HOMILIA DOMINICAL
14 DE SETEMBRO DE 2025
24º DOMINGO DO TEMPO COMUM
FESTA DE EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Livro dos Números - 21,4b-9

Naqueles dias, os filhos de Israel partiram do monte Hor, Pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom.
Durante a viagem o povo começou a impacientar-se, e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo:
"Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto?
Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável".
Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel.
O povo foi ter com Moisés e disse:
"Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti.
Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes".
Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor respondeu:
"Faze uma serpente de bronze e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá". 
Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste.
Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado.

Segunda Leitura 
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses - 2,6-11

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens.
Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.
Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor"
- para a glória de Deus Pai.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João - 3,13-17

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:
"Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem.
Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.
Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.
De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele".

As palavras dos Papas

«Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto, a fim de que todo o que n’Ele crê tenha a vida eterna» (Jo 3, 14-15). Eis aqui a viragem! Chegou entre nós a serpente que salva: Jesus, elevado no poste da cruz, não permite às serpentes venenosas, que nos assaltam, não lhes permite levar-nos à morte. Perante as nossas baixezas, Deus aponta- nos uma nova altura: se mantivermos o olhar voltado para Jesus, as mordeduras do mal já não nos podem dominar, porque Ele, na cruz, tomou sobre Si o veneno do pecado e da morte, e aniquilou a sua força destruidora. Aqui temos o que fez o Pai perante a propagação do mal no mundo; deu-nos Jesus, que Se aproximou de nós como nunca poderíamos ter imaginado: «Aquele que não havia conhecido o pecado, Deus O fez pecado por nós» (2 Cor 5, 21). Tal é a grandeza infinita da misericórdia divina: Jesus que Se «fez pecado» em nosso favor, Jesus que na cruz – poderíamos dizer – «Se fez serpente» a fim de que, olhando para Ele, possamos resistir às mordeduras venenosas das serpentes malignas que nos assaltam.

Irmãos e irmãs, esta é a estrada, a estrada da nossa salvação, do nosso renascimento e ressurreição: olhar para Jesus crucificado. Daquela altura, podemos ver de maneira nova a nossa vida e a história dos nossos povos. Porque, a partir da Cruz de Cristo, aprendemos o amor, não o ódio; aprendemos a compaixão, não a indiferença; aprendemos o perdão, não a vingança. Os braços abertos de Jesus são o abraço de ternura com que Deus nos quer acolher. E mostram-nos a fraternidade que somos chamados a viver entre nós e com todos. Indicam-nos o caminho, o caminho cristão: não o da imposição e constrição, da força e da exuberância; nunca o que levanta a cruz de Cristo contra outros irmãos e irmãs por quem Ele deu a vida! É outro o caminho de Jesus, o caminho da salvação: é o caminho do amor humilde, gratuito e universal, sem «se» nem «mas».

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
31 DE AGOSTO DE 2025
22º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Eclesiástico - 3,19-21.30-31 (gr. 17-18.20.28-29)

Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso.
Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade, e assim encontrarás graça diante do Senhor.
Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios.
Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes.
Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende.
O homem inteligente reflete sobre as palavras dos sábios, e com ouvido atento deseja a sabedoria.

Segunda Leitura
Leitura da Carta aos Hebreus - 12,18-19.22-24a

Irmãos:
Vós não vos aproximastes de uma realidade palpável: "fogo ardente e escuridão, trevas e tempestade, 
som da trombeta e voz poderosa", que os ouvintes suplicaram não continuasse. 
Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste; da reunião festiva de milhões de anjos; da assembleia dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus; de Deus, o Juiz de todos; dos espíritos dos justos, que chegaram à perfeição; de Jesus, mediador da nova aliança.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas - 14,1.7-14

Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus.
E eles o observavam.
Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares.
Então contou-lhes uma parábola:
"Quando tu fores convidado para uma festa de casamento, não ocupes o primeiro lugar.
Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu, e o dono da casa, que convidou os dois, venha te dizer: 'Dá o lugar a ele'.
Então tu ficarás envergonhado e irás ocupar o último lugar.
Mas, quando tu fores convidado, vai sentar-te no último lugar.
Assim, quando chegar quem te convidou, te dirá: 'Amigo, vem mais para cima'.
E isto vai ser uma honra para ti diante de todos os convidados.
Porque quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado".
E disse também a quem o tinha convidado:
"Quando tu deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos.
Pois estes poderiam também convidar-te e isto já seria a tua recompensa.
Pelo contrário, quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos.
Então tu serás feliz!
Porque eles não te podem retribuir.
Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos".

