Venezuela. Covid: 41 padres e 4 bispos mortos no país desde março de 2020

Atualmente, a Igreja na Venezuela tem 2.068 sacerdotes, 345 diáconos permanentes e 60 bispos. "Em meio à crise global diante da pandemia, os sacerdotes não estão isentos dos riscos de contrair a Covid-19 em um momento em que as pessoas buscam o consolo do espírito e a proximidade da fé, para a qual os sacerdotes oferecem seu serviço à Igreja", escreve a Conferência episcopal, lembrando que desde a chegada da Covid-19 ao país, a mesma sempre exortou a população a respeitar as medidas anti-Covid.

24/09/2021Telegrama do Papa pela morte do cardeal venezuelano Urosa Savino


De março de 2020 a 13 de dezembro de 2021, 413 sacerdotes e 26 bispos foram infectados pela Covid-19 na Venezuela, dos quais 41 sacerdotes e 4 bispos morreram. Foi o que anunciou a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), publicando dados estatísticos atualizados até 13 de dezembro de 2021.
Média das vítimas fatais da Covid era de 61 anos de idade
Em 38 das 41 circunscrições eclesiásticas da Venezuela houve membros do clero que contraíram a infecção da Covid-19, porém, somente em 17 dioceses houve mortes por Covid-19 ou causas derivadas. A idade dos falecidos varia de 40 a 90 anos, com uma média de idade de 61 anos. O sacerdote mais jovem que veio a falecer tinha 36 anos de idade.

Dos quatro bispos falecidos, três eram eméritos

Os quatro bispos falecidos (três dos quais eméritos) são: dom Cástor Oswaldo Azuaje, 69 anos, bispo da Diocese de Trujillo, falecido em 8 de janeiro de 2021; dom César Ortega, 82 anos, bispo emérito de Barcelona, falecido em 9 de abril de 2021; dom Tulio Chirivella, 88 anos, arcebispo emérito de Barquisimeto, falecido em 11 de abril de 2021; o cardeal Jorge Urosa Savino, 79 anos, arcebispo emérito de Caracas, falecido em 23 de setembro de 2021.

Bispos sempre exortaram ao respeito às medidas anti-Covid

Atualmente, a Igreja na Venezuela tem 2.068 sacerdotes, 345 diáconos permanentes e 60 bispos (41 ordinários, 3 auxiliares e 16 eméritos). "Em meio à crise global diante da pandemia, os sacerdotes não estão isentos dos riscos de contrair a Covid-19 em um momento em que as pessoas buscam o consolo do espírito e a proximidade da fé, para a qual os sacerdotes oferecem seu serviço à Igreja", escreve a Conferência Episcopal Venezuelana, lembrando que desde a chegada da Covid-19 ao país, a mesma sempre exortou toda a população a respeitar as diretrizes e recomendações em matéria de biossegurança.

Nature lista brasileiro chefe de equipe que descobriu a ômicron entre os 10 cientistas mais influentes de 2021

Seleção tem nomes de pesquisadores de diversas áreas, como Zhang Rongqiao, um engenheiro chinês que liderou a primeira missão bem-sucedida da China à Marte.

Por g1 - 15/12/2021 15h53  Atualizado há uma hora

O pesquisador brasileiro Tulio de Oliveira foi selecionado como um dos 10 cientistas mais influentes de 2021 pela revista científica Nature nesta quarta-feira (15). A seleção, feita anualmente pelos editores da Nature, tem por objetivo destacar os indivíduos que mais contribuíram com a ciência no ano.
Tulio é diretor do Centro para Respostas e Inovação em Epidemias (CERI) na África do Sul, onde vive desde 1997. Ele ganhou destaque ao chefiar uma das equipes envolvidas na descoberta da nova variante do coronavírus no país e por compartilhou os dados com a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 24 de novembro.

Veja abaixo quem são os demais selecionados pela Nature.

