba.

Modelo de concessão da rodovia dos Tamoios prevê praças de pedágio

Praças de pedágios na Rod. Tamoios – Sempre assim o governo investe nas obras, depois privatiza.


19/10/2013 - 03h30 - JOSÉ ERNESTO CREDENDIO - DE SÃO PAULO
O modelo de concessão da rodovia dos Tamoios, principal ligação ao litoral norte de São Paulo, será divulgado pelo governo do Estado no próximo dia 29 com a previsão de duplicá-la no trecho de serra e instalar pedágio.
O valor da tarifa, porém, deverá ser parcialmente coberto pelo poder público -que vai assumir parte das despesas com as obras e a manutenção da estrada.
A concessionária terá que fazer a duplicação do trecho de serra da Tamoios, uma obra de engenharia de complexidade comparada à da nova Imigrantes, por envolver a descida da Serra do Mar.
No trecho de planalto, a construção já está sendo feita pelo governo estadual, com previsão de término no fim deste ano, antes das férias.
Pelo modelo mais provável, haverá duas praças de pedágio no litoral e outras duas no planalto, nos dois sentidos -com previsão de cobrança também ponto-a-ponto, conforme a distância percorrida pelo motorista.
O valor da tarifa ainda não foi definido, mas, devido ao subsídio estadual, a expectativa é que ela seja relativamente baixa -mais próxima das do segundo lote de concessões (na Carvalho Pinto, por exemplo, é de R$ 2,70).
O governo só deve liberar a cobrança depois de ser concluída a duplicação da serra -do km 60 ao km 82. O custo é estimado em R$ 2 bilhões, com prazo de até 30 meses.
Movimento no km 22 da rodovia dos Tamoios, em São Paulo; modelo de concessão prevê pedágio na estrada

Movimento no km 22 da rodovia dos Tamoios, em São Paulo; modelo de concessão prevê pedágio na estrada
CONCORRÊNCIA
Após a audiência pública de apresentação do projeto da PPP (Parceria Público Privada), no final do mês, interessados poderão dar sugestões. O edital será formatado para que a concorrência seja lançada no início de 2014.
A expectativa do Estado é que a duplicação da serra fique pronta em 2017 -assim como a cobrança de pedágio.
O valor total da PPP atingirá R$ 3 bilhões -porque prevê ainda a manutenção da via por 30 anos. O vencedor será que exigir a menor contrapartida do governo nos gastos.
A concessão vai incluir 78 km da Tamoios e os 32 km dos contornos de Caraguatatuba e de São Sebastião, já contratados pelo Estado.
O projeto é uma das bandeiras do governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas só será concluído pela próxima gestão. A duplicação da Tamoios vem sendo prometida e adiada por administrações tucanas desde os anos 1990.

Alckmin quer que a transposição da serra seja feita por pontes e viadutos, com a justificativa de não comprometer as áreas de mata atlântica e os mananciais. Será construída uma nova pista para a subida e a adaptação do traçado atual para a descida, com velocidade de 80 km/h.

Área tombada pode ser demolida e construir um prédio?

Justiça veta abertura de shopping na Paulista

Liminar exige obras para reduzir impacto da construção na área da antiga mansão Matarazzo; inauguração está prevista para novembro de 2014

26 de setembro de 2013 | 2h 12
Fabio Leite - O Estado de S.Paulo
Uma das áreas que já foi e pretende voltar a ser símbolo de São Paulo, o terreno da antiga mansão Matarazzo, na Avenida Paulista, está envolvido em novo imbróglio. A Promotoria de Habitação e Urbanismo conseguiu na Justiça uma liminar proibindo a abertura do shopping e de uma torre comercial com 21 andares que estão sendo construídos no local pela Cyrela Commercial Properties (CCP).

O juiz Murillo D'Avila Vianna Cotrim, da 5.ª Vara de Fazenda Pública, acolheu parcialmente uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público (MP) e determinou que a Cyrela faça um relatório de impacto de vizinhança e de tráfego, e execute obras para amenizar os efeitos no entorno do empreendimento, previsto para ser inaugurado em novembro de 2014, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

A decisão também proíbe a Prefeitura de São Paulo de emitir a licença de funcionamento ao shopping antes da conclusão das obras mitigadoras. Neste caso, a multa é de R$ 20 mil por dia. Em nota, a Cyrela e a administração municipal afirmaram que o processo do shopping está de acordo com a lei.