As palavras dos Papas

Jesus, (...) ao participar de um almoço na casa de um dos chefes dos fariseus, aproveita a ocasião para ensinar a ser humilde. Ele nos diz para escolher o último lugar, para nos contentarmos com o pouco, para não buscar a ostentação do parecer, mas a realidade do ser. Diante de Deus, somos nada; e também diante dos homens somos muito pouco, ou melhor, nos tornamos ridículos, até miseráveis, se adotamos poses e atitudes de autossuficiência, de vanglória. Porém, Jesus não quer apenas sugerir indicações de boa educação e de comportamento prudente; ele quer sobretudo enquadrar a mente e dar ideias grandes e luminosas para a nossa vida. Ele, de fato, acrescenta: "Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado" (Lc 14, 11). Isso às vezes já pode acontecer aqui na terra, nesta nossa vida, mas isso é secundário. O essencial é que o humilde será exaltado no céu pelo próprio Deus. "Queres ser grande?", perguntava Santo Agostinho; e respondia: "Começa pelas coisas mais pequenas. Queres erguer uma construção de grande altura? Primeiro pensa no fundamento da pequenez" (S. Augustini Sermo 69, 1,2). Se queremos realmente construir o edifício da nossa santificação, é preciso fundá-lo na humildade.

HOMILIA DOMINICAL 
24 DE AGOSTO DE 2025
21º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Primeira Leitura

Leitura do Livro do Profeta Isaías - 66,18-21

Assim diz o Senhor:
Eu que conheço suas obras e seus pensamentos, virei para reunir todos os povos e línguas; eles virão e verão minha glória.
Porei no meio deles um sinal, e enviarei, dentre os que foram salvos, mensageiros para os povos de Társis, Fut, Lud, Mosoc, Ros, Tubal e Javã, para as terras distantes, e, para aquelas que ainda não ouviram falar em mim e não viram minha glória.
Esses enviados anunciarão às nações minha glória, e reconduzirão, de toda parte, até meu santo monte em Jerusalém, como oferenda ao Senhor, irmãos vossos, a cavalo, em carros e liteiras, montados em mulas e dromedários, - diz o Senhor - e como os filhos de Israel, levarão sua oferenda em vasos purificados para a casa do Senhor.
Escolherei dentre eles alguns para serem sacerdotes e levitas, diz o Senhor.

Segunda Leitura 

Leitura da Carta aos Hebreus - 12,5-7.11-13

Irmãos:
Já esquecestes as palavras de encorajamento que vos foram dirigidas como a filhos: "Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não te desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho".
É para a vossa educação que sofreis, e é como filhos que Deus vos trata.
Pois qual é o filho a quem o pai não corrige?
No momento mesmo, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor.
Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados.
Portanto, "firmai as mãos cansadas e os joelhos enfraquecidos; acertai os passos dos vossos pés", para que não se extravie o que é manco, mas antes seja curado.

Evangelho do Dia

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas - 13,22-30

Naquele tempo, Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém.
Alguém lhe perguntou: "Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?"
Jesus respondeu: "Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita.
Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão.
Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: 'Senhor, abre-nos a porta!'
Ele responderá: 'Não sei de onde sois.'
Então começareis a dizer: 'Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!'
Ele, porém, responderá: 'Não sei de onde sois. 
Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!' 
Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora.
Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus.
E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos".