Winnie Byanyima

Byanyima nasceu na Uganda e é diretora executiva da UNAIDS e uma subsecretária-geral das Nações Unidas (ONU). Além disso, ela também é cofundadora do grupo de defesa People's Vaccine Alliance, que visa recrutar líderes de governo para argumentar como o acesso e a distribuição igualitária de vacinas pode ajudar a promover seus interesses próprios.
“Os governos não são santos, mas atendem às demandas das pessoas”, disse à Nature.

Friederike Otto

Friederike Elly Luise Otto é uma climatologista alemã e diretora associada do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, em Londres.
Além disso, ela também ajudou a criar o grupo World Weather Attribution (WWA), em 2015, que tem como objetivo investigar o impacto das mudanças climáticas na frequência de eventos extremos de calor, frio, chuvas, seca e incêndios florestais .

Zhang Rongqiao

Zhang Rongqiao é um engenheiro chinês que liderou a primeira missão bem-sucedida da China à Marte.
Nascido em 1966 na cidade de Anling, leste da China, Zhang estudou engenharia na Universidade Xidian em Xi'an e fez mestrado na Academia Chinesa de Tecnologia Espacial em Pequim.
Rongqiao conta que quando o rover pousou no solo do planeta vermelho no dia 15 de março, ele chorou. “Fiquei muito emocionado”, disse o engenheiro.

Timnit Gebru

Timnit Gebru é uma cientista de computação que trabalha com ética aplicada à inteligência artificial, especialmente como o reconhecimento facial pode favorecer ou desfavorecer determinados grupos.
Gebru nasceu na Etiópia, mas precisou fugir para os Estados Unidos quando ainda era adolescente devido à guerra civil que aconteceu em seu país de origem.
Sempre atenta às questões de como o mal uso da inteligência artificial poderia afetar comunidades marginalizadas, ela co-fundou um grupo 'Black in AI' com a cientista da computação Rediet Abebe durante seu PhD na Universidade de Stanford, na Califórnia.
Após ser demitida do Google devido a uma publicação de um artigo onde criticava os impactos que os preconceitos poderiam causar na programação de softwares, ela criou um instituto de pesquisa para estudar IA de forma independente.

John Jumper

Segundo a revista Nature, John Jumper é um pesquisador que, juntamente com sua equipe, utiliza inteligência artificial para transformar a biologia. Atualmente, ele e sua equipe se dedicam ao projeto AlphaFold, que usa inteligência artificial (IA) para prever estruturas de proteínas com precisão impressionante.

Jumper tem PhD em física da matéria condensada pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Contudo, após a conclusão de seus estudos, ele decidiu que queria aplicar seus conhecimentos em outras áreas e foi trabalhar com simulações de proteínas em computador em um grupo de pesquisa privado dirigido por um físico.

Victoria Tauli-Corpuz

Victoria Tauli-Corpuz, nascida nas Filipinas, é consultora de desenvolvimento e ativista internacional pelas causas indígenas.
Em 1985, Tauli-Corpuz recebeu um convite para participar de um painel da ONU em Genebra, Suíça, na defesa das causas indígenas. Este ano, na cúpula da COP26, ela conseguiu com que os direitos indígenas fossem mais uma vez reconhecidos em um acordo que rege as parcerias internacionais e os mercados de carbono.

Guillaume Cabanac

Guillaume Cabanac é um cientista da computação da Universidade de Toulouse, na França, que se especializou em analisar artigos e estudos científicos (literatura acadêmica) para encontrar expressões que não fazem sentido, apenas volume.
Cabanac ajudou a atualizar o programa criado por outro cientista e também criou o Problemmatic Paper Screener, um site para sinalizar e relatar manuscritos questionáveis. Ele espera que seu trabalho ajude a tornar a literatura científica mais clara e livre de estudos falsos.

Meaghan Kall

Meaghan Kall, epidemiologista do governo do Reino Unido, passou a usar o Twitter para explicar dados e estudos relacionados ao coronavírus, tornando assim a informação mais compreensível para aqueles que não fazem parte ou não estão acostumados com a literatura acadêmica.

Janet Woodcock

Janet Woodcock é uma médica americana que, atualmente, é responsável por liderar a agência de regulação dos Estados Unidos, o FDA (Food and Drug Administration), equivalente à Anvisa no Brasil.

