NOTÍCIAS EM DESTAQUE - HOMILIA DOMINICAL - 16 DE JULHO DE 2023.
15º Domingo do Tempo Comum, Ano A 
Hoje, omite-se a Festa de Nossa Senhora do Carmo



LEITURA DO DIA

Primeira Leitura

Leitura do Livro do Profeta Isaías - 55,10-11

Isto diz o Senhor:
"Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la".

Segunda Leitura

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 8,18-23

Irmãos: 
Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós.
De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus.
Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.
Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto.
E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

EVANGELHO DO DIA

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 13,1-23

Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia.
Uma grande multidão reuniu-se em volta dele.
Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia.
E disse-lhes muitas coisas em parábolas: "O semeador saiu para semear.
Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.
Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra.
As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda.
Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
Outras sementes caíram no meio dos espinhos.
Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.
Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente.
Quem tem ouvidos, ouça!
"Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: "Por que tu falas ao povo em parábolas?"
Jesus respondeu:
"Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado.
Pois à pessoa que tem, será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem, será tirado até o pouco que tem.
É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem.
Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: 'Havereis de ouvir, sem nada entender.
Havereis de olhar, sem nada ver.
Porque o coração deste povo se tornou insensível.
Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure'.
Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem.
Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.
Ouvi, portanto, a parábola do semeador:
Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração.
Este é o que foi semeado à beira do caminho.
A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo.
A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. 
A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende.
Esse produz fruto.
Um dá cem, outro sessenta e outro trinta".

PALAVRAS DO SANTO PADRE

A do semeador é um pouco a “mãe” de todas as parábolas, porque fala da escuta da Palavra. Lembra-nos que ela é uma semente fecunda e eficaz; e Deus espalha-a por toda a parte com generosidade, sem se preocupar com o desperdício. Assim é o coração de Deus! Cada um de nós é um solo onde cai a semente da Palavra, sem excluir ninguém! A Palavra é dada a cada um de nós. Podemos perguntar-nos: que tipo de terreno sou eu? Pareço-me com o caminho, com o solo pedregoso, com os arbustos? Mas, se quisermos, com a graça de Deus, podemos tornar-nos terreno fértil, lavrado e cultivado com cuidado, para que a semente da Palavra amadureça. Já está presente nos nosso coração, mas fazê-la frutificar depende de nós, depende do acolhimento que reservarmos a esta semente. Muitas vezes somos distraídos por demasiados interesses, por inúmeras solicitações, e é difícil distinguir entre tantas vozes e tantas palavras, a do Senhor, a única que nos torna livres.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

NOTÍCIAS EM DESTAQUE - HOMILIA DOMINICAL - 9 DE JULHO DE 2023.
14º Domingo do Tempo Comum, Ano A

LEITURA DO DIA

Primeira Leitura

Leitura da Profecia de Zacarias - 9,9-10

Assim diz o Senhor:

"Exulta, cidade de Sião!

Rejubila, cidade de Jerusalém.

Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, 

um potro, cria de jumenta.

Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações.

Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar, e desde o rio até aos confins da terra".

Segunda Leitura

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - 8,9.11-13

Irmãos:

Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós.

Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.

E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós. 

Portanto, irmãos, temos uma dívida, mas não para com a carne, para vivermos segundo a carne.

Pois, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal,

então vivereis.

EVANGELHO DO DIA

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus - 11,25-30

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer:

"Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos 

e as revelaste aos pequeninos.

Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.

Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso.

Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve".

PALAVRAS DO SANTO PADRE

O Senhor não reserva esta frase a alguns dos seus amigos, não, dirige-a a “todos” aqueles que estão cansados e oprimidos pela vida. E então quem pode sentir-se excluído deste convite? O Senhor sabe quanto a vida pode ser difícil. Sabe que muitas coisas cansam o coração: desilusões e feridas do passado, pesos a serem carregados e injustiças a suportar no presente, incertezas e preocupações para com o futuro. Perante tudo isto, a primeira palavra de Jesus é um convite, um convite a mover-se e a reagir: «Vinde». O erro que cometemos, quando as coisas não correm bem, é permanecer ali onde estamos, deitados ali. Parece evidente, mas quanto é difícil reagir e abrir-se! Não é fácil. Nos momentos obscuros é natural querer estar sozinho consigo mesmo, remoer sobre quanto é injusta a vida, sobre quão ingratos são os outros e como é maldoso o mundo, e assim por diante. Todos sabemos isto. Por vezes, sofremos esta experiência negativa. Mas assim, fechados dentro de nós mesmos, vemos tudo escuro. Então chegamos até a familiarizar-nos com a tristeza, que encontra demora em nós: aquela tristeza desmoraliza-nos, esta tristeza é algo ruim. Ao contrário, Jesus quer tirar-nos destas “areias movediças” e, portanto, diz a cada um: «Vinde!” — “Quem?” — “Tu, tu, tu...”. A via de saída encontra-se na relação, em estender a mão e em levantar o olhar para quem nos ama verdadeiramente.