Para a Promotoria, contudo, ele foi aprovado com base em dois decretos da década de 1990 que não exigiam estudo de impacto para imóveis inferiores a 60 mil metros quadrados (a obra tem 51,6 mil m²). Mas o Plano Diretor aprovado em 2002, e vigente até hoje, diz o MP, revogou a medida no caso dos grandes geradores de impacto.

Na liminar, o juiz foi taxativo ao dizer que o shopping Cidade São Paulo e a Torre Matarazzo, nomes dos dois projetos, provocam "inequívoco impacto no trânsito e infraestrutura urbana local, enquadrando-se como empreendimento gerador de impacto de vizinhança".

Lançado em agosto e em construção há pouco mais de um ano, o empreendimento terá um shopping com cinco pavimentos para 170 lojas, dois teatros, seis cinemas, 13 andares com 694 escritórios e um estacionamento de sete níveis no subsolo com 1.557 vagas. A campanha publicitária na TV diz que o shopping será o "novo marco" da cidade.

Sem outorga. A ação do MP cobra ainda na Justiça o pagamento de R$ 116,9 milhões de outorga onerosa (contrapartida financeira paga à Prefeitura para construir acima do permitido). Segundo a Promotoria, a Cyrela se valeu de um processo que a família Matarazzo, antiga proprietária do imóvel, havia protocolado na Prefeitura na década de 1990, quando a contrapartida não era exigida, para aprovar um projeto modificado em 2010 sem pagar a outorga

Polícia investiga acusações publicadas na Internet.




14 de Outubro de 2013•18h21 – Terra - Politica
SP: polícia investiga acusações falsas contra filho de Lula
A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito policial para apurar acusações feitas contra Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Os comentários com acusações foram publicados na internet e afirmavam que Fábio seria proprietário de fazendas e aeronaves.
A delegada Victoria Lobo Guimarães, titular do 78º Distrito Policial da Cidade de São Paulo, recebeu pedido de representação dos advogados de Fábio no dia 2 de outubro. A defesa pede a investigação de seis publicações na internet. Os responsáveis pela divulgação do conteúdo já tiveram suas intimações expedidas pela delegacia e deverão ser ouvidos nos próximos dias. 
“Estas publicações absurdas que têm surgido na internet, pretendendo vincular o nome do Fábio à compra de bens de elevado valor, caracterizam conduta criminosa e serão sempre levadas ao conhecimento das autoridades para as providências legais cabíveis”, afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins, um dos representantes de Fábio Lula.


Aumento do IPTU na cidade de São Paulo

07/10/2013 - 03h00 – Colunista – Raquel Rolnik

Reflexões sobre o reajuste do IPTU
Semana passada a Prefeitura de São Paulo enviou à Câmara Municipal a proposta de Orçamento de 2014, incluindo um reajuste no IPTU. Ninguém gosta de ver aumentadas as suas despesas... Era esperado portanto que o anúncio fosse acompanhado de reações negativas.

Sugiro aqui três reflexões sobre a medida.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que o IPTU é um dos impostos mais justos do país, cobrando mais de quem tem mais, ao contrário da maior parte de nossos impostos.
Além disso, o IPTU constituiu uma das poucas fontes de receita própria dos municípios. Se bem cobradas e empregadas, as fontes de receita própria diminuem a dependência municipal da transferência de recursos dos governos estadual e federal, altamente intermediadas "politicamente".
Maior receita própria significa também menor necessidade de contrair dívidas, cujos encargos representam hoje o maior gasto da cidade de São Paulo.
A realidade hoje no Brasil é que poucas prefeituras arrecadam IPTU. Do ponto de vista político, é muito mais interessante para os prefeitos serem "bonzinhos" e não cobrarem o imposto. Depois, sobra para seus eleitores a dívida e o custo das alianças...
Em segundo lugar, vamos refletir sobre a ideia de que não queremos mais impostos porque os serviços públicos não existem ou são de má qualidade.
De fato, estamos insatisfeitos com a qualidade de nossos serviços públicos, mas não é diminuindo os recursos arrecadados que o município vai gastar melhor. Por que não debatemos a proposta de gasto enviada junto com a proposta de aumento de receita? Como e quando vamos avançar no controle social do orçamento público?
Aqui a reação contrária ao IPTU encobre um outro debate, mais obscuro e difícil.
Por fim, a reação anti-IPTU reflete o debate em torno do custo de morar na cidade.
De fato, desde 2009, quando ocorreu o último reajuste, a cidade vive um boom imobiliário sem precedentes, catapultado pelo crescimento econômico, pelo aumento do crédito imobiliário e da participação do mercado paulistano na ciranda financeira local e internacional.
Na cidade submetida unicamente à lógica financeira, bairros inteiros são descaracterizados e é cada vez mais difícil morar em bairros bem localizados. O curioso é que este tema só aparece quando a cidade tenta captar uma parte dos enormes ganhos imobiliários e financeiros que gerou nos últimos anos, reajustando o IPTU.
Uma vez mais aqui o problema não está no IPTU. Do ponto de vista da política urbana, o que estamos fazendo para controlar a bolha imobiliária e impedir a total "financeirização" do mercado imobiliário e a expulsão de moradores de seus bairros?
A discussão fundamental é: quem pode pagar e quanto?
Em São Paulo, por volta de 1 milhão dos 3,5 milhões de domicílios da cidade terão reajustes significativos no IPTU. Quem são estes 30%? Que possíveis situações de vulnerabilidade podem existir entre os moradores destes domicílios?
Me parece que esta é a discussão madura que deve ser feita agora na Câmara Municipal por nossos vereadores.