Woodcock passou a maior parte de sua carreira de 35 anos no FDA administrando o Centro para Avaliação e Pesquisa de Medicamentos, que é responsável por garantir que os medicamentos sejam seguros e eficazes antes de serem aprovados para o mercado dos Estados Unidos.






 LITURGIA DA PALAVRA
Ano C – nº 5 – 19 de dezembro de 2021
4º DOMINGO DO ADVENTO
Ano da Comunhão

“Eram perseverantes na comunhão fraterna” (At 2,42) 

Com esta liturgia, ingressamos na última semana do tempo litúrgico do Advento. 

Muito em breve celebraremos o Natal do Senhor. Certos da presença do Senhor Ressuscitado em nosso meio, deixemos que a meditação sobre toda a espera vivida pelo mundo, até que se cumprisse as promessas do Senhor, nos sirva de estímulo para viver na esperança a nossa vocação cristã, mesmo em meio às dificuldades do nosso tempo. Felizes seremos se, como a Virgem Maria, guardarmos a Palavra de Deus em nosso coração, porque Ele sempre cumpre as suas promessas.

Primeira Leitura   
Leitura da Profecia de Miquéias:(Mq 5,1-4a)

Assim diz o Senhor: Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de ti há de sair aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. Deus deixará seu povo ao abandono, até ao tempo em que uma mãe der à luz; e o resto de seus irmãos se voltará para os filhos de Israel.

Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até aos confins da terra, e ele mesmo será a Paz.

Segunda Leitura 
Leitura da Carta aos Hebreus:(Hb 10,5-10)

Irmãos: Ao entrar no mundo, Cristo afirma: “Tu não quiseste vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo. Não foram do teu agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado. Por isso eu disse: ‘Eis que venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade’”.

Depois de dizer: “Tu não quiseste nem te agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado” – coisas oferecidas segundo a Lei –, ele acrescenta: “Eu vim para fazer a tua vontade”. Com isso suprime o primeiro sacrifício, para estabelecer o segundo. É graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas.

EVANGELHO DO DIA 
PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas (Lc 1,39-45)

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”.

PALAVRAS DO SANTO PADRE

Devemos rezar a Nossa Senhora, para que, trazendo Jesus, nos dê a graça da alegria, da liberdade da alegria". Que nos dê a graça de louvar, de louvar com uma oração de louvor gratuito, de louvor, porque Ele é sempre digno de louvor. Rezar para Nossa Senhora e dizer-lhe como diz a Igreja: Vinde, Maria, Senhora, a escolhida, tu nos visita, Senhora, tu és tão grandiosa, visita-nos e doa-nos a alegria!

Bom dia, Bom domingo a todos.


 LITURGIA DA PALAVRA

Ano C – nº 4 – 12 de dezembro de 2021
3º DOMINGO DO ADVENTO
Ano da Comunhão
“Eram perseverantes na comunhão fraterna” (At 2,42) 

O tema da alegria é recorrente na celebração litúrgica. Em meio às tribulações de nosso tempo, o Senhor nos convida a alegrar-nos, porque depositamos nossa esperança nele. Neste 3º  domingo do Advento, chamado “domingo da alegria”, renovemos a fonte da alegria cristã, que é a confiança em Deus, que escuta as nossas preces e alimenta nossa esperança ao cumprir sua Palavra em nós, e deixemos que esta alegria seja para nós fonte de conversão e começo de uma vida nova.

Primeira Leitura (Sf 3,14-18a)  
Leitura da Profecia de Sofonias 

Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido por amor; exultará por ti, entre louvores, como nos dias de festa”

Segunda Leitura (Fl 4,4-7)
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses 

Irmãos: Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos. Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens! O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus.

EVANGELHO DO DIA (Lc 3,10-18)

NAQUELE TEMPO, as multidões perguntavam a João: “Que devemos fazer?” João respondia: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” Foram também para o batismo cobradores de impostos, e perguntaram a João: “Mestre, que devemos fazer?” João respondeu: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. Havia também soldados que perguntavam: “E nós, que devemos fazer?” João respondia: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém, nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!” 15O povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”. E ainda de muitos outros modos, João anunciava ao povo a Boa-Nova.