UM BOM E SANTO DOMINGO A TODOS.

 NOTÍCIAS EM DESTAQUE - CRIANÇA COM SURDEZ - REVIRAVOLTA NO CASO

Como casal que adotou criança com deficiência auditiva conseguiu reviravolta no caso

Segundo Priscila Hiromi, de 38 anos, a pequena Ana escutou pela primeira vez o barulho do aspirador de pó quando brincava em casa.

Por Maria Eduarda Barbosa*, g1 Rio - 17/05/2023 12h17  Atualizado há uma hora


Uma criança até então diagnosticada com deficiência auditiva bilateral (surdez nos dois ouvidos) voltou a escutar graças a um tratamento iniciado após ser adotada.

A dentista Priscila Hiromi, de 38 anos, e o arquiteto Rafael Távora, de 36 anos, adotaram a pequena Ana quando ela ainda era uma recém-nascida. O casal do RJ tinha se disponibilizado a adotar uma criança com deficiência, mas o caso teve uma reviravolta.

A criança voltou a ouvir após um tratamento com uma fonoaudióloga. Ana escutou o barulho do aspirador de pó quando brincava em casa com a mãe e a sogra da dentista, como relatado para a família ao Globo Repórter.

"A porta batia, o cachorro latia e ela nem piscava, realmente não escutava nada. Com três semanas [que estava com o casal], ela escutou pela primeira vez o aspirador de pó. Estava brincando com minha mãe e minha sogra e ela se assustou e chorou. Foi a primeira vez que ela escutou alguma coisa. Barulhos mais baixos ela começou a escutar. Fazia um barulhinho e ela escutava", contou a mãe.

A fonoaudióloga afirmou à família que Ana realmente não ouvia nada e que poderia haver um catarro no canal auditivo, mas, pelo exame, ela não apresentava má deformação nem dano permanente. Por isso, a médica explicou que provavelmente ela passaria.

Em entrevista ao g1, Priscila contou que o tratamento começou a ser feito por eliminação, começando pela secreção no ouvido. Ana também precisou tomar antibiótico, fazer lavagem no nariz, nebulização, fisioterapia respiratória e os pais trocaram o leite oferecido à menina – sugestão da médica para evitar a produção de mais muco.

Hoje em dia, com um ano e cinco meses, a pequena Ana escuta perfeitamente.

"Radiante! A questão dela escutar foi muito rápida, em duas ou três semanas ela começou a escutar", afirmou Priscila, que também disse que a família ficou radiante com a novidade.

O processo de adoção e novas descobertas


Após conhecerem Ana, em pouco tempo a nova integrante da família já tinha um novo lar. Priscila disse que esperavam adotar uma criança maior, mas que a notícia de que cuidariam de uma recém-nascida foi muito bem recebida.

"A gente recebeu uma ligação da assistente social na terça. Na segunda ela já estava em casa. Então em 6 dias a gente estava com uma recém-nascida. A gente imaginava que teria uma criança maiorzinha, mas foi melhor ainda", disse.

Uma vez na fila de adoção, Priscila e o marido preencheram um formulário que consta características do perfil: idade, sexo e etnia, além de deficiência, no qual devem filtrar um grau.

"Você passa por uma série de reuniões sobre adoção e entrega de documentação e inclusive atestado de sanidade mental e de saúde física. Esses pré-requisitos são analisados e aí sim você está apto ou não a adotar. Depois de toda a documentação, você entra na fila e existe essa busca de pais para crianças."

Priscila também falou sobre campanhas de incentivo à adoção de crianças e adolescentes mais velhos, com problemas de saúde ou que tiveram experiências mais traumáticas.

"A pessoa que entra na fila de adoção [tem que] estar disposta... Não é um menu de um restaurante: 'não gostei desse, vou passar para o próximo'. É um trabalho bem sério."

"Você também coloca a região que você está apto a buscar a criança. Por exemplo, a gente colocou busca nacional, então uma criança que apareceu no interior da Bahia, quando ligarem pra gente, a gente tem que se ausentar do trabalho, arcar com os custos pra ficar o tempo que for necessário pra trazer essa criança. Então pessoas que não têm essa disponibilidade (nem de tempo, dinheiro ou no trabalho), colocam só na região onde moram", finalizou ela ao explicar sobre o processo de adoção.

Longo, o processo ainda está em andamento, mas a pequena já vive com a família.