As palavras dos Papas

Jesus não nos quer iludir, dizendo: «Sim, ficai tranquilos, é fácil, há uma bonita autoestrada e no fundo uma grande porta...». Ele não nos diz isto: fala-nos da porta estreita. Diz as coisas como estão: a porta é estreita. Em que sentido? No sentido que para se salvar é preciso amar a Deus e ao próximo, e isso não é fácil! É uma «porta estreita», porque é exigente, o amor é sempre exigente, requer compromisso, ou melhor, «esforço», isto é, a vontade firme e perseverante de viver segundo o Evangelho. São Paulo chama-lhe «o bom combate da fé» (1 Tm 6, 12). É necessário o esforço de todos os dias, do dia inteiro, para amar a Deus e ao próximo. (...) Que nos ajude nisto a Virgem Maria. Ela passou pela porta estreita, que é Jesus! Acolheu-o de todo o coração e seguiu-o todos os dias da sua vida, até quando não o compreendia, até quando uma espada trespassou a sua alma. É por isso que a invocamos como «Porta do Céu»: Maria, Porta do Céu, uma porta que reproduz exatamente a forma de Jesus: a porta do coração de Deus, um coração exigente, mas aberto a todos nós.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
16 DE AGOSTO DE 2025
ASSUNÇÃO DA BEM AVENTURADA VIRGEM MARIA
20ª SEMANA DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Apocalipse de São João 

Abriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a arca da Aliança.
Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
Então apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo.
Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas.
Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. 
O Dragão parou diante da Mulher que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse.
E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro.
Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono.
A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar.
Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: "Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo".

Segunda Leitura
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios - 15,20-27a

Irmãos:

Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.
Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos.
Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão.
Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.
A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força.
Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés.
O último inimigo a ser destruído é a morte.
Com efeito, "Deus pôs tudo debaixo de seus pés".

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas - 1,39-56

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia.
Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
Com um grande grito, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!"
Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre.
Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu".
Então Maria disse: "A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva.
Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.
O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam.
Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração.
Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias.
Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre".
Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

As palavras dos Papas

"Vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já tivesse sido ateado!" (Lc 12, 49). Juntamente com os fiéis das diversas comunidades, os Apóstolos levaram esta chama divina até aos extremos confins da Terra; abriram assim um caminho para a humanidade, uma senda luminosa, e colaboraram com Deus que com o seu fogo quer renovar a face da terra. Como é diferente este fogo, daquele das guerras e das bombas! Como é diverso o incêndio de Cristo, propagado pela Igreja, em relação aos que são acendidos pelos ditadores de todas as épocas, também do século passado, que atrás de si deixam terra queimada. O fogo de Deus, o fogo do Espírito Santo, é aquele da sarça que ardia sem se consumir (cf. Êx 3, 2). É uma chama que arde, mas não destrói; aliás, ardendo faz emergir a parte melhor e mais verdadeira do homem, como numa fusão faz sobressair a sua forma interior, a sua vocação à verdade e ao amor. Um Padre da Igreja, Orígenes, numa das suas Homilias sobre Jeremias, cita um dito atribuído a Jesus, não contido nas Sagradas Escrituras mas talvez autêntico, que reza assim:  "Quem está comigo está junto do fogo" (Homilia sobre Jeremias l. I [III]). Com efeito, em Cristo habita a plenitude de Deus, que na Bíblia é comparado com o fogo. Há pouco pudemos observar que a chama do Espírito Santo arde mas não queima. E todavia, ela realiza uma transformação, e por isso deve consumir algo no homem, as escórias que o corrompem e o impedem nas suas relações com Deus e com o próximo.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 HOMILIA DOMINICAL
3 DEAGOSTO DE 2025
18º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

Primeira Leitura
Leitura do Livro do Eclesiastes  - 1,2; 2,21-23

"Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade".
Por exemplo: um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou.
Também isso é vaidade e grande desgraça.
De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que o desgastam debaixo do sol?
Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento.
Nem mesmo de noite repousa o seu coração.
Também isso é vaidade.