O que é Dislexia

Entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes e, até, geniais experimentarem dificuldades paralelas em seu caminho diferencial do aprendizado, é desafio que a Ciência vem deslindando paulatinamente, em130 anos de pesquisas. E com o avanço tecnológico de nossos dias, com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas sobre o que é Dislexia.
A complexidade do entendimento do que é Dislexia, está diretamente vinculada ao entendimento do ser humano: de quem somos; do que é Memória e Pensamento- Pensamento e Linguagem; de como aprendemos e do por quê podemos encontrar facilidades até geniais, mescladas de dificuldades até básicas em nosso processo individual de aprendizado. O maior problema para assimilarmos esta realidade está no conceito arcaico de que: "quem é bom, é bom em tudo"; isto é, a pessoa, porque inteligente, tem que saber tudo e ser habilidosa em tudo o que faz. Posição equivocada que Howard Gardner aprofundou com excepcional mestria, em suas pesquisas e estudos registrados, especialmente, em sua obra Inteligências Múltiplas. Insight que ele transformou em pesquisa cientificamente comprovada, que o alçou à posição de um dos maiores educadores de todos os tempos.
A evolução progressiva de entendimento do que é Disléxia, resultante do trabalho cooperativo de mentes brilhantes que têm-se doado em persistentes estudos, tem marcadores claros do progresso que vem sendo conquistado. Durante esse longo período de pesquisas que transcende gerações, o desencontro de opiniões sobre o que é Dislexia redundou em mais de cem nomes para designar essas específicas dificuldades de aprendizado, e em cerca de 40 definições, sem que nenhuma delas tenha sido universalmente aceita. Recentemente, porém, no entrelaçamento de descobertas realizadas por diferentes áreas relacionadas aos campos da Educação e da Saúde, foram surgindo respostas importantes e conclusivas, como:
que Dislexia tem base neurológica, e que existe uma incidência expressiva de fator genético em suas causas, transmitido por um gene de uma pequena ramificação do cromossomo # 6 que, por ser dominante, torna Dislexia altamente hereditária, o que justifica que se repita nas mesmas famílias;
que o disléxico tem mais desenvolvida área específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito do que leitores normais. Condição que, segundo estudiosos, justificaria seus "dons" como expressão significativa desse potencial, que está relacionado à sensibilidade, artes, atletismo, mecânica, visualização em 3 dimenões, criatividade na solução de problemas e habilidades intuitivas;
que, embora existindo disléxicos ganhadores de medalha olímpica em esportes, a maioria deles apresenta imaturidade psicomotora ou conflito em sua dominância e colaboração hemisférica cerebral direita-esquerda. Dentre estes, há um grande exemplo brasileiro que, embora somente com sua autorização pessoal poderíamos declinar o seu nome, ele que é uma de nossas mentes mais brilhantes e criativas no campo da mídia, declarou: "Não sei por que, mas quem me conhece também sabe que não tenho domínio motor que me dê a capacidade de, por exemplo, apertar um simples parafuso";
que, com a conquista científica de uma avaliação mais clara da dinâmica de comando cerebral em Dislexia, pesquisadores da equipe da Dra. Sally Shaywitz, da Yale University, anunciaram, recentemente, uma significativa descoberta neurofisiológica, que justifica ser a falta de consciência fonológica do disléxico, a determinante mais forte da probabilidade de sua falência no aprendizado da leitura;
que o Dr. Breitmeyer descobriu que há dois mecanismos inter-relacionados no ato de ler: o mecanismo de fixação visual e o mecanismo de transição ocular que, mais tarde, foram estudados pelo Dr. William Lovegrove e seus colaboradores, e demonstraram que crianças disléxicas e não-disléxicas não apresentaram diferença na fixação visual ao ler; mas que os disléxicos, porém, encontraram dificuldades significativas em seu mecanismo de transição no correr dos olhos, em seu ato de mudança de foco de uma sílaba à seguinte, fazendo com que a palavra passasse a ser percebida, visualmente, como se estivesse borrada, com traçado carregado e sobreposto. Sensação que dificultava a discriminação visual das letras que formavam a palavra escrita. Como bem figura uma educadora e especialista alemã, "... É como se as palavras dançassem e pulassem diante dos olhos do disléxico".