PALAVRAS DO SANTO PADRE

Hoje é o terceiro domingo do Advento, chamado também Gaudete, ou seja, domingo da alegria. Na liturgia ressoa várias vezes o convite a alegrar-se, a rejubilar, porquê? Porque o Senhor está próximo. O Natal está próximo. A mensagem cristã chama-se “evangelho”, isto é, “boa nova”, um anúncio de alegria para todo o povo; a Igreja não é um refúgio para pessoas tristes, a Igreja é a casa da alegria! E quantos estão tristes encontram nela a alegria, a verdadeira alegria!

Bom dia, Bom domingo a todos.


 SÃO NICOLAU DE BARI - PAPAI NOEL 

Uma vida obediente
Nicolau nasceu em Patara, uma cidadezinha marítima da Lícia, na Turquia meridional, no III século d.C., em uma família rica, que o educou ao cristianismo. A sua vida, desde a sua juventude, foi marcada pela obediência. Ao tornar-se órfão, ainda muito jovem, de pai e mãe, Nicolau, recordando a passagem evangélica do “Jovem Rico”, empregou toda a riqueza paterna à assistência dos necessitados, enfermos e pobres.
Foi nomeado Bispo de Mira e, sob o império de Diocleciano, foi exilado e preso. Depois da sua libertação, em 325, participou do Concílio de Niceia e faleceu em Mira em 343.
Foram muitos os episódios transmitidos sobre Nicolau e todos dão testemunho de uma vida ao serviço dos mais fracos, pequeninos e indefesos.

Defensor dos fracos

Uma das histórias mais antigas, transmitidas sobre a vida de São Nicolau, diz respeito a um seu vizinho de casa, que tinha três filhas, já na idade de se casar, mas não tinham dinheiro suficiente para comprar o dote. Para livrá-las da prostituição, certa noite, Nicolau colocou dinheiro em um pano e o jogou pela janela da casa do vizinho e saiu correndo para não ser visto. Graças àquele presente, a primogênita do vizinho conseguiu se casar. O generoso benfeitor repetiu aquele gesto, outras duas vezes, mas, na terceira noite, o pai das moças saiu rápido de casa para saber quem era aquele benfeitor. Mas o Santo lhe pediu para não dizer nada a ninguém.

Outra história diz respeito a três jovens estudantes de teologia a caminho para Atenas. O dono da hospedaria, onde os jovens tinham parado para passar a noite, os roubou e os matou, escondendo os seus corpos em uma pipa. O Bispo Nicolau, que também viajava para Atenas, parou na mesma hospedaria e, enquanto dormia, teve uma visão sobre o crime cometido pelo dono. Então, recolhendo-se em oração, São Nicolau deu novamente a vida aos três estudantes e obteve a conversão do dono malvado.

Este episódio, como o da libertação misteriosa de Basílio, - um rapaz sequestrado por piratas e vendido como doméstico a um emir, o qual, segundo a lenda, reapareceu, misteriosamente, na casa dos seus pais, com cetro de ouro do soberano estrangeiro – contribuíram para difundir a fama de Nicolau como padroeiro das crianças e dos jovens.

Protetor dos navegantes

Durante os anos da sua juventude, Nicolau embarcou para ir em peregrinação à Terra Santa. Passando pelos mesmos caminhos percorridos por Jesus, Nicolau rezou para poder fazer a mesma experiência, mais profunda e solidária, da vida e dos sofrimentos de Jesus. No caminho de retorno, ocorreu uma tremenda tempestade e o navio arriscava naufragar. Nicolau pôs-se, discretamente, em oração e o vento e as ondas, de repente, se acalmaram para o estupor dos marinheiros, que temiam naufragar.