2º Domingo da Quaresma, Ano A

Domingo, 5 de março de 2023

Primeira leitura

(Gn 12,1-4a)

Leitura do Livro do Gênesis:

Naqueles dias, o Senhor disse a Abrão: “Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar. Farei de ti um grande povo e te abençoarei; engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!”.
E Abrão partiu, como o Senhor lhe havia dito.
Palavra do Senhor.

Segunda leitura

(2Tm 1,8b-10)

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:

Caríssimo: Sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus.
Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho.
Palavra do Senhor.

EVANGELHO DO DIA

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus

(Mt 17,1-9)

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus.
Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!”
Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”.
Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.
Palavra da Salvação.

PALAVRAS DO SANTO PADRE

Através do maravilhoso evento da Transfiguração, os três discípulos são chamados a reconhecer em Jesus o Filho de Deus resplandecente de glória. Eles progridem assim no conhecimento do seu Mestre, percebendo que o aspeto humano não expressa toda a sua realidade; aos seus olhos, revela-se a dimensão ultraterrena e divina de Jesus. E do alto ressoa uma voz que diz: «Este é o meu Filho muito amado [...]. Escutai-o» (v. 5). É o Pai celeste que confirma a “investidura” - digamos assim - de Jesus já feita no dia do Seu batismo no Jordão e convida os discípulos a ouvi-lo e a segui-lo […] Jesus diz também a nós: «Levantai-vos e não tenhais medo» (Mt 17, 7). Neste mundo, marcado pelo egoísmo e pela ganância, a luz de Deus é obscurecida pelas preocupações da vida diária. Dizemos muitas vezes: não tenho tempo para rezar, sou incapaz de realizar um serviço na paróquia, de responder aos pedidos dos outros... Mas não devemos esquecer que o Batismo que recebemos nos fez testemunhas, não pela nossa capacidade, mas pelo dom do Espírito

NOTÍCIAS EM DESTAQUE - BRASIL
RELATÓRIO MUNDIAL 2023
HUMAN  RIGHTS WATCH

Luiz Inácio Lula da Silva venceu as eleições presidenciais de outubro em um momento crítico para a democracia brasileira.

Ao longo de seu mandato, o ex-presidente Jair Bolsonaro atacou e insultou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e jornalistas. Ele tentou minar a confiança no sistema eleitoral com alegações infundadas de fraude eleitoral. A violência política aumentou durante o período eleitoral.

Oitenta e quatro por cento das 6.145 pessoas mortas pela polícia em 2021 eram negras, segundo os dados mais recentes disponíveis.

O desmatamento e as queimadas criminosas têm devastado a floresta amazônica. Indígenas, lideranças comunitárias e outros que a defendem sofreram ameaças e ataques.

Regime democrático

Lula venceu a eleição de outubro por uma margem estreita. Bolsonaro não reconheceu explicitamente a derrota, mas permitiu a transição.
Antes das eleições de outubro, o então presidente Bolsonaro insultou e tentou intimidar os ministros do STF, e repetiu alegações de fraude eleitoral sem provas. Ele disse que “parece” que ganha as eleições quem “tem amigo” no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em julho, ele disse a dezenas de embaixadores que o sistema eleitoral do Brasil não era confiável. Em setembro, ele disse que se não obtivesse 60% dos votos, “algo de anormal” teria acontecido no TSE.
Em agosto, mais de um milhão de brasileiros, incluindo empresários, ex-ministros do STF, políticos e artistas, assinaram um manifesto em defesa da democracia e do Estado de Direito.
A violência política marcou a disputa eleitoral. Quatro pessoas foram assassinadas durante a campanha eleitoral em circunstâncias que sugerem motivação política.
O Observatório da Violência Política e Eleitoral da Universidade Federal do Rio de Janeiro compilou 426 casos de ameaças e violência contra lideranças políticas – ou seus familiares – entre janeiro e setembro de 2022. Candidatas, especialmente mulheres negras e trans, enfrentaram ameaças e assédio online, segundo organizações da sociedade civil.
O TSE proibiu o porte de armas no perímetro de 100 metros dos locais de votação antes, no dia, e depois da eleição. O STF também suspendeu temporariamente partes dos decretos presidenciais que facilitaram a compra e o porte de armas.

Corrupção

Apesar de um discurso anticorrupção durante sua campanha, o governo Bolsonaro enfrentou investigações, incluindo por desvio de recursos públicos no Ministério da Educação e no enfrentamento à pandemia de Covid-19.
Em 2019, o então presidente Bolsonaro rompeu com a tradição de nomear o Procurador-Geral da República com base na lista tríplice de candidatos eleitos por procuradores de todo o país, indicando um que não constava na lista. Segundo a Transparência Internacional, o ex-presidente Bolsonaro enfraqueceu o combate à corrupção, entre outros fatores, ao também apoiar a criação do chamado “orçamento secreto”, uma provisão orçamentária especial que redirecionou bilhões de reais para emendas parlamentares praticamente sem nenhuma transparência.

