WORLD REPORT 2021 - BRASIL - HUMAN RIGHTS WATCH

Bolsonaro tentou sabotar medidas contra Covid-19, diz relatório anual da Human Rights Watch

Em documento que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países, ONG internacional diz ainda que governo brasileiro enfraqueceu fiscalização de leis ambientais e incentiva violência policial.

FONTE: https://www.hrw.org/pt/world-report/2021/country-chapters/377397

O presidente Jair Bolsonaro tentou sabotar medidas de saúde pública destinadas a conter a propagação da pandemia de Covid-19, mas o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso e governadores defenderam políticas para proteger os brasileiros da doença.

O governo Bolsonaro tem enfraquecido a fiscalização ambiental, na prática dando sinal verde às redes criminosas envolvidas no desmatamento ilegal na Amazônia e que usam a intimidação e a violência contra os defensores da floresta.

O presidente Bolsonaro acusou, sem qualquer prova, indígenas e organizações não governamentais (ONGs) de serem responsáveis pela destruição da floresta. Ele também fez ataques a jornalistas.

Em 2019, a polícia matou 6.357 pessoas, uma das maiores taxas de mortes pela polícia no mundo. Quase 80 por cento das vítimas eram negras. As mortes causadas por policiais aumentaram 6 por cento no primeiro semestre de 2020.

Covid-19

O presidente Bolsonaro minimizou a Covid-19, a qual chamou de  “gripezinha”; recusou-se a adotar medidas para proteger a si mesmo e as pessoas ao seu redor; disseminou informações equivocadas; e tentou impedir os governos estaduais de imporem medidas de distanciamento social. Seu governo tentou restringir a publicação de dados sobre a Covid-19. Ele demitiu seu ministro da saúde por defender as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), e seu substituto deixou o cargo no ministério em razão da defesa do presidente de um medicamento sem eficácia comprovada para tratar a Covid-19.

O Brasil teve 5,4 milhões de casos confirmados de Covid-19 e 158.969 mortes até 29 de outubro. Brasileiros negros tiveram maior probabilidade do que outros grupos raciais de apresentarem sintomas consistentes com Covid-19 e de morrerem no hospital. Entre outros fatores, os especialistas atribuíram essa disparidade às taxas mais altas de informalidade entre trabalhadores negros, impedindo muitos de trabalharem de casa, e à prevalência de doenças pré-existentes.

O acesso insuficiente a cuidados de saúde e a prevalência de doenças respiratórias ou outras doenças crônicas deixaram indígenas particularmente vulneráveis a complicações decorrentes da Covid-19. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) registrou 38.124 casos e 866 mortes de indígenas por Covid-19 até 29 de outubro.

Em junho, o Congresso aprovou um projeto de lei obrigando o governo a fornecer atendimento médico emergencial e outras formas de assistência para ajudar indígenas a lidarem com a pandemia. O presidente Bolsonaro o vetou parcialmente, mas o Congresso derrubou vetos. Em julho, o Supremo Tribunal Federal ordenou ao governo Bolsonaro que elaborasse um plano de enfrentamento da Covid-19 para povos indígenas.

Com instalações superlotadas, pouca ventilação e cuidados de saúde inadequados, as prisões e unidades socioeducativas no Brasil reuniam condições favoráveis a surtos de Covid-19.

Em dezembro de 2019, mais de 755.000 adultos estavam privados de liberdade, excedendo a capacidade máxima do sistema prisional em cerca de 70 por cento, de acordo com o Ministério da Justiça. As prisões contavam com um médico clínico general para cada 900 detidos e um ginecologista para cada 1.200 mulheres encarceradas.

O governo Bolsonaro não tomou medidas para reduzir  a superlotação das prisões, mas o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que supervisiona o funcionamento do sistema judiciário, recomendou aos juízes que reduzissem prisões provisórias durante a pandemia e considerassem a saída antecipada de alguns presos. Em resposta à Covid-19, até 16 de setembro, juízes tinham autorizado quase 53.700 presos a cumprirem a pena em prisão domiciliar, de acordo com dados oficiais obtidos pela Human Rights Watch.

Em julho, o presidente Bolsonaro vetou um artigo de um projeto de lei exigindo o uso de máscaras em unidades prisionais e centros socioeducativos, mas o Supremo Tribunal Federal concluiu que o veto não atendeu ao trâmite processual e restabeleceu o artigo da lei. A corte também ressaltou a “precariedade estrutural” das políticas de saúde nas unidades prisionais e socioeducativas em sua decisão.

De acordo com o CNJ, cerca de 46.210 presos e servidores tinham contraído Covid-19 e 205 tinham falecido até 26 de outubro.

O CNJ também pediu aos juízes que reavaliassem as medidas socioeducativas para adolescentes em conflito com a lei durante a pandemia. Após essa recomendação, o número de jovens e adolescentes em unidades socioeducativas caiu para cerca de 14.600, com base em dados de inspeções por autoridades judiciárias obtidos pela Human Rights Watch. Ainda assim, pelo menos 38 unidades do sistema socioeducativo excediam sua capacidade máxima em até 90 por cento em meio a pandemia.

Em agosto, o Supremo Tribunal Federal determinou a juízes que acabassem com a superlotação em unidades do sistema socioeducativo, inclusive aplicando medidas alternativas à internação em meio fechado.

Pessoas com deficiência confinadas em instituições de acolhimento correm maior risco de contrair Covid-19 devido à superlotação e a condições de higiene geralmente precárias, embora a falta de dados centralizados torne impossível avaliar o impacto do vírus. Em maio, a Secretaria Nacional de Assistência Social pediu às autoridades locais que considerassem alternativas à institucionalização e adotassem medidas contra a Covid-19 nas instituições.

Segurança pública e conduta policial

No Rio de Janeiro, a polícia matou 744 pessoas entre janeiro e maio de 2020—o número mais alto para o período desde pelo menos 2003—apesar dos níveis de criminalidade terem diminuído em razão da redução do número de pessoas nas ruas decorrente da imposição de medidas de distanciamento social com a Covid-19.

Em maio, a polícia abriu fogo enquanto voluntários distribuíam alimentos próximo a uma escola, em um bairro pobre do Rio, causando a morte de um estudante de 19 anos. Os policiais afirmaram que estavam respondendo a disparos de suspeitos não identificados. Tiroteios envolvendo a polícia já tinham interrompido ações de distribuição de alimentos em pelo menos quatro ocasiões no período de um mês.