A dificuldade de conhecimento e de definição do que é Dislexia, faz com que se tenha criado um mundo tão diversificado de informações, que confunde e desinforma. Além do que a mídia, no Brasil, as poucas vezes em que aborda esse grave problema, somente o faz de maneira parcial, quando não de forma inadequada e, mesmo, fora do contexto global das descobertas atuais da Ciência.
Dislexia é causa ainda ignorada de evasão escolar em nosso país, e uma das causas do chamado "analfabetismo funcional" que, por permanecer envolta no desconhecimento, na desinformação ou na informação imprecisa, não é considerada como desencadeante de insucessos no aprendizado.
Hoje, os mais abrangentes e sérios estudos a respeito desse assunto, registram 20% da população americana como disléxica, com a observação adicional: "existem muitos disléxicos não diagnosticados em nosso país". Para sublinhar, de cada 10 alunos em sala de aula, dois são disléxicos, com algum grau significativo de dificuldades. Graus leves, embora importantes, não costumam sequer ser considerados.
Também para realçar a grande importância da posição do disléxico em sala de aula cabe, além de considerar o seríssimo problema da violência infanto-juvenil, citar o lamentável fenômeno do suicídio de crianças que, nos USA, traz o gravíssimo registro de que 40 (quarenta) crianças se suicidam todos os dias, naquele país. E que dificuldades na escola e decepção que eles não gostariam de dar a seus pais estão citadas entre as causas determinantes dessa tragédia.
Ainda é de extrema relevância considerar estudos americanos, que provam ser de 70% a 80% o número de jovens delinqüentes nos USA, que apresentam algum tipo de dificuldades de aprendizado. E que também é comum que crimes violentos sejam praticados por pessoas que têm dificuldades para ler. E quando, na prisão, eles aprendem a ler, seu nível de agressividade diminui consideravelmente.
O Dr. Norman Geschwind, M.D., professor de Neurologia da Harvard Medical School; professor de Psicologia do MIT - Massachussets Institute of Tecnology; diretor da Unidade de Neurologia do Beth Israel Hospital, em Boston, MA, pesquisador lúcido e perseverante que assumiu a direção da pesquisa neurológica em Dislexia, após a morte do pesquisador pioneiro, o Dr. Samuel Orton, afirma que a falta de consenso no entendimento do que é Dislexia, começou a partir da decodificação do termo criado para nomear essas específicas dificuldades de aprendizado; que foi elegido o significado latino dys, como dificuldade; e lexia, como palavra. Mas que é na decodificação do sentido da derivação grega de Dislexia, que está a significação intrínsica do termo: dys, significando imperfeito como disfunção, isto é, uma função anormal ou prejudicada; elexia que, do grego, dá significação mais ampla ao termo palavra, isto é, comoLinguagem em seu sentido abrangente.
Por toda complexidade do que, realmente, é Dislexia; por muita contradição derivada de diferentes focos e ângulos pessoais e profissionais de visão; porque os caminhos de descobertas científicas que trazem respostas sobre essas específicas dificuldades de aprendizado têm sido longos e extremamente laboriosos, necessitando, sempre, de consenso, é imprescindível um olhar humano, lógico e lúcido para o entendimento maior do que é Dislexia.
Dislexia é uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em Leitura, Soletração, Escrita, em Linguagem Expressiva ou Receptiva, em Razão e Cálculo Matemáticos, como na Linguagem Corporal e Social. Não tem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária. Dificuldades no aprendizado da leitura, em diferentes graus, é característica evidenciada em cerca de 80% dos disléxicos. 
Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente...

HOMILIA DOMINICAL 1 DE NOVEMBRO DE 2026 TODOS OS SANTOS, SOLENIDADE, DOMINGO Leitura do Dia Primeira Leitura  Leitura do Livro do Apocalipse...