Liberdade de expressão e acesso à Informação

A organização não governamental Repórteres sem Fronteiras, em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, identificaram mais de 2,8 milhões de publicações nas redes sociais com insultos, ameaças e outros conteúdos ofensivos contra jornalistas e meios de comunicação durante o primeiro mês de campanha eleitoral, que iniciou oficialmente em 16 de agosto. O estudo identificou casos de jornalistas, principalmente mulheres, sendo atacadas por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro depois que ele havia as insultado publicamente.
Em junho, a Justiça de São Paulo condenou Bolsonaro a pagar R$ 100.000 de indenização por dano moral coletivo aos profissionais de imprensa por seus ataques.
O ex-presidente rotineiramente bloqueava críticos nas redes sociais usadas para discutir assuntos de interesse público, violando seus direitos de liberdade de expressão. Até agosto, ele havia bloqueado 95 jornalistas e 10 meios de comunicação, segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Durante 2021 e 2022, um grupo de trabalho formado exclusivamente por representantes do governo, criado sem a participação do Congresso, do Poder Judiciário ou da sociedade civil, revisou a política nacional de direitos humanos. O governo se recusou a fornecer informações sobre as discussões em andamento no grupo.

Condições prisionais

Até dezembro de 2021, mais de 679.500 pessoas estavam privadas de liberdade no Brasil, excedendo a capacidade carcerária em 45%, segundo dados do Ministério da Justiça. Outras 156.000 estavam em prisão domiciliar.
O número de adolescentes privados de liberdade – 13.684 em 2021 – diminuiu significativamente nos últimos anos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Ainda assim, os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul mantiveram taxas de ocupação acima da capacidade, segundo dados disponibilizados pelo governo federal para a Human Rights Watch.
Em julho, um tribunal concluiu que internos em uma unidade da Fundação Casa em São Paulo sofreram tortura e maus-tratos entre 2013 e 2015, ordenando o governo estadual a pagar uma indenização de R$ 3 milhões a um fundo municipal de apoio a projetos de promoção dos direitos das crianças e adolescente em São Paulo.

Segurança pública e conduta policial

O número de homicídios caiu 5% de janeiro a junho de 2022, quando comparado ao mesmo período no ano anterior. Menos de 40% dos homicídios no país são esclarecidos, segundo estudo do Instituto Sou da Paz.
Segundo o FBSP, a polícia matou 6.145 pessoas em todo o país em 2021 – uma queda de 4% em relação a 2020, impulsionada pela redução nas mortes no estado de São Paulo.
Embora algumas mortes pela polícia ocorram em situação de legítima defesa, muitas resultam do uso ilegal da força. Os abusos policiais contribuem para um ciclo de violência que compromete a segurança pública e põe em risco a vida de civis e dos próprios policiais. Em 2021, 190 policiais foram mortos, 77% deles enquanto estavam fora de serviço, informou o FBSP.

A polícia do estado do Rio matou 1.010 pessoas de janeiro a setembro de 2022.

A polícia conduziu três das cinco operações mais letais da história do estado do Rio em 2021 e 2022, apesar de uma decisão do STF restringindo operações em comunidades do Rio durante a pandemia da Covid-19, exceto em “hipóteses absolutamente excepcionais”. A operação mais letal, em maio de 2021, deixou um policial e 27 moradores mortos na comunidade do Jacarezinho. O Ministério Público do Rio denunciou dois supostos traficantes de drogas pelo assassinato do policial e apresentou denúncia de fraude processual e, em alguns casos, de homicídio, contra quatro policiais em conexão com a morte de três moradores. Todos os outros casos foram arquivados. A remoção de corpos pela polícia para destruir evidências, ausência de análises periciais completas e falhas na coleta de depoimentos de testemunhas contribuíram para o fracasso das investigações. O Ministério Público do Rio nunca abriu uma investigação sobre a responsabilidade do comando pela operação letal.
Em cumprimento a uma ordem do STF, mas sem consultar nenhuma organização da sociedade civil, o estado do Rio de Janeiro publicou um plano para reduzir a letalidade policial em março de 2022. O plano carecia de cronograma, orçamento ou medidas suficientes para a responsabilização por abusos. O STF ordenou que o estado elaborasse um novo plano.
Em 2021, a Procuradoria-Geral de Justiça do Rio eliminou uma unidade de promotores especializada em prevenir e investigar abusos policiais. Em contraposição, em agosto de 2022 o procurador-geral de São Paulo criou uma nova unidade com um forte mandato de controle externo da conduta policial.
Em Sergipe, no dia 25 de maio, um homem negro com deficiência psicossocial morreu sufocado depois que agentes da Polícia Rodoviária Federal o prenderam no porta-malas de uma viatura e jogaram dentro o que parecia ser uma granada de gás lacrimogêneo. Três policiais foram denunciados por abuso de autoridade, tortura e homicídio qualificado.
Em agosto, o STF rejeitou um recurso da defesa e manteve a condenação de 73 policiais pela morte de 111 detentos no presídio de Carandiru em 1991.