Em junho, o STF proibiu a polícia de realizar operações em bairros de baixa renda no Rio de Janeiro durante a pandemia, exceto em “casos excepcionais”. Em consequência, as mortes por policiais caíram 72 por cento de junho a setembro.

Em São Paulo, mortes por policiais em serviço aumentaram 9 por cento no período de janeiro a setembro.

Em agosto de 2020, policiais iniciaram uma operação em Nova Olinda do Norte, no estado do Amazonas, depois de traficantes de drogas terem supostamente atirado em um barco que pescava sem a devida licença ambiental, ferindo levemente o secretário-executivo do fundo de promoção social do Amazonas. Pelo menos sete pessoas foram mortas durante as operações no local, incluindo dois policiais, e três pessoas continuavam desaparecidas até 24 de setembro, o Ministério da Justiça informou à Human Rights Watch. Moradores relataram que a polícia cometeu execuções extrajudiciais e outros abusos, incluindo a tortura de um líder comunitário.

Em todo o país, as mortes por policiais aumentaram 6 por cento no primeiro semestre de 2020, de acordo com dados oficiais compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2019, a polícia matou 6.357 pessoas. Quase 80 por cento delas eram negras.

Enquanto algumas mortes por policiais ocorrem em legítima defesa, muitas outras são resultado do uso excessivo da força. Os abusos da polícia contribuem para um ciclo de violência que compromete a segurança pública e põe em risco a vida de civis e dos próprios policiais. De janeiro a junho de 2020, 110 policiais foram mortos, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

As mortes violentas intencionais aumentaram 7 por cento no primeiro semestre de 2020, revertendo dois anos de declínio das taxas.

Direitos das crianças e adolescentes

Cerca de 150 projetos de lei que proíbem a discussão sobre orientação sexual, identidade de gênero ou opiniões políticas nas escolas tinham sido aprovados ou tramitaram no Congresso e nos legislativos estaduais e municipais até setembro de 2020, segundo um site mantido por professores universitários. Até outubro, o Supremo Tribunal Federal tinha derrubado oito leis contra a “doutrinação política” ou a promoção da “ideologia de gênero”, concluindo que elas violavam a liberdade de ensinar e o direito à educação.

Em setembro, o ministro da educação disse que gênero não deveria ser discutido nas escolas e que as pessoas que “optam” pelo “homossexualismo” muitas vezes vêm de “famílias desajustadas”.

Um levantamento do Senado Federal estimou que 18 por cento dos alunos de instituições de ensino particular matriculados no ensino fundamental, médio e superior, e 40 por cento dos alunos no ensino público, estavam com suas aulas suspensas devido à pandemia em julho. O restante teve aulas à distância; mas 20 por cento não tinham acesso à Internet em casa.

Orientação sexual e identidade de gênero

Em maio de 2020, o STF derrubou uma restrição que impedia que homens que mantiveram relações sexuais com outros homens doassem sangue.

Entre janeiro e junho de 2020, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos recebeu 1.134 denúncias de violência, discriminação e outros abusos contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT).

Direitos de mulheres e meninas

A aprovação da Lei “Maria da Penha” de 2001 foi um passo importante no combate à violência doméstica, mas sua implementação tem sido falha.

Em 2019, estavam em tramitação na justiça um milhão de casos de violência doméstica e 5.100 casos de feminicídio, definido pela legislação brasileira como homicídio de mulheres “por razões da condição de sexo feminino”.

Os registros de ocorrência de casos de violência contra as mulheres caíram significativamente em meio à pandemia de Covid-19, enquanto denúncias a uma linha direta (Ligue 180) aumentaram 27 por cento no período de março a abril de 2020 em comparação com o ano anterior, sugerindo que as mulheres podem ter encontrado dificuldades para ir às delegacias para registrar a violência.

O aborto é legal no Brasil apenas em casos de estupro, quando necessário para salvar a vida da mulher ou quando o feto sofre de anencefalia, uma condição que dificulta a sobrevivência do feto.

Em junho, o governo Bolsonaro exonerou dois servidores públicos de seus cargos após a edição de uma nota técnica recomendando que as autoridades mantivessem serviços de saúde sexual e reprodutiva durante a pandemia de Covid-19, incluindo “abortamento seguro para os casos previstos em Lei”.

Em agosto, o governo Bolsonaro ergueu novas barreiras ao acesso ao aborto legal, incluindo uma portaria que obriga profissionais de saúde a notificarem a polícia quando sobreviventes de estupro buscarem interromper a gravidez.

Apenas 42 hospitais—em um país com 212 milhões de pessoas—estavam realizando abortos legais durante a pandemia de Covid-19, informaram a ONG Artigo 19 e as plataformas de jornalismo AzMina e Gênero e Número, em comparação com 76 no ano de 2019. Em agosto, um hospital no estado do Espírito Santo negou o aborto a uma menina de 10 anos que foi estuprada durante anos, alegando que não tinha autoridade para conduzi-lo. Após a intervenção de um juiz, a menina fez um aborto em outro estado.

Mulheres e meninas que fazem abortos ilegais e inseguros não só correm o risco de lesões e morte, mas podem ainda ser condenadas a até três anos de detenção. As pessoas envolvidas na prática do aborto ilegal podem ser condenadas a até quatro anos.

Um surto do vírus Zika entre 2015 e 2016 foi particularmente prejudicial para mulheres e meninas. Quando uma mulher grávida é infectada, o Zika pode causar complicações no desenvolvimento fetal, inclusive do cérebro. Em abril de 2020, o Supremo Tribunal Federal rejeitou, por questões técnicas, uma ação que buscava descriminalizar o aborto para pessoas infectadas com Zika durante a gravidez e expandir benefícios do Estado às famílias afetadas pelo Zika.

Em setembro de 2020, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a equiparação salarial para mulheres e homens nas seleções.

Em 2018, várias decisões do Supremo Tribunal Federal e uma nova lei determinaram prisão domiciliar em vez de prisão preventiva para gestantes, mães de pessoas com deficiência e mães de crianças menores de 12 anos, exceto para aquelas acusadas de crimes violentos ou crimes contra seus dependentes. Dados oficiais mostram que juízes concederam prisão domiciliar a mais de 3.380 mulheres em 2019, mas 5.111 mulheres que poderiam ter se beneficiado das novas regras ainda aguardavam julgamento atrás das grades, disse o Ministério da Justiça à Human Rights Watch. Entre janeiro e julho de 2020, juízes concederam prisão domiciliar a pelo menos mais 938 mulheres, mas o ministério não forneceu dados sobre quantas ainda aguardavam uma decisão.