São Nicolau de Bari

Depois da morte de São Nicolau, seu túmulo em Mira tornou logo meta de peregrinação; as suas relíquias foram consideradas milagrosas, por causa de um misterioso líquido, chamado maná de São Nicolau, que saía de dentro. Quando, no século XI, Lícia foi tomada pelos Turcos, os venezianos procuraram apoderar-se, mas foram precedidos pelos habitantes de Bari. Assim, levaram suas relíquias para a Apúlia, em 1087. Dois anos depois, foi concluída a cripta da nova igreja, desejada pelo povo de Bari, no lugar onde surgia o palácio do “catapano” bizantino. O papa Urbano II, escoltado pelos cavaleiros normandos, senhores da Apúlia, colocou as relíquias do Santo sob o altar, onde se encontram ainda hoje.

A translação das relíquias de São Nicolau teve um impacto extraordinário em toda a Europa. Na Idade Média, seu santuário na Apúlia tornou-se uma importante meta de peregrinações, com o consequente resultado da difusão do culto de São Nicolau de Bari e não com o nome de São Nicolau de Mira.

Santa Klaus

Nos Países Baixos, em geral, nos territórios germânicos, a festa invernal de São Nicolau (em holandês “Sint Nikolaas” e depois “Sintklaas”) e, de modo particular, a sua proteção das crianças, deram origem à tradição infantil da espera de presentes: nas vésperas da festa do Santo, as crianças deixam sapatos ou meias sobre uma cadeira ou ao lado da lareira e vão dormir, confiantes de encontra-los no dia seguinte cheios de doces e presentes.




Missa antiga: com as novas normas os fiéis devem ser orientados
Cardeal Blase Cupich, Arcebispo de Chicago 

O cardeal Blase Cupich, arcebispo de Chicago em reflexão resultante de um encontro com sacerdotes, fala sobre o motu proprio do Papa "Traditionis custodes" para destacar sua riqueza e indicar alguns princípios orientadores necessários para a compreensão e a implementação pastoral do texto

Gabriella Ceraso – Vatican News

Uma profunda compreensão da reforma do Concílio Vaticano II e a unidade da Igreja. Estas são as duas pedras angulares do motu proprio Traditionis custodes, sobre o uso da liturgia romana anterior a 1970, que o Papa publicou em julho passado. Para uma apropriada compreensão em nível diocesano é necessário o acompanhamento dos pastores e a oração de todos com as palavras que o próprio Jesus disse: "Que todos sejam um, Pai".

A reflexão é do arcebispo cardeal de Chicago, Dom Blase Cupich, em resposta a uma pergunta feita a ele por um grupo de sacerdotes durante uma reunião. O cardeal recorda o documento papal que estabelece - recordamos - que "Os livros litúrgicos promulgados pelos Santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano e que a responsabilidade de regular a celebração de acordo com o rito pré-conciliar deve ser do bispo, moderador da vida litúrgica diocesana". "É de sua competência exclusiva", estabelece o motu proprio, "autorizar o uso do Missale Romanum de 1962 na diocese, seguindo as orientações da Sé Apostólica".

Não há duas formas do Rito Romano

Trata-se, reflete o cardeal Cupich, "de restabelecer em toda a Igreja de Rito Romano uma única e idêntica oração que exprima sua unidade, de acordo com os livros litúrgicos promulgados pelos Santos Papas" e em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II. Em outras palavras, não existem duas formas do Rito Romano, porque a palavra "reforma" significa deixar "uma forma anterior de celebrar os sacramentos" e adotar uma nova. Foi o que aconteceu, afirmou ainda o cardeal, com outros documentos reformadores como o Código de Direito Canônico de 1917 e o Catecismo da Igreja Católica de 1993, à luz dos quais ‘ninguém’, observa Cupich, "pensaria em afirmar que as formas anteriores ainda possam ser usadas, simplesmente porque a palavra reforma significa algo". Por isso, também em relação à reforma litúrgica deve significar algo".

Unidade, continuidade, papel do bispo

Segundo o Cardeal, a partir deste ponto de partida há três importantes princípios orientadores para receber e aplicar o motu proprio.