Abusos da ditadura militar

Em diversas ocasiões, o ex-presidente Bolsonaro e membros de seu gabinete elogiaram a ditadura militar de 1964-1985, marcada por torturas e assassinatos generalizados.
A Lei da Anistia de 1979 tem protegido perpetradores de graves abusos da justiça. O STF confirmou a lei em 2010, mas a Corte Interamericana de Direitos Humanos decidiu que ela viola as obrigações legais internacionais do Brasil.
Desde 2012, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou mais de 50 denúncias contra ex-agentes da ditadura. Os tribunais rejeitaram a maioria dos casos, citando a lei de anistia ou o prazo de prescrição. Houve a condenação criminal em apenas um caso, em junho de 2021, mas a decisão foi revertida em fevereiro de 2022.

Direitos das mulheres e meninas

A implementação da lei “Maria da Penha” de 2006 contra a violência de gênero tem sido insuficiente. Em setembro, as autoridades disseram à Human Rights Watch que, em um país de mais de 215 milhões de pessoas, apenas 77 abrigos estavam em funcionamento. O governo Bolsonaro reduziu em 90% o orçamento federal de combate à violência contra a mulher em 2022, comparado a 2020.
Entre janeiro de 2020 e maio de 2022, os tribunais receberam quase 600.000 pedidos de medidas protetivas, que normalmente exigem que os suspeitos de abuso mantenham distância da mulher, informou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os tribunais concederam nove em cada dez pedidos, mas 30% demoraram mais tempo do que o prazo legal de 48 horas.
As delegacias registraram mais de 230.000 denúncias de agressões por violência doméstica contra mulheres em 2021, informou o FBSP; e a polícia recebeu 619.353 chamados ao 190 sobre violência doméstica.
Mais de um milhão de casos de violência doméstica e quase 6.300 casos de feminicídio – definidos na legislação brasileira como homicídio “por razões da condição de sexo feminino” – estavam pendentes na justiça em 2021.
O aborto é legal no Brasil apenas em casos de estupro, quando necessário para salvar a vida da mulher ou quando o feto sofre de anencefalia.
O governo Bolsonaro tentou restringir o acesso ao aborto. Em 2020, publicou uma portaria obrigando profissionais de saúde a notificarem a polícia sobreviventes de estupro que buscassem interromper a gravidez.
Em 2020, o Ministério da Saúde aprovou a telemedicina durante a pandemia de Covid-19, mas depois orientou a exclusão do aborto por este meio porque “pode causar danos irreversíveis à mulher”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou a telemedicina como uma opção de acesso ao aborto.
Apenas 73 hospitais em todo o país realizavam abortos legais em setembro, informou a organização Artigo 19.
Mulheres e meninas que precisam recorrer a abortos ilegais não apenas correm o risco de sofrer sequelas e morte, mas podem pegar até três anos de detenção. Terceiros que provocam abortos ilegais podem pegar até quatro anos de prisão.
De 2018 a 2022, os tribunais receberam uma média de 400 novos processos judiciais de aborto por ano, segundo relatório da Universidade de São Paulo e o Instituto de Direitos Humanos da Columbia Law School. Mulheres e meninas negras têm mais chances de serem denunciadas, o que muitas vezes ocorre a partir de informações de profissionais de saúde, violando seu direito à privacidade, segundo mostrou o relatório.
A lei brasileira determina a prisão domiciliar em vez de prisão preventiva para gestantes, mães de pessoas com deficiência e mães de crianças menores de 12 anos, exceto em casos de crimes violentos ou crimes contra seus dependentes. No entanto, em 2021, juízes mantiveram a prisão de mais de um terço das mulheres gestantes após a audiência de custódia, mostraram o CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Direitos das pessoas com deficiência

Milhares de adultos e crianças com deficiência vivem confinados em instituições de acolhimento, onde podem enfrentar negligência e abuso, às vezes por toda a vida. O Brasil carece de um plano abrangente para desinstitucionalizar progressivamente adultos e crianças com deficiência.
Em abril de 2021, o Conselho Nacional do Ministério Público adotou uma resolução exigindo que promotores conduzam inspeções anuais em instituições de acolhimento para adultos com deficiência e adotem medidas judiciais em casos de abuso.