Em outubro de 2020, o Supremo Tribunal Federal decidiu que as regras para prisão domiciliar em vez de prisão preventiva deveriam ser aplicadas também aos pais que são o único responsável pelos cuidados de criança menor de 12 anos ou de pessoa com deficiência, bem como a outras pessoas “imprescindíveis” aos cuidados especiais de pessoa menor de seis anos de idade ou com deficiência.

Liberdade de expressão

Em março, o Presidente Bolsonaro suspendeu os prazos para órgãos e entidades do governo federal responderem aos pedidos de acesso informação no contexto do estado de emergência de saúde pública da Covid-19 e impediu que cidadãos recorressem dos pedidos declinados. O Supremo Tribunal Federal suspendeu as restrições instituídas pelo presidente.

Desde que tomou posse, o Presidente Bolsonaro, autoridades de seu governo e outros políticos aliados ao governo proferiram ataques a jornalistas mais de 400 vezes, de acordo com a Artigo 19. O presidente ameaçou um jornalista em agosto de 2020, afirmando que queria “encher tua boca de porrada”. Seus apoiadores atacaram repórteres durante manifestações e em frente ao palácio presidencial, o que fez com que diversos veículos de imprensa suspendessem a cobertura nesse local em maio. O governo pediu à Polícia Federal que investigasse dois jornalistas e um cartunista por suposta difamação ou calúnia após críticas ao presidente.

O Ministério da Justiça produziu um relatório confidencial sobre quase 600 policiais e três acadêmicos identificados como “antifascistas”. O Supremo Tribunal Federal determinou ao ministério a suspensão da coleta de informações sobre pessoas que exerçam seus direitos à liberdade de expressão e de associação.

O Senado brasileiro aprovou um projeto de lei sobre “fake news” que ameaça o direito à privacidade e à liberdade de expressão. O projeto tramitava na Câmara dos Deputados até a elaboração deste relatório.

Direitos das pessoas com deficiência

Milhares de adultos e crianças com deficiências estão confinados sem necessidade em instituições onde podem enfrentar negligência e abuso, às vezes por toda a vida.

Em setembro de 2020, o governo editou uma nova política nacional que incentiva a criação de escolas segregadas para certas pessoas com deficiência, apesar do direito de todas as pessoas com deficiência a uma educação inclusiva.

Migrantes, refugiados e solicitantes de refúgio

Milhares de venezuelanos, incluindo centenas de crianças desacompanhadas, atravessaram a fronteira com o Brasil nos últimos anos fugindo da fome, da falta de cuidados básicos de saúde ou de perseguições. Mais de 262.000 venezuelanos residiam no Brasil até agosto de 2020.

O reconhecimento do Brasil, em junho de 2019, de uma “grave e generalizada violação dos direitos humanos” na Venezuela acelerou a concessão de refúgio a venezuelanos. Em agosto de 2020, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) prorrogou a política por mais um ano. De janeiro a agosto, o Brasil tinha reconhecido o status de refugiado para cerca de 38.000 venezuelanos.

Em março, em resposta à pandemia de Covid-19, o governo federal proibiu venezuelanos de entrarem no Brasil por via terrestre, e mais tarde estendeu as restrições a outras nacionalidades. Até outubro, a maioria dos estrangeiros, excetuando-se aqueles com residência de caráter definitivo no Brasil, estava impedida de entrar no país por meios terrestres ou por transporte aquaviário. Os residentes permanentes podiam retornar ao Brasil, exceto quando provenientes da Venezuela. Além disso, a portaria do governo federal previa a repatriação ou deportação daqueles que conseguissem entrar no país, mesmo que fossem solicitantes de refúgio.

Essas medidas violam as obrigações internacionais do Brasil. Mesmo em tempos de emergência, os governos continuam obrigados a não forçar o retorno de refugiados a uma ameaça de perseguição, exposição a condições desumanas ou degradantes, ou ameaças à vida e à segurança física, e tampouco devem impor restrições que sejam discriminatórias.

Meio ambiente e direitos dos povos indígenas

Redes criminosas que, em grande parte, são responsáveis pelo desmatamento ilegal na Amazônia continuaram a ameaçar e até mesmo a matar indígenas, moradores locais e servidores públicos que defendem a floresta.

Entre 2015 e 2019, mais de 200 pessoas foram mortas no contexto de conflitos pelo uso da terra e de recursos na Amazônia—muitos delas por pessoas supostamente envolvidas no desmatamento ilegal—segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Na grande maioria desses casos, os responsáveis não foram levados à justiça.

Desde que tomou posse em janeiro de 2019, Bolsonaro enfraqueceu a fiscalização das leis ambientais. Em abril de 2020, após uma operação bem-sucedida de combate ao garimpo ilegal, o governo exonerou três servidores que ocupavam os cargos mais importantes na área de fiscalização do Ibama, principal órgão de proteção ambiental do país.

Em outubro de 2019, o Ministério do Meio Ambiente adotou novos procedimentos estabelecendo que as multas ambientais não precisam ser pagas até que sejam revistas em uma audiência de conciliação. Os agentes de fiscalização ambiental emitiram milhares de multas desde então, mas apenas cinco dessas audiências tinham sido realizadas até agosto de 2020.

Em maio de 2020, o governo transferiu a responsabilidade de liderar os esforços de combate ao desmatamento da Amazônia dos órgãos ambientais para as forças armadas, apesar de sua falta de expertise e treinamento.

O desmatamento na Amazônia cresceu 85 por cento em 2019, segundo dados do DETER, um sistema de alertas do governo federal. De janeiro a setembro de 2020, o desmatamento caiu 10 por cento, mas o número de fogos atingiu o nível mais alto em dez anos.

O fogo havia queimado mais de um quarto do Pantanal, a maior planície inundável do mundo, até outubro de 2020, a maior destruição em mais de duas décadas. A Polícia Federal e os promotores acreditam que grandes proprietários de terras atearam fogo à vegetação ilegalmente para limpar terras para o gado.