A primeiro é a unidade da Igreja. Há algum tempo, lembra o cardeal Cupich, o arcebispo Dom Augustine Di Noia, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, disse em uma entrevista que a esperança de João Paulo e Bento ao ampliar a possibilidade de usar a Missa Pré-Vaticano II era promover a unidade na Igreja e combater os abusos que se haviam espalhado na celebração da Missa Pós-Vaticano II. Uma aspiração que em seu coração era um desejo de curar a divisão com os membros da Sociedade de São Pio X, fundada por Monsenhor Lefebvre. Por outro lado, observa o cardeal Cupich, com o tempo, foi gerado um movimento na Igreja que impede as reformas do Concílio Vaticano II através da rejeição da mais importante, a reforma do Rito Romano.

O segundo princípio orientador que o Papa aborda no motu proprio é precisamente o "sólido e inequívoco reconhecimento" pelos católicos de que o Concílio Vaticano II e suas reformas estão em continuidade com a tradição da Igreja, além de serem uma "autêntica ação do Espírito Santo". Assim, os livros litúrgicos promulgados pelos Papas Santos são "a única expressão da lex orandi do Rito Romano".

Por fim, o papel do bispo, princípio orientador do documento papal, que restitui ao prelado o papel de "moderador, promotor e guardião de toda a vida litúrgica em sua diocese" com a "competência para regulamentar o uso como uma concessão excepcional da antiga liturgia". Aqui também a ênfase do Papa - observa Cupich - vai no sentido de promover uma forma unitária de celebração.

Um acompanhamento direcionado

Ao explicar como implementar pastoralmente os objetivos do motu proprio, o cardeal Cupich se concentra principalmente no acompanhamento por parte dos pastores, com o objetivo de que "compreendam a ligação entre a forma como praticamos o culto e aquilo que acreditamos, tendo em mente o desejo do Papa de que os pastores conduzam os fiéis ao uso exclusivo dos livros litúrgicos reformados". Em seguida explica: "Isso deve também ajudar as pessoas a apreciar o quanto a Missa reformada as leve a um maior uso das Escrituras e das orações da tradição romana, e também pode significar incluir criativamente na Missa reformada pelo Concílio, elementos da forma precedente como por exemplo, gestos, uso do canto gregoriano e períodos de silêncio na liturgia”.

Creio - conclui o cardeal Cupich - que podemos usar esta oportunidade para ajudar todo o nosso povo a compreender melhor o grande dom que o Concílio nos deu ao reformar o nosso modo de adorar. Daí o renovado compromisso pessoal de promover um retorno a uma forma unitária de celebração, de acordo com as diretrizes do motu proprio e o convite coletivo a todos para "rezar, como Jesus fez na noite anterior à sua morte, para que todos sejam um".

 O 'ouro líquido' escondido nas florestas da Espanha

Durante séculos, as pessoas exploraram os pinheiros para extrair resina. Em uma região espanhola, alguns acreditam que essa prática milenar poderia salvar cidades rurais e ao mesmo tempo ajudar o planeta.


Resina de pinho obtida em Tierra de Pinares e da Sierra de Gredos, na Espanha. — Foto: SUSANA GIRÓN

Nas províncias espanholas de Segóvia, Ávila e Valladolid existe um tesouro escondido. Ali, no meio da Tierra de Pinares e da Sierra de Gredos, uma densa floresta de 400 mil hectares de pinheiros se estende em direção às montanhas.

Protegida do forte sol espanhol e repleta de trilhas, essa floresta é um destino popular para moradores e turistas. E quem a visita na hora certa consegue ver operários ao longo dos troncos das árvores, cumprindo a tradição secular de recolher o "ouro líquido" do pinheiro.

Um mercado no auge

A resina de pinho foi usada por diferentes civilizações por milhares de anos. Na Espanha e em grande parte do Mediterrâneo, ela era usada para impermeabilizar navios, tratar queimaduras e acender tochas, entre outras coisas.

Mas, de acordo com Alejandro Chozas, professor do departamento de engenharia florestal da Universidade Politécnica de Madrid, foi somente nos séculos 19 e 20 que a extração de resina de pinheiro se tornou lucrativa naquela região espanhola.