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses - 3,1-5.9-11

Irmãos:
Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.
Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.
Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria.
Não mintais uns aos outros.
Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu Criador, em ordem ao conhecimento.
Aí não se faz distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre,
mas Cristo é tudo em todos.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas - 12,13-21

Naquele tempo, Alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: 
"Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo".
Jesus respondeu:
"Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?"
E disse-lhes:
"Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas,
a vida de um homem não consiste na abundância de bens".
E contou-lhes uma parábola:
"A terra de um homem rico deu uma grande colheita.
Ele pensava consigo mesmo:
'O que vou fazer?
Não tenho onde guardar minha colheita'.
Então resolveu: 'Já sei o que fazer!
Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens.
Então poderei dizer a mim mesmo: 
Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos.
Descansa, come, bebe, aproveita!'
Mas Deus lhe disse: 'Louco!
Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida.
E para quem ficará o que tu acumulaste?'
Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus".

As palavras dos Papas

No Evangelho de hoje, o ensinamento de Jesus diz respeito precisamente à verdadeira sabedoria e é introduzido pelo pedido de uma pessoa do meio da multidão: "Mestre, diz a meu irmão que reparta comigo a herança" (Lc 12, 13). Respondendo, Jesus chama a atenção dos ouvintes para o desejo dos bens terrenos com a parábola do rico insensato que, tendo acumulado para si uma colheita abundante, pára de trabalhar, dissipa os seus bens divertindo-se e chega a iludir-se que pode afastar a própria morte. "Deus, porém, disse-lhe: "Insensato! Nesta mesma noite pedir-te-ão a tua alma, e o que acumulaste, para quem será?"" (Lc 12, 20). Na Bíblia, o homem insensato é aquele que não quer compreender, da experiência das coisas visíveis, que nada dura para sempre, mas tudo passa: tanto a juventude, como a força física, quer as comodidades, quer as funções de poder. Por conseguinte, fazer depender a própria vida de realidades tão passageiras é insensatez. Por sua vez, o homem que confia no Senhor não tem medo das adversidades da vida, nem sequer da realidade iniludível da morte: é o homem que adquiriu "um coração sábio", como os Santos. 

 NOTÍCIAS EM DESTAQUE - MUNDO -
O ESTADO DA PALESTINA E A RESPONSABILIDADE DA COMUNIDADE INTERNACIONAL.

Há 25 anos, a Santa Sé assinou um primeiro acordo básico com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Dez anos depois, assinou um Acordo Global com o Estado da Palestina, que entrou em vigor em janeiro de 2016.

O presidente Emmanuel Macron anunciou que a França reconhecerá o Estado da Palestina e que o anúncio solene será feito durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro próximo. Enquanto isso, trabalha-se na organização da “Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados”, que deveria ter sido realizada na sede da ONU em Nova York em junho passado, sob a direção dos governos da França e da Arábia Saudita, mas foi adiada devido ao ataque israelense ao Irã.

O drama que se vive em Gaza, os repetidos massacres de dezenas de milhares de civis inocentes que perderam a vida sob as bombas e que agora morrem de fome e de privações, ou são atingidos enquanto tentam obter um pouco de comida, deveria tornar evidente aos olhos de todos como é urgente parar os ataques militares que provocam uma carnificina e, ao mesmo tempo, como se tornou imprescindível uma solução para a questão palestina. Solução que a Santa Sé invoca constantemente há décadas e que nunca poderá acontecer sem a contribuição efetiva da comunidade internacional, além dos países diretamente envolvidos.

É útil recordar, a este respeito, que a Santa Sé já havia assinado, há 25 anos, um primeiro acordo básico com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Dez anos depois, assinou um Acordo Global com o Estado da Palestina, que entrou em vigor em janeiro de 2016. Uma decisão e um reconhecimento em linha com a preocupação expressa pelos Pontífices desde 1948 pela situação dos Lugares Santos e pelo destino dos palestinos. Paulo VI foi o primeiro Papa a afirmar explicitamente que eles eram e são um povo, e não apenas um grupo de refugiados de guerra. Na mensagem de Natal de 1975, o Papa Montini pedia aos filhos do povo judeu, que viam agora consolidado o seu Estado soberano de Israel, que “reconhecessem os direitos e as legítimas aspirações de outro povo que também sofreu durante muito tempo, o povo palestino”.