A poluição do ar causada por queimadas tem um grande impacto sobre a saúde pública. Um estudo da Human Rights Watch, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) constatou que milhões de pessoas foram expostas a níveis nocivos de poluição do ar devido às queimadas na Amazônia em 2019, resultando em cerca de 2.195 internações hospitalares.

O Presidente Bolsonaro chamou as ONGs que trabalham na Amazônia de “câncer” que ele não consegue “matar” e as acusou, sem nenhuma prova, de serem responsáveis pela destruição da floresta amazônica. Ele também culpou os povos indígenas e caboclos pelo fogo na Amazônia.

Em setembro de 2020, o ministro do meio ambiente solicitou a um tribunal federal que pedisse explicações a um importante defensor do meio ambiente sobre comentários criticando o ministro, uma medida aparentemente destinada a intimidar o defensor. Em outubro, a imprensa noticiou que o governo Bolsonaro teria enviado agentes do serviço de inteligência para espionar a delegação brasileira, ONGs e outros participantes na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Madri, em dezembro de 2019.

Em 2019, danos e invasões de territórios indígenas para explorar seus recursos aumentaram 135 por cento, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário, organização sem fins lucrativos.

Em fevereiro de 2020, o Presidente Bolsonaro enviou ao Congresso um projeto de lei para abrir territórios indígenas ao garimpo, hidrelétricas e outros projetos com grandes impactos ambientais. O projeto de lei ainda tramitava até a elaboração deste relatório.

Os abusos da ditadura

Os autores de violações de direitos humanos durante a ditadura de 1964 a 1985 estão protegidos da justiça por uma lei de anistia de 1979. A lei foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2010, em uma decisão que a Corte Interamericana de Direitos Humanos entendeu como uma violação das obrigações do Brasil sob o direito internacional.

Desde 2010, procuradores federais denunciaram cerca de 60 ex-agentes da ditadura militar por assassinatos, sequestros e outros crimes graves. Os tribunais de instâncias inferiores rejeitaram a maioria dos casos, citando a lei de anistia ou o prazo de prescrição. 

Em maio de 2020, um tribunal federal rejeitou as acusações contra pessoas supostamente envolvidas na tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog em 1975. O Ministério Público Federal tinha reaberto as investigações após uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos de 2018.

Em setembro, a empresa alemã Volkswagen reconheceu que representantes haviam colaborado com a ditadura do Brasil. A Comissão Nacional da Verdade tinha descoberto em 2014 que representantes da empresa tinham fornecido informações sobre seus trabalhadores às autoridades, o que poderia ter resultado em prisões ilegais, tortura e outros abusos. Como parte de um acordo com promotores brasileiros, a Volkswagen concordou em pagar 36 milhões de reais em indenizações às vítimas, para apoiar esforços de identificação de ossadas e educação do público sobre abusos durante a ditadura.

O Presidente Bolsonaro elogiou repetidamente a ditadura. Em outubro, seu vice-presidente, um general da reserva, expressou sua admiração por um coronel falecido, identificado como comandante de um centro de tortura.

Principais atores internacionais

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) expressou preocupação quanto aos ataques a defensores dos direitos humanos, quanto à minimização da Covid-19 por “líderes políticos” e quanto ao aumento do envolvimento de militares nos assuntos públicos e na segurança pública.

Cinco relatores da ONU disseram que o Presidente Bolsonaro tem minimizado as violações dos direitos humanos durante a ditadura e alertaram para a disseminação de “desinformação” sobre o regime militar.

Alguns líderes europeus, o Parlamento Europeu e vários parlamentos nacionais em toda a Europa expressaram fortes reservas sobre a ratificação de um acordo comercial pendente entre a União Europeia e o Mercosul. Eles disseram que as políticas ambientais do governo de Bolsonaro colocam em questão a disposição do Brasil em cumprir os compromissos ambientais incluídos no acordo para combater o desmatamento e respeitar o Acordo Climático de Paris.

O Brasil endossou a Chamada à Ação Solidária da Organização Mundial da Saúde para a Covid-19 Technology Access Pool (C-TAP), uma iniciativa destinada a fornecer “um único lugar para o conhecimento científico, dados e propriedade intelectual serem compartilhados de forma equitativa pela comunidade global”.

Política externa

Em 2019, o Brasil concorreu a um dos dois assentos disponíveis no Conselho de Direitos Humanos da ONU junto com a Venezuela, e com a Costa Rica apresentando sua candidatura pouco antes das eleições. A vitória estreita da Venezuela foi provavelmente facilitada pela pressão do Brasil junto aos países latino-americanos contra a apresentação de um terceiro candidato.

Em 2020, o Ministério de Relações Exteriores pressionou pela exclusão de referências à “saúde sexual e reprodutiva” em resoluções da ONU, as quais, segundo o Itamaraty, poderiam “imprimir conotação positiva ao aborto”. Por exemplo, ao disputar uma resolução da ONU—que, no entanto, foi aprovada em julho—o Brasil se opôs à afirmação dos direitos ao acesso universal à “educação sexual”, ao “aborto seguro onde não seja contra a legislação nacional” e à “assistência pós-aborto”.

 Ano Bissexto: por que existe e qual sua importância

O Ano Bissexto consiste no ano que tem 366 dias, ou seja, um dia a mais do que os 365 habituais. Esse "dia extra" ocorre a cada 4 anos
O ano bissexto serve para ajustar o calendário terrestre, pois na realidade um ano não tem 365 dias, mas sim 365 dias, 5 horas e 48 minutos. Ou seja, cada ano tem em média 365 dias e 6 horas, sendo que ao somar essas 6 horas extras ao longo de 4 anos, temos o total de 24 horas (um dia inteiro).

O dia 29 de fevereiro acontece apenas a cada 4 anos, quando são chamados de bissextos e têm 366 dias.

2020 é um ano bissexto, sendo que o próximo será em 2024. 

Quem nasce nesse dia faz aniversário quando? 

É possível registrar os nascidos em 29 de fevereiro no dia 28 de fevereiro ou no dia 1.º de março. Isso para que as pessoas não se sintam diferentes, ou para evitar algum tipo de constrangimento.

O Ano Bissexto consiste no ano que tem 366 dias, ou seja, um dia a mais do que os 365 habituais. Esse "dia extra" ocorre a cada 4 anos, quando é adicionado o 29 de fevereiro no calendário.