Quando a tecnologia e a industrialização ajudaram a transformar essa seiva espessa em plásticos, vernizes, colas, pneus, borracha e até aditivos alimentares em meados do século 19, os proprietários das densas florestas de pinheiro de Castilla y León enxergaram uma oportunidade.

Trabalhadores começaram a cortar a casca dos pinheiros resinosos em toda a região para coletar a valiosa seiva. E embora este lento processo tenha parado em grande parte do mundo, na última década ele vem tendo um renascimento em Castilla y León, o lugar com mais fabricantes de resinas em toda a Europa e um dos últimos no continente onde esta prática persiste.

Nos séculos 19 e 20 a extração de resina de pinheiro se tornou lucrativa na região de Tierra de Pinares e da Sierra de Gredos — Foto: SUSANA GIRÓN

Da 'morte' à 'vida'

Mariano Gómez nasceu em Ávila e trabalhou durante 32 anos na extração de resina de pinheiro.
"Meu pai era produtor de resina e eu aprendi com ele. No começo ele usava machados de lenhador, mas minhas mãos doíam muito. Hoje as ferramentas são mais bem projetadas para cada tarefa, (mas ainda assim) são manuais", explica.
O processo de extração permaneceu praticamente inalterado desde o início desta atividade, mas os fabricantes de resina de hoje criaram ferramentas mais eficientes e ergonômicas, bem como produtos químicos que estimulam a secreção de resina.

A seiva espessa e leitosa da resina é usada para fazer plásticos, vernizes, colas, pneus, borracha e até mesmo aditivos alimentares — Foto: SUSANA GIRÓN

Como resultado, os rendimentos e a produtividade aumentaram muito. O que também mudou foi que, no passado, a extração da resina era feita até que as árvores morressem, usando métodos muito agressivos.
Mas, há algum tempo houve uma mudança "para a vida", com uma prática em que o número de incisões na casca é minimizado, reduzindo os danos à árvore.

'Sangrando' as árvores

Nos meses mais quentes de março a novembro, os produtores locais extraem cuidadosamente a resina dos pinheiros, removendo primeiro a camada externa da casca da árvore.

Eles pregam um suporte e colocam um recipiente de coleta. Os puxadores então usam seus machados para fazer incisões diagonais na casca, fazendo com que as árvores "sangrem" e fazendo com que sua resina vaze para o balde. Quando estão cheios, despejam a seiva em recipientes de 200 kg.
Trabalhadores pregam um suporte e colocam um recipiente de coleta da resina dos pinhos. — Foto: SUSANA GIRÓN
Os produtores enviam a substância para fábricas de destilação, que extraem a terebintina da resina de aparência viscosa e amarelada que solidifica quando resfriada, virando brilhantes pedras âmbar.

Orgulho local

Durante o boom da extração da resina do pinheiro na Espanha em 1961, quando 55.267 toneladas foram extraídas, mais de 90% vieram das florestas de Castilla y León. A falta de demanda e a queda brusca dos preços levaram a produção a cair e quase desaparecer na década de 1990. Muitos pensaram que esse seria o fim dessa tradição espanhola.

Em Castilla y León, a resina não é apenas um sustento econômico para as comunidades rurais, mas uma atividade que é passada de geração em geração. Muitas famílias têm pelo menos uma pessoa que "sangrou" árvores ou participou de sua destilação.

Grande parte da atividade econômica e social dessas cidades sempre foi marcada pela indústria da resina e as comunidades mantêm esse legado como parte importante de sua cultura.

Uma alternativa ecológica ao petróleo?
De acordo com vários estudos, no ritmo atual de extração, as reservas de petróleo da Terra deverão se esgotar por volta de 2050.

Blanca Rodríguez-Chaves, vice-reitora da Faculdade de Direito da Universidade Autônoma de Madrid e especialista em políticas ambientais, acredita que a resina pode ser uma alternativa. Ela argumenta que a maioria dos produtos derivados do petróleo, como o plástico, por exemplo, que não é biodegradável, também pode serem feitos de resina e se decompor com mais facilidade.