Educação

O governo federal não respondeu ao enorme impacto da pandemia da Covid-19 sobre a educação, principalmente para crianças negras, indígenas e de famílias de baixa renda, resultando em perdas significativas de aprendizado. Por exemplo, na rede pública, os resultados dos testes de matemática da quinta série indicaram perda do equivalente ao aprendizado de um ano inteiro, mostrou uma avaliação do governo.
O percentual de alunos que abandonaram o ensino médio na rede pública mais que dobrou, de 2,3% em 2020 para 5,6% em 2021, mostram dados do governo.
Os estados de Minas Gerais e São Paulo endossaram o uso de produtos de aprendizado online durante a pandemia que não eram seguros, constatou a Human Rights Watch. Nove produtos monitoraram as atividades online de crianças, fora do horário escolar, e transmitiram seus dados para empresas de tecnologia de publicidade, permitindo-lhes rastrear e direcionar conteúdo para crianças na internet. Até outubro, nenhum dos estados havia tomado medidas para proteger a privacidade das crianças.
Desde 2014, legisladores brasileiros, nos níveis federal, estadual e municipal, apresentaram mais de 200 propostas legislativas para proibir a “doutrinação” ou a chamada “ideologia de gênero” nas escolas. O STF derrubou oito dessas leis em 2020. Vários professores disseram à Human Rights Watch que tratar temas como gênero ou sexualidade resultou em assédio, intimações para prestar declarações na polícia ou processos administrativos-disciplinares.

Meio ambiente e direitos dos povos indígenas

O governo Bolsonaro enfraqueceu severamente a fiscalização ambiental, na prática encorajando redes criminosas que impulsionam o desmatamento e que têm usado ameaças e violência contra os defensores da floresta.
O governo adotou políticas que facilitaram a invasão de terras indígenas e afastou servidores públicos experientes de cargos de liderança na FUNAI – na época chamada Fundação Nacional do Índio. O número de casos de invasões possessórias, extração de madeira, garimpo, caça e pesca ilegais em terras indígenas foi 180% maior em 2021 do que em 2018, ano anterior à posse do ex-presidente Bolsonaro, informou o Conselho Indigenista Missionário.
O número de autos de infração ambiental foi 33% menor no primeiro semestre de 2022 quando comparado ao mesmo período de 2018, segundo dados do Observatório do Clima. Em março, o presidente do IBAMA, principal agência ambiental do governo federal, indicado por Bolsonaro, publicou um despacho que poderia resultar no cancelamento de cerca de 60% das multas emitidas entre 2008 e 2019, estimadas em um valor de R$ 16,2 bilhões, segundo reportagem do UOL.
Cerca de 9.400 quilômetros quadrados de floresta amazônica foram desmatados de janeiro a outubro de 2022, de acordo com dados de alertas oficiais.
Em áreas desmatadas, grupos criminosos muitas vezes colocam fogo na vegetação remanescente depois de extrair a madeira valiosa, a fim de preparar a terra para pastagem ou especulação fundiária. O número de focos ativos de queimadas na Amazônia nos primeiros nove meses de 2022 superou o de todo o ano de 2021.
Até outubro, o Congresso Nacional analisava projetos de lei que flexibilizariam o licenciamento ambiental, abririam terras indígenas para mineração e outras atividades de grande impacto ambiental e ofereceriam uma anistia para grileiros.
Os defensores da floresta amazônica continuaram sofrendo ameaças e ataques. Três ambientalistas de uma mesma família foram assassinados no Pará em janeiro; um indigenista e um jornalista britânico foram assassinados no estado do Amazonas em junho; e um indígena guardião da floresta foi assassinado no Maranhão em setembro.
Mais de 60 pessoas foram assassinadas no contexto de conflitos por terras e recursos naturais na Amazônia entre janeiro de 2020 e início de julho de 2022, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Política e impactos das mudanças climáticas

Como um dos dez maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, o Brasil contribui para o impacto da crise climática sobre os direitos humanos.
Sob o Acordo de Paris de 2016, o Brasil se comprometeu a aumentar as metas de redução de emissão de gases de efeito estufa em relação ao seu plano inicial. Uma atualização desse plano em abril de 2022 não cumpriu esse compromisso. Um anexo reafirmou o compromisso do Brasil de eliminar o desmatamento ilegal até 2028.
O Climate Action Tracker, que fornece análises científicas independentes, classificou o plano de ação climática do Brasil de 2022 como “insuficiente” para cumprir a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
O aumento do desmatamento na Amazônia sob o governo do ex-presidente Bolsonaro elevou as emissões gerais. Se continuar, pode transformar vastas porções da floresta tropical em savana seca nos próximos anos, liberando bilhões de toneladas de carbono armazenado. Grandes áreas da Amazônia já foram derrubadas e degradadas, reduzindo a capacidade de regeneração da floresta, mostrou um estudo conduzido pela Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas.
As mudanças climáticas podem ter contribuído para chuvas intensas que levaram a inundações e deslizamentos de terra em estados do nordeste no primeiro semestre de 2022, segundo cientistas da World Weather Attribution. Os eventos deslocaram cerca de 25.000 pessoas e resultaram em 133 mortes.

Migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio

Milhares de venezuelanos, incluindo crianças desacompanhadas, atravessaram a fronteira com o Brasil nos últimos anos, fugindo da fome, da falta de cuidados básicos de saúde ou de perseguições.
Cerca de 388.000 venezuelanos viviam no Brasil em outubro de 2022.
O Brasil facilitou a concessão de refúgio para venezuelanos ao reconhecer uma “grave e generalizada violação dos direitos humanos” em seu país. O Brasil concedeu status de refugiado a 51.618 venezuelanos, incluindo 2.829 entre janeiro e agosto de 2022. Os venezuelanos também podem solicitar autorização de residência. O Brasil concedeu refúgio a cerca de 940 pessoas de outras nacionalidades de janeiro a agosto.
O governo concedeu vistos humanitários a afegãos e ucranianos.

Principais atores internacionais

Oito relatores da ONU, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) expressaram preocupação com a violência política durante o período eleitoral, pedindo às autoridades que garantissem eleições pacíficas.
Em 2022, a CIDH e o ACNUDH expressaram preocupação com os ataques a defensores do meio ambiente e povos indígenas. O Parlamento Europeu aprovou uma resolução, em julho, instando o Brasil a “prevenir violações dos direitos humanos e proteger defensores do meio ambiente e dos povos indígenas”.
A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) emitiu medidas provisórias, em julho, exigindo que o Brasil proteja os direitos dos povos indígenas Yanomami, Ye'kwana e Munduruku.
A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) adotou um “roadmap” para o processo de acessão do Brasil que requer ação do governo para combater o desmatamento ilegal, fiscalizar as leis ambientais, investigar a violência contra os defensores da floresta e proteger os direitos dos povos indígenas.
Relatores especiais da ONU instaram o Senado brasileiro a rejeitar um projeto de lei que facilitaria a aprovação e o uso de agrotóxicos perigosos. Em agosto, o projeto de lei permanecia pendente.
Em abril, mais de 140 organizações internacionais e brasileiras assinaram uma carta instando o governo a viabilizar uma visita do novo mecanismo da ONU para promover a justiça e igualdade racial na aplicação da lei. O governo disse que consideraria a visita apenas em 2023.
Relatores da ONU e a CIDH denunciaram a violência policial “sistêmica” no Brasil. Em setembro, o alto comissariado da ONU para os direitos humanos destacou em relatório a atuação do STF para coibir abusos policiais no Rio de Janeiro.

Política internacional

O governo Bolsonaro liderou esforços de um grupo de governos, incluindo vários regimes autoritários, que buscaram restringir o acesso ao aborto em todo o mundo.
A posição do governo em relação à guerra na Ucrânia foi inconsistente. Poucos dias antes da invasão pela Rússia, o então presidente Bolsonaro disse, em Moscou, que o Brasil era “solidário à Rússia”. Nos meses seguintes, o Brasil votou a favor de uma resolução da ONU que estabelecia uma comissão para investigar crimes de guerra na Ucrânia, mas se absteve em suspender a participação da Rússia no Conselho de Direitos Humanos da ONU e não aderiu a uma declaração da Organização Mundial do Comércio sobre o impacto devastador da guerra na capacidade de exportação e importação da Ucrânia.
Em outubro, o Brasil se absteve em uma resolução que permitiria ao Conselho de Direitos Humanos discutir crimes contra a humanidade na China. Votou a favor da prorrogação do mandato de uma missão de investigação na Venezuela.


NOTÍCIAS EM DESTAQUE - SÃO PAULO - SAÚDE - MORTE HOSPITAL GERAL DE TAIPAS - FALTA DE MACAS PARA OBESO

Andreia Marcos da Silva pediu ajuda para filho na porta de hospital em SP — Foto: Reprodução

Mãe gritando por socorro em hospital de SP antes de filho morrer sem atendimento por falta de maca para obeso.
Segundo a família, Vitor Marcos sofreu três paradas cardíacas depois de aguardar, por mais de três horas dentro da ambulância, em frente ao Hospital Geral de Taipas, uma maca especial. Ele começou a passar mal na manhã de quinta (5) e foi recusado em outros dois hospitais.

Por g1 SP e TV Globo — São Paulo - 06/01/2023 09h12  Atualizado há 8 minutos

Andreia Marcos da Silva, mãe do jovem de 25 anos que morreu dentro de uma ambulância por falta de uma maca para obesos, gritou e implorou por socorro na porta do Hospital de Taipas, na Zona Norte da capital.