É comum as pessoas brincarem com a situação dizendo a idade conforme o número de anos bissextos, ou seja, quem nasceu no dia 29 de fevereiro de 1992, em 2016 teria completado 6 anos (desde 1992 os anos bissextos foram 1996, 2000, 2004, 2008, 2012 e 2016), mas na realidade essa pessoa já tinha 24 anos.

Mesmo quem foi registrado no dia correto do seu nascimento, comemora o aniversário quando acha mais conveniente. Há quem opte pelo dia 28 de fevereiro, mas há aqueles que acreditam que antecipar a comemoração pode trazer azar, deixando a festa para o dia 1.º de março. 

O que se comemora nesse dia? 

É no dia 29 de fevereiro que se comemora o Dia Mundial da Doença Rara. A escolha da data vai ao encontro do fato de esse também ser um dia raro. Nos anos que não são bissextos, a comemoração é antecipada para o dia 28 de fevereiro.

Quando será o próximo Ano Bissexto? 

2020 2024 2028 2032 2036

2040 2044 2048 2052 2056

2060 2064 2068 2072 2076

2080 2084 2088 2092 2096

Regras para calcular o Ano Bissexto

Para saber quando será Ano Bissexto devemos seguir o seguinte princípio: todos os anos múltiplos de 4 que também não são múltiplos de 100, com exceção dos múltiplos de 400, deverão ser anos bissextos.

Por exemplo, 2004 e 2008 são múltiplos de 4 e, por este motivo, considerados anos bissextos. No entanto, 1900 e 1700 não foram anos bissextos, pois eram múltiplos de 100. Já o ano 2000, por outro lado, como é um múltiplo de 400, foi considerado ano bissexto. 

Este método não é infalível, pois a cada 8 mil anos teremos um dia sobrando no calendário terrestre. Os cientistas esperar desenvolver uma nova regra ou mecanismo que possa regularizar esta falha no futuro.

Por que existe o Ano Bissexto e qual sua importância?

O ano bissexto serve para ajustar o calendário terrestre, pois na realidade um ano não tem 365 dias, mas sim 365 dias, 5 horas e 48 minutos. Ou seja, cada ano tem em média 365 dias e 6 horas, sendo que ao somar essas 6 horas extras ao longo de 4 anos, temos o total de 24 horas (um dia inteiro).

Desta forma, com o ano bissexto acabamos por recuperar este "dia em falta". Caso não existisse esse "ajuste" no calendário terrestre, depois de certo tempo as estações do ano começariam a ficar descompassadas, devido à falta de sincronização com a translação da Terra. 

Por exemplo, caso não existisse o ano bissexto, a cada 700 anos o Natal aconteceria durante o verão do Hemisfério Norte e no inverno do Hemisfério Sul, ou seja, completamente diferente do que é na realidade.

DIA DE REIS - ENCERRAMENTO DO CICLO NATALINO - DESMONTE DOS PRESÉPIOS E ÁRVORES DE NATAL NO DIA 6 DE JANEIRO

 No Dia de Reis, saiba como a data é celebrada pelo mundo

Época que se encerra o ciclo natalino, com o desmonte do presépio e árvore, conheça como várias culturas celebram e lembram a visita dos três Reis Magos



6 de Janeiro é comemorado em várias partes do mundo o Dia de Reis ou Epifania. A data faz parte da tradição cristã e celebra o dia em que os Três Reis Magos visitaram o menino Jesus.   A época que também encerra os festejos natalinos, com o desmonte do presépio e árvores de natal, abre comemoração para a festa de Reis ou Reisado em várias partes do mundo.  Conheça a história! 

Como Surgiu?

A Epifania tem origem do grego "epiphanéia" e significa aparição, manifestação. Assim o termo designa a primeira aparição em público do menino Jesus. A data cai tradicionalmente doze dias depois do nascimento de Jesus, mais precisamente no dia 6 de janeiro e, nada mais é, do que uma festa folclórica com influência europeia que vai do dia 24 de dezembro até dia 6 de janeiro, retratando os 3 reis magos (Melchior, Baltazar e Gaspar), e protegendo Jesus dos soldados que queriam matá-lo. 

Brasil 

A tradição teve início no Brasil através dos colonizadores português. Inicialmente, a festa acontecia em pequenas aldeias, também em menção ao menino Jesus. Tempos depois cresceu e, atualmente, segue numa espécie de história folclórica, em vários estados do país. Embora cada uma tenha sua particularidade, a essência continua a mesma, em uma mistura de de temas sacros e profanos. 

A festa de Reis é composta por músicos, cantores e dançarinos que percorrem as ruas das cidades e áreas rurais, de porta em porta, anunciando a chegada do Messias, pedindo prendas e fazendo louvações aos donos das casas por onde passam.  O folguedo natalino é comemorado em várias partes do país, principalmente no Norte e Nordeste, onde ganhou cores, formas e sons regionais. Nessas regiões, os principais personagens que compõem a festa são o Mestre, Rei, Rainha, Contramestre, os Mateus, a Catirina, figuras e crianças. 

A denominação de Reisado, como também é chamado, persiste ainda em Alagoas, Sergipe, Bahia, além de diversas outras regiões, em que o folguedo é chamado de Bumba-meu-boi, Boi de Reis, Boi-Bumbá ou simplesmente, Boi. Em São Paulo é conhecido como Folia de Reis, onde a  festa é composta de apresentações de grupos de músicos e cantores, todos com roupas coloridas, entoando versos sobre o nascimento de Jesus Cristo, liderados por um mestre. 

Espanha

No país Ibérico, a data é celebrada com uma grande festa de cortejo dos Reis Magos, a ‘Cabalgata del Reyes’  ou em português, Cavalgada dos Reis Magos. As crianças deixam sapatos nas janelas, preenchidos com capim e ervas, no intuito de alimentar os camelos dos Reis Magos. De acordo com a lenda do país, em troca, essas mesmas crianças recebem em troca doa magos doces e guloseimas. A festa acontece com um tradicional desfile de Reis e cavaleiros em carros muito bem decorados.  Ao final, misturam-se com as crianças para brincar nas ruas. A Cavalgada dos Reis Magos acontece há mais de 150 anos, sempre na véspera do Dia de Reis (5). 

Itália

Na Itália a comemoração ganha o nome de Befana, uma bruxa que fornece presentes às crianças. Diferente dos demais países que possuem a tradição do Papai Noel presentear no Dia 25 de dezembro, a Befana se encarrega desta função, todo dia 6 de janeiro do ano. 