No início dos anos 90, João Paulo II estabeleceu relações tanto com o Estado de Israel (1993) quanto com a OLP (1994), num momento em que parecia que as partes estavam próximas de um acordo e do reconhecimento dos dois Estados. Em fevereiro de 2000, alguns meses antes da entrada do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon na Esplanada das Mesquitas, que deu início à segunda Intifada, a Santa Sé assinou o já mencionado acordo básico com a OLP. Ao chegar a Belém, em março de 2000, João Paulo II disse: “a Santa Sé sempre reconheceu que o povo palestino tem o direito natural de ter uma pátria e o direito de viver em paz e tranquilidade com os outros povos desta região. Em nível internacional, os meus predecessores e eu proclamámos repetidamente que não seria possível pôr fim ao triste conflito na Terra Santa sem garantias sólidas dos direitos de todos os povos envolvidos, com base no direito internacional e nas importantes resoluções e declarações das Nações Unidas”.

Nove anos depois, Bento XVI, durante sua visita à Terra Santa, reiterou: “que seja universalmente reconhecido que o Estado de Israel tem o direito de existir e de gozar de paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas. Que seja igualmente reconhecido que o povo palestino tem direito a uma pátria independente e soberana, a viver com dignidade e a viajar livremente. Que a “solução de dois Estados” se torne realidade e não permaneça um sonho”. Em 2012, a Santa Sé deu seu apoio à admissão do “Estado da Palestina” como membro observador nas Nações Unidas.

O Papa Francisco, durante a viagem à Terra Santa em maio de 2014, repetiu diante do presidente palestino Mahmoud Abbas: “chegou o momento de todos terem a coragem da generosidade e da criatividade a serviço do bem, a coragem da paz, que se baseia no reconhecimento por parte de todos do direito de dois Estados a existirem e a gozarem de paz e segurança dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas”. E, pela primeira vez, referiu-se ao país que o acolhia como “Estado da Palestina”.

Assim se chegou ao Acordo Global entre a Santa Sé e o Estado da Palestina, de junho de 2015, que insiste na solução de dois Estados já contemplada na resolução 181 da ONU de novembro de 1947. O preâmbulo do Acordo, através de uma referência ao direito internacional, enquadra alguns pontos-chave, entre os quais: a autodeterminação do povo palestino, o objetivo da solução de dois Estados, o significado não apenas simbólico de Jerusalém e seu caráter sagrado para judeus, cristãos e muçulmanos, seu valor religioso e cultural universal como tesouro para toda a humanidade. No preâmbulo, é reafirmado o direito do povo palestino “à liberdade, à segurança e à dignidade num Estado independente próprio”, um “Estado da Palestina independente, soberano, democrático e viável, com base nas fronteiras anteriores a 1967, na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e na Faixa de Gaza, que viva lado a lado em paz e segurança com todos os seus vizinhos”.

Recordando o Acordo Básico com a OLP de 2000, o Acordo Global renovava o pedido de uma “solução justa para a questão de Jerusalém, baseada nas resoluções internacionais”, afirmando que “decisões e ações unilaterais que alteram o caráter e o status específicos de Jerusalém são moral e legalmente inaceitáveis” e que “qualquer medida unilateral ilegal, de qualquer tipo, é nula e sem efeito” e “constitui um obstáculo à busca da paz”.

Este breve "excursus" atesta a linearidade e o realismo da posição contida nos apelos dos últimos Pontífices, nas declarações da Santa Sé às Nações Unidas e nos acordos assinados até hoje. Imediatamente após o ataque terrorista desumano perpetrado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, o Papa Francisco condenou o massacre e pediu publicamente, por várias vezes, a libertação de todos os reféns. Ao mesmo tempo, reconhecendo o direito de Israel de se defender, a Santa Sé pediu repetidamente – em vão –, que não fosse atingido indiscriminadamente todo o povo palestino presente na Faixa, assim como pediu que fossem interrompidos os ataques dos colonos contra a população palestina que vive nos territórios do Estado da Palestina, comumente indicados como Cisjordânia. Infelizmente, isso não aconteceu: em Gaza, e não apenas em Gaza, assistimos a ataques que não podem ter qualquer justificação e representam um massacre que pesa na consciência de todos.