Vitor Marcos foi direcionado para o hospital após ter atendimento recusado em outras unidades de saúde. Em um vídeo, ela aparece entrando e saindo da entrada do pronto-socorro desesperada por auxílio.

"Me ajuda, por favor, socorro, ele está aqui. Meu filho está morrendo na ambulância. Cadê os médicos desse lugar, meu Deus, por favor".

Vitor Augusto Marcos de Oliveira sofria de obesidade e começou a passar mal pela manhã. De acordo com a mãe, ele chegou a ser atendido na UPA de Perus, mas foi encaminhado para outros hospitais.
“A saga começou quando meu filho chegou no Hospital Cachoeirinha, que onde falaram que não tinha suporte para obeso. Aí eu fiquei louca: "como assim? Se o Cross [central de regulação de ofertas e serviços de saúde] mandou a vaga para cá, como que não vai aceitar"?, relatou ela à TV Globo
Em nota, a Secretaria estadual da Saúde afirma que o investiga o atendimento "para que sejam tomadas as devidas providências."
Fachada Hospital Geral de Taipas, na Zona Norte de SP — Foto: Tatiana Santiago/G1

Vitor pesava 190 kg e precisava de uma maca especial, o que dificultou a transferência. A família relata que, antes dele chegar no Hospital Geral de Taipas, ele passou por outras duas unidades de saúde e em todas elas teve o atendimento negado.

No Hospital, ele aguardou por mais de três horas dentro da ambulância uma maca pra obeso.

A mãe contou que por conta da demora, o jovem sofreu três paradas cardíacas e foi atendido pelos socorristas do Samu dentro da ambulância.

A família alega que houve negligência no atendimento e falta de estrutura médica.

"Foi negligenciado, meu filho foi. Meu filho não tem o direito de ter uma maca, meu filho ficou em um assoalho, isso eu nunca vou esquecer. Meu filho morreu em cima de um assoalho, ele não teve direito de morrer em cima de um colchão.”

“O sentimento da perda nunca vai ser bom, não importa se é filho, irmão, pai, mãe, não importa. A dor do luto é muito difícil. Mas o que eu quero deixar bem claro para as redes públicas, é que de suporte a obesos, para que outras mães não venham passar o que eu passei.”

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/01/06/video-mostra-mae-gritando-por-socorro-em-hospital-de-sp-antes-de-filho-morrer-sem-atendimento-por-falta-de-maca-para-obeso.ghtml



NOTÍCIAS EM DESTAQUE - SAÚDE - CORAÇÃO VIAJA 700 KM EM JATO DA FAB PARA O PRIMEIRO TRANSPLANTE DO ANO - HOSPITAL DAS CLINICAS DE BOTUCATU

Coração viaja 700 km em jato da FAB para primeiro transplante do ano no HC de Botucatu —
Foto: HCFMB/Divulgação

Mulher de 61 anos recebeu no dia 1º de janeiro o órgão que veio de Goiás. Equipe do Hospital das Clínicas da Unesp é a segunda em transplante cardíaco no estado, com meta de 24 procedimentos neste ano.

Por g1 Bauru e Marília - 05/01/2023 06h38  Atualizado há 34 minutos

Em uma operação que mobilizou diversos profissionais e contou até com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), o serviço de transplante cardíaco do Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu (SP) realizou no último domingo, dia 1º de janeiro, o primeiro transplante de coração de 2023 na unidade.

Para que a paciente de 61 anos pudesse receber o transplante, o coração precisou viajar cerca de 700 quilômetros em um jato da FAB após ser captado em Goiânia e levado para o HC, unidade hospitalar ligada à Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu.

Segundo o cardiologista Flávio Brito, coordenador clínico do serviço de transplante cardíaco do HC de Botucatu, a cirurgia na mulher que estava na fila nacional de transplantes e havia sofrido um infarto foi realizada com sucesso.

Coração viaja 700 quilômetros — Foto: Arte/g1

Credenciado há cinco anos, o programa de transplante cardíaco do HC de Botucatu é atualmente o primeiro centro transplantador do interior paulista e considerado o segundo maior centro transplantador do Estado, atrás apenas do Instituto do Coração (Incor), na capital.

Até agora, já foram realizados 53 transplantes cardíacos pela equipe do HC de Botucatu. A meta do serviço em seu quinto ano de funcionamento é a realização de 24 transplantes em 2023.

“Esse ano trará grandes desafios para a equipe. O serviço está em crescimento, mantendo o foco em custo-efetividade e captação à distância. Nosso objetivo é aumentar a abrangência nacional do serviço”, explica Flávio Brito.

Nesta quarta-feira (4), segundo informações da assessoria de imprensa do HC, o estado de saúde da paciente que recebeu o coração vindo de Goiânia era considerado estável.


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