A bruxa nada mais é do que uma figura folclórica da Itália, definida tradicionalmente por uma velhinha simpática, de roupas remendadas, chale, lenço na cabeça e chapéu pontiagudo, botas e de vassoura na mão. Sua fama é de levar doces e presentes para as crianças que se comportarem bem, e carvão para as que foram rebeldes.

Alemanha

Embora pareça que ‘C+M+B’ sejam as iniciais dos Reis Magos, as abreviações simbolizam a frase ‘Cristo Mansionem Benedicat’, que em português significa Cristo abençoe esta casa. Durante a data, todas as casas se purificam,  com incenso de para afastar as energias negativas e  colocam a metade de uma cebola  polvilhada com sal no peitoril da janela. As crianças disfarçam-se de Reis Magos e escrevem as iniciais do nome nas portas das casas.  

Vaticano

A data é celebrada no Vaticano com uma grande missa celebrada pelo Papa. 

Hungria

Na Hungria, as crianças costumam se vestir de Reis Magos, transportando os presépios de porta em porta pedindo moedas aos moradores.

Filipinas

Nas Filipinas, o Dia de Reis é celebrado com homens adultos, que se vestem de Reis Magos e saem a distribuir doces para as crianças pelas ruas.

 

E você como costuma celebrar a data? Conta para a gente!

30 milhões de brasileiros preferem viver sozinhos e são mais felizes, diz pesquisador

Em 10 anos, o número de pessoas que vivem sozinhas no Brasil saltou de 10,4% para 14,6% da população, segundo o IBGE.



Viver sozinho pode ser a tendência do século XXI. Após se debruçar sobre dados do último CENSO do IBGE e a experiência de mais de 25 anos de consultório, o psicanalista e escritor Geraldo Peçanha de Almeida desenvolveu uma ampla pesquisa que está tomando forma em seu último livro. “É possível ser feliz sozinho” é uma análise comportamental desta geração a partir de uma abordagem estatística sobre o crescimento da população brasileira que optou por viver sem companhia. “É uma opção de vida que se cristalizou no Brasil nos últimos 50 anos e provavelmente em outras partes do mundo. A tia solteirona vivendo sozinha na casa dos pais lá nos anos 70 é hoje a idosa que vive sozinha, viaja, consome, gasta em lazer e tem boa qualidade de vida”, afirma.
As conclusões do pesquisador estão baseadas em dados. Em 10 anos, o número de pessoas que vivem sozinhas no Brasil saltou de 10,4% para 14,6% da população, segundo o IBGE. Os dados são um recorte de 2005 para 2015 e também mostram que a maior parte (44,3%) dos que vivem sem companhia são idosos. Ao contrário do que se possa imaginar, boa parte dessas pessoas (48%) decidiu morar só por vontade própria e 72% acreditam que viver sozinho dá mais liberdades para gastar dinheiro. Eles se sentem mais independentes (25%), livres (23%) e com maior privacidade (50%). Apenas 1% se sente abandonado, 3% triste e 10% reclama do peso da solidão.
Com números tão otimistas sobre a vida particular, o pesquisador acredita que o caminho é sem volta. “Quem escolhe viver assim dificilmente mudará de ideia”, afirma. O problema, segundo o escritor, são de ordem prática. Pessoas que envelhecem sozinhas acabam carentes de companhia para realizar atividades corriqueiras, como ajuda em eventuais procedimentos médicos e solução de entraves burocráticos e não há previsão de políticas públicas para essa realidade.
Apesar do aumento desse estilo de vida no Brasil, na visão do escritor ainda existe uma norma de comportamento que reprime a vida solitária, o que ele classifica como “unofobia”. “O estereótipo de vida compartilhada e principalmente de felicidade compartilhada faz com que não se aceite, enquanto sociedade, o direito de escolher a solidão como um caminho possível e feliz”, analisa. “Neste novo cenário, os “homo solus” são felizes sem filhos, sem casamento, sem familiares”. O que parece triste para alguns é a opção de quase 30% dos brasileiros adultos. A vida religiosa e o mercado de bens e serviços também acompanhou essa mudança de comportamento, permitindo que produtos antes desenvolvido em “tamanho família” fossem adaptados para quem é único. “Eles depositam sua fé em crenças menos rígidas e que não cobram o estabelecimento de uma família; eles compartilham o transporte, a hospedagem e preferem moradias mais compactas”, comenta Almeida.

VAMOS TOMAR A VACINA E COM ISTO REDUZIR O MÁXIMO OS RISCOS DE CONTAMINAÇÃO

NOTÍCIAS EM DESTAQUE - VACINAS - DEFINIÇÃO - EFICÁCIA - É SEMPRE BOM SER VACINADO E FICAR PROTEGIDO, MESMO QUANDO NÃO SE TEM 100%.


Uma vacina é uma preparação biológica que fornece imunidade adquirida ativa para uma doença particular. Uma vacina tipicamente contém um agente que se assemelha a um microrganismo causador de doenças e é muitas vezes feito de formas enfraquecidas ou mortas do micróbio, das suas toxinas ou de uma das suas proteínas de superfície. O agente estimula o sistema imunológico do corpo a reconhecê-lo como uma ameaça, destruí-lo e a manter um registro seu para que possa mais facilmente reconhecer e destruir qualquer um desses microrganismos que mais tarde encontre. As vacinas podem ser profilácticas (exemplo: para prevenir ou melhorar os efeitos de uma futura infecção por qualquer patógeno natural ou "selvagem"), ou terapêuticas (por exemplo, vacinas contra o câncer estão a ser pesquisadas).

Vacinas são, historicamente, o meio mais efetivo e seguro para se combater e erradicar doenças infecciosas. Limitações para sua eficácia, porém, existem. Algumas vezes, a proteção oferecida pela vacina falha porque o sistema imune humano não consegue responder adequadamente ou não responde. A falta de resposta imune envolve muitos fatores, como diabetes, uso de esteroides sintéticos ou HIV. Pode também haver um fator genético para a falha da vacina, se o sistema imune não possuir linhas de células B capazes de gerar anticorpos específicos para se ligar a um determinado patógeno. Mesmo que o organismo desenvolva os anticorpos, a proteção ainda pode não ser adequada, pois a imunidade pode se desenvolver muito devagar para ser efetiva a tempo, os anticorpos podem não destruir o patógeno completamente ou pode haver muitas cepas diferentes de patógenos, nem todos suscetíveis a uma resposta imune. Porém, até mesmo a imunidade parcial, tardia ou fraca pode mitigar a infecção, resultando em uma baixa taxa de mortalidade, baixa morbidade e total recuperação.