Como disse de forma clara e inequívoca Leão XIV no Angelus de domingo, 20 de julho, é urgente e necessário “observar o direito humanitário” e “respeitar a obrigação de proteger os civis, bem como a proibição da punição coletiva, do uso indiscriminado da força e do deslocamento forçado da população”. A comunidade internacional não pode continuar assistindo passivamente ao massacre em curso. Esperamos que a Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, compreendendo a urgência de uma resposta comum ao drama dos palestinos, prossiga com determinação em busca de uma solução que garanta finalmente a esse povo um Estado com fronteiras seguras, respeitadas e reconhecidas.

HOMILIA DOMINICAL
27 DE JULHO DE 2025
17º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Leitura do Dia

Primeira Leitura 
Leitura do Livro do Gênesis - 18,20-32

Naqueles dias, O Senhor disse a Abraão:
"O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu, e agravou-se muito o seu pecado.
Vou descer para verificar se as suas obras correspondem ou não ao clamor que chegou até mim".
Partindo dali, os homens dirigiram-se a Sodoma, enquanto Abraão ficou na presença do Senhor.
Então, aproximando-se, disse Abraão:
"Vais realmente exterminar o justo com o ímpio?
Se houvesse cinquenta justos na cidade, acaso iríeis exterminá-los?
Não pouparias o lugar por causa dos cinquenta justos que ali vivem?
Longe de ti agir assim, fazendo morrer o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio.
Longe de ti!
O juiz de toda a terra não faria justiça?"
O Senhor respondeu: 
"Se eu encontrasse em Sodoma cinquenta justos, pouparia por causa deles a cidade inteira".
Abraão prosseguiu dizendo:
"Estou sendo atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza.
Se dos cinquenta justos faltassem cinco, destruirias por causa dos cinco a cidade inteira?"
O Senhor respondeu:
"Não destruiria, se achasse ali quarenta e cinco justos".
Insistiu ainda Abraão e disse:
"E se houvesse quarenta?"
Ele respondeu:
"Por causa dos quarenta, não o faria".
Abraão tornou a insistir:
"Não se irrite o meu Senhor, se ainda falo.
E se houvesse apenas trinta justos?".
Ele respondeu:
"Também não o faria, se encontrasse trinta"
Tornou Abraão a insistir:
"Já que me atrevi a falar a meu Senhor, e se houver vinte justos?"
Ele respondeu:
"Não a iria destruir por causa dos vinte". 
Abraão disse:
"Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar só mais uma vez: e se houvesse apenas dez?"
Ele respondeu:
"Por causa dos dez, não a destruiria".

Segunda Leitura
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses - 2,12-14

Irmãos:
Com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.
Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados.
Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz.

Evangelho do Dia
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas - 11,1-13

Jesus estava rezando num certo lugar.
Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe:
"Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos".
Jesus respondeu: 
"Quando rezardes, dizei: 'Pai, santificado seja o teu nome.
Venha o teu Reino.
Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação'".
E Jesus acrescentou: "Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser:
'Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer', e se o outro responder lá de dentro:
'Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães'; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário.
Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto.
Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá.
Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra?
Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!"

As palavras dos Papas

Reza-se com coragem, porque quando rezamos temos uma necessidade, normalmente. Deus é um amigo, um amigo rico, que tem pão, que tem aquilo de que nós precisamos. É como se Jesus dissesse: “Na oração, sejam insistentes, não se cansem”. Não se cansar de quê? De pedir. Peçam e lhes será dado. Porque é um trabalho, um trabalho que nos pede vontade, nos pede constância, nos pede para sermos determinados, sem vergonha. Por quê? Porque estou batendo à porta do meu amigo. Deus é um amigo, e com um amigo eu posso fazer isso. Uma oração constante, insistente. Pensemos em Santa Mônica, por exemplo. Quantos anos ela rezou, até com lágrimas, pela conversão de seu filho. O Senhor, no final, abriu a porta.

DESEJO UM SANTO DOMINGO A TODOS.

HOMILIA DOMINICAL 30 DE AGOSTO DE 2026 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM Leitura do Dia Primeira Leitura Leitura do Livro do Profeta Jeremias - 20,...