"A resina é o óleo do mundo de hoje e do futuro. A ideia é que todos os usos do óleo sejam substituídos pela resina", disse.
"Já se fabricam plásticos a partir da resina. (Se utiliza) na indústria cosmética e farmacêutica além de suas aplicações na construção ou na fabricação de vernizes e colas. A floresta é a grande fornecedora de recursos renováveis ​​e energia que permite para substituir os derivados de petróleo. A resina tem o papel principal ", garantiu.
Alguns especialistas espanhóis dizem que a resina de pinheiro pode ser uma alternativa viável ao óleo — Foto: SUSANA GIRÓN

Retorno rural

Os defensores da resina de pinheiro também acreditam que ela pode oferecer uma solução para o êxodo rural da Espanha.

De acordo com um relatório do Banco da Espanha, 42% das localidades do país são afetadas pelo êxodo, porque cada vez mais jovens estão deixando o campo em busca de melhores oportunidades de trabalho nas cidades.

Este fenômeno é pior em Castilla y León, onde 80% dos municípios de 14 províncias são consideradas "em perigo de extinção". No entanto, devido ao novo interesse pela resina de pinheiro, alguns jovens começaram a regressar.

Guillermo Arranz é um deles. Ele vive e trabalha em Cuéllar (Segóvia) e faz parte da quarta geração de trabalhadores em resina da família.

"O pinhal é o meu escritório e a possibilidade de continuar a trabalhar no local onde nasci. O que mais gosto no meu trabalho é a liberdade de não ter patrão e, claro, o contato direto com a natureza e com a minha gente, "ele disse.
Vicente Rodríguez trabalha como produtor de resina em sua cidade natal, Casavieja, e é um dos cerca de 30 produtores de resina em Ávila.

"Somos poucos. As pessoas ainda se surpreendem quando nos veem com resina nos pinheiros. Acham que somos coisa do passado. Mas não entendem que o futuro dessas áreas (está ligado) à resina", disse.

Isabel Jiménez é uma das poucas mulheres que extrai resina de pinheiro da região. Dada a dureza do trabalho, tradicionalmente o trabalho das mulheres se limitava a tarefas de apoio.

"Ainda me lembro quando comecei a trabalhar com resina, os homens faziam piadas e apostavam em quantas semanas isso duraria. E aqui estou eu três anos depois. Sou uma mulher fisicamente forte. Além de ser um estilo de vida para mim e uma fonte de renda, este é o meu reino. Meu pequeno pedaço de terra na Terra."
Quando Isabel Jiménez começou a trabalhar com resina há três anos, os homens pensaram que isso duraria apenas algumas semanas — Foto: SUSANA GIRÓN

Autonomia no trabalho e turismo

Aproximadamente 95% da extração de resina de pinheiro na Espanha é realizada em Castilla y León. Arranz e Rodríguez acreditam que a melhor forma de preservar essas florestas antigas é dar maior controle aos próprios extratores.

"O futuro é permitir que os produtores de resina administrem (seu) próprio território. Se o governo nos desse ajuda em troca da limpeza ou monitoramento das montanhas, trabalharíamos o ano todo e haveria muito mais trabalhadores de resina dispostos a trabalhar no montanhas", disse Rodriguez.

Ao atrair mais jovens para morar e trabalhar nessas cidades rurais, Rodríguez acredita que a região poderá ter um aumento do ecoturismo. Para ajudar a tornar isso uma realidade, a área rica em resina do Vale do Tiétar (Ávila) foi recentemente indicada para se tornar uma Reserva da Biosfera protegida pela Unesco.

Existem também vários museus onde os visitantes podem ver as tradicionais cabanas onde dormiam os primeiros trabalhadores e apreciar ferramentas antigas, e várias empresas oferecem visitas guiadas à "Rota da Resina".

Nos fins de semana, essas exuberantes florestas podem ser preenchidas com o som dos passos dos turistas que vêm para fugir da agitação das cidades próximas.

Mas se você prestar atenção, poderá ouvir a gota do "ouro líquido" espanhol caindo nos baldes pendurados nos troncos das árvores.

Fonte: Por BBC - 08/11/2021 12h38  Atualizado há 3 horas






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