EFICÁCIA

O primeiro deles é se as cepas do vírus influenza que circularão serão semelhantes àquelas definidas pela OMS como as mais prováveis e que estão contidas na vacina. Nos anos em que ocorre uma maior coincidência entre as cepas contidas na vacina e as circulantes, esta eficácia está em torno de 70 a 80%.

Cientistas explicam que nenhum imunizante é 100% eficiente. O grau de eficácia, no entanto, é importante para definir qual a cobertura vacinal será necessária para, de fato, frear a doença. No caso de eficácia mínima para a covid, mesmo se toda a população recebesse a dose, não haveria certeza de queda na transmissão do vírus.

 O excepcional alinhamento de Júpiter e Saturno, que não acontece de tal modo desde a Idade Média

Alinhamento dos planetas ocorre a cada duas décadas, mas não de modo tão próximo como o previsto em dezembro

Entre 16 e 21 de dezembro, uma grande parte dos habitantes da Terra poderá observar um fenômeno que não ocorria pelo menos desde 1623 - ou, segundo alguns astrônomos, desde o século 13: o que é conhecido como a "grande conjunção" de Júpiter e Saturno.

Durante esses dias, e especialmente às noites, os dois planetas estarão alinhados de tal maneira que parecerá que formam um planeta "duplo".

"Depois de meses de aproximação lenta, em 21 de dezembro, que coincide com o solstício de inverno, Júpiter e Saturno se reunirão em uma espetacular grande conjunção", diz à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) Hernando Guarín, professor de Astronomia da Universidade del Valle, na Colômbia, e diretor da Rede Colombiana de Astronomia.

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'Última girafa branca do mundo' é monitorada por GPS contra caçadores
Para Guarín, a noite de 21 de dezembro será um "presente de Natal" antecipado para os fãs de astronomia.

Fenômeno será visível em áreas com o céu limpo, principalmente perto da linha do Equador

Segundo Guarín, esse alinhamento e a possibilidade de vê-lo desde a Terra são excepcionais por conta do próprio movimento dos três planetas.

"A Terra leva um ano para dar volta no Sol; Júpiter leva 12 anos e Saturno, 30 anos", explica. "Isso torna difícil que o fenômeno aconteça com regularidade."

Embora o alinhamento ocorra aproximadamente a cada duas décadas, o fenômeno deste ano tem características específicas que são inéditas há muitas centenas de anos.

"Esta conjunção será excepcionalmente rara devido a quão próximos os planetas estarão entre si", explica Patrick Hartigan, astrônomo da Universidade de Rice (EUA).

Uma conjunção com os planetas próximos entre si ocorreu em 16 de julho de 1623, mas Hartigan acha que o que vai acontecer em dezembro só tem paralelo com um fenômeno ainda mais antigo.

"Seria preciso retroceder até antes do amanhecer de 4 de março de 1226 para ver um alinhamento mais próximo entre esses planetas (de modo) visível no céu noturno", diz.

Passado 21 de dezembro, "aqueles que preferirem esperar e ver Júpiter e Saturno tão perto e mais acima no céu noturno terão que aguardar até 15 de março de 2080. Depois disso, a dupla não fará aparição semelhante até depois de 2400", diz ele.

Para Guarín, há outro ponto a ser levado em conta.
Conjunção dos planetas depende da rotação deles ao redor do Sol

"Podemos ver como os planetas estão se aproximando entre si. Ou seja, é um espetáculo que podemos seguir desde agora até 21 de dezembro, quando infelizmente eles voltarão a se separar".

A relevância é desde o ponto de vista científico, mas também "para as pessoas que queiram voltar a olhar para o céu", opina Guarín.

A luminosidade de ambos os planetas no mês de dezembro tornará ainda mais simples essa observação: segundo o pesquisador, será possível ver o fenômeno a olho nu, principalmente de pontos próximos à linha do Equador, embora a visão através de um telescópio ou observatório seja muito melhor.

Mas para conseguir avistar a conjunção "é essencial ter um bom horizonte, totalmente limpo, sem nuvens, montanhas ou edifícios".

Ao mesmo tempo, Peter Lawrence, assessor editorial da revista Sky at Night, da BBC, aponta que é é preciso ter cuidado ao observar tais fenômenos com binóculos.

"Binóculos podem separar os planetas devido ao efeito ótico, por isso é melhor usar um telescópio", afirma o astrônomo. "Com um telescópio você não verá apenas um disco duplo (dos planetas alinhados), como também poderá apreciar os anéis de Saturno e os cinturões de Júpiter."


Black Friday: de onde vem esse nome e outras 9 curiosidades sobre a data

Nos Estados Unidos, evento acontece tradicionalmente depois do feriado de Ação de Graças; Brasil e outros países aderiram à moda

Um dos dias mais aguardados no ano por lojistas e consumidores, a Black Friday teve origem nos Estados Unidos e hoje é adotada em vários países do mundo, como o Brasil.

Em 2019, o evento movimentou R$ 6 bilhões, uma alta de 36% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da empresa Compre&Confie. Com a pandemia de coronavírus em 2020, os comerciantes esperam bater um novo recorde, já que o comércio online está aquecido porque as pessoas estão saindo menos de casa para comprar por temor da covid-19.

Nos EUA, o evento acontece tradicionalmente depois do feriado de Ação de Graças, com filas a perder de vista. Todos os consumidores têm um único objetivo: garimpar produtos com descontos que podem chegar a até 90% do preço original.

Mas quando surgiu a Black Friday? Por que o evento ganhou esse nome? Confira dez curiosidades envolvendo um dos dias mais famosos do varejo.

1) O termo Black Friday se referia a crises na Bolsa

Embora esteja hoje associado ao maior dia de compras dos Estados Unidos, o termo Black Friday (literalmente "Sexta-Feira Negra" em inglês) se referia originalmente a eventos muito diferentes.

"O adjetivo negro foi usado durante muitos séculos para retratar diversos tipos de calamidades", afirma o linguista Benjamin Zimmer, editor-executivo do site Vocabulary.com.

Nos EUA, a primeira vez que o termo foi usado foi no dia 24 de setembro de 1869, quando dois especuladores, Jay Gould e James Fisk, tentaram tomar o mercado do ouro na Bolsa de Nova York.

Quando o governo foi obrigado a intervir para corrigir a distorção, elevando a oferta da matéria-prima ao mercado, os preços caíram e muitos investidores perderam grandes fortunas.

2) Os desfiles de Papai Noel antecederam a Black Friday

Para muitos americanos, o desfile do Dia de Ação de Graças, promovido pela loja de departamentos Macy's, tornou-se parte do ritual do feriado.

Mas o evento, na verdade, foi inspirado nos vizinhos do norte. A loja de departamentos canadense Eaton's realizou o primeiro desfile do Papai Noel em 2 de dezembro de 1905. Quando o Papai Noel aparecia ao final do desfile, era um sinal de que a temporada de festas havia começado - e, por sua vez, a corrida às compras. É claro que os consumidores eram incentivados a fazer compras na Eaton's.

Lojas de departamento, como a Macy's, inspiraram-se no desfile e passaram a patrocinar eventos semelhantes ao redor dos Estados Unidos.

Loja de departamentos Macy's se inspirou na canadense Eaton's e passou a patrocinar desfiles e eventos natalinos para incentivar as compras

Em 1924, por exemplo, Nova York viu pela primeira vez um desfile da Macy's com animais do zoológico do Central Park, totalmente organizado por funcionários da própria loja.

3) A data do Dia de Ação de Graças foi determinada pelas vendas

De meados do século 19 ao início do século 20, em um costume iniciado por Abraham Lincoln, o presidente dos EUA declararia o "Dia de Ação de Graças" na última quinta-feira de novembro. O dia poderia, assim, cair na quarta ou quinta quinta-feira do mês.

Em 1939, porém, algo aconteceu - a última quinta-feira foi coincidentemente o último dia de novembro.

Preocupados com o curto período de compras para as festividades de fim de ano, lojistas enviaram então uma petição a Franklin Roosevelt (1882-1945) para declarar o início das festas uma semana mais cedo, o que foi autorizado pelo então presidente.

Pelos próximos três anos, o Dia de Ação de Graças foi apelidado de "Franksgiving" (uma mistura de Franklin com "Thanksgiving", como a data festiva é chamada em inglês) e celebrado em dias diferentes e em diferentes partes do país.

Dia costuma ser marcado por filas e confusão em lojas ao redor do mundo

No final de 1941, uma resolução conjunta do Congresso finalmente solucionou o problema. Dali em diante, o Dia de Ação de Graças seria comemorado na quarta quinta-feira de novembro, garantindo uma semana extra de compras até o Natal.

4) A síndrome da sexta-feira após o Dia de Ação de Graças

Segundo Bonnie Taylor-Blake, pesquisador da Universidade da Carolina do Norte, a Factory Management and Maintenance - uma newsletter do mercado de trabalho - reivindica a autoria do uso do termo Black Friday.

Em 1951, uma circular da empresa chamou atenção para a incidência de profissionais doentes naquele dia.

"A síndrome da sexta-feira após o Dia de Ação de Graças é uma doença cujos efeitos adversos só são superados pelos da peste bubônica. Pelo menos é assim que se sentem aqueles que têm de trabalhar quando chega a Black Friday. A loja ou estabelecimento pode ficar meio vazio e todo ausente estava doente", dizia a circular.

5) Black ou Big Friday?

Esse termo ganhou popularidade pela primeira vez na Filadélfia - policiais frustrados pelo trânsito causado pelos consumidores naquele dia começaram a se referir dessa forma à Black Friday.

Data se tornou o dia em que mais se gasta em todo o ano

Os lojistas evidentemente não gostaram de ser associados ao tráfego e à poluição. Eles, então, decidiram repaginar o termo para "Big Friday" ("A Grande Sexta", em tradução literal), segundo um jornal local de 1961.

6) Com o tempo, Black Friday passou a significar 'voltar ao azul'

Os lojistas conseguiram dar uma interpretação positiva ao termo ao dizer que ele se referia ao momento em que os estabelecimentos retornavam ao azul, ou seja, voltavam a ter lucro. Mas não há provas de que isso tenha realmente acontecido.

É verdade, por outro lado, que o período de festas corresponde à maior parte dos gastos de consumo do ano.

Mas quanto dessas receitas realmente se torna lucro não está claro, dado que os lojistas costumam trabalham com margens mais apertadas, oferecendo grandes descontos.

7) A Black Friday não se tornou referência nacional até a década de 1990

O termo Black Friday permaneceu restrito à Filadélfia por um tempo surpreendentemente longo.

"Você podia vê-lo sendo usado de maneira moderada em Trenton, Nova Jersey, mas não ultrapassou as fronteiras da Filadélfia até os anos 80", disse Zimmer.

"O termo só se espalhou a partir de meados dos anos 90."

8) Ela só se tornou o maior dia de compras do ano em 2001

Embora a Black Friday seja considerada o maior dia de compras do ano, a data não ganhou esse título até os anos 2000.

Isso porque, por muitos anos, a regra não era que os americanos adoravam uma liquidação, mas sim que adoravam procrastinar. Ou seja, até tal ponto, era no sábado - e não na sexta-feira - que as carteiras ficavam mais vazias.

Consolidação - e exportação - da Black Friday se deu neste milênio

9) Data gerou 'inveja' e ganhou o mundo

Por muito tempo, os lojistas canadenses morriam de inveja de seus colegas americanos, especialmente quando seus clientes fiéis colocavam o pé na estrada rumo ao sul em busca de boas compras.

Mas agora eles passaram a oferecer as suas próprias liquidações - apesar de o Dia de Ação de Graças no Canadá acontecer um mês antes.

No México, a Black Friday ganhou novo nome - 'El Buen Fin', ou "Bom fim de semana". A comemoração é associada ao aniversário da revolução de 1910 no país, que às vezes cai na mesma data que o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos.

Como o próprio nome sugere, o evento dura o fim de semana inteiro.

No Brasil, onde o feriado de Ação de Graças não existe, a data passou a ser incluída no calendário comercial do país quando lojistas perceberam o potencial de vendas do dia.

10) A Black Friday corre risco de extinção?

O Walmart, o maior varejista do mundo, quebrou a tradição do Black Friday em 2011, quando abriu sua loja a clientes na noite do feriado de Ação de Graças.

Desde então, lojistas por todos os Estados Unidos estão de olhos nos cerca de 33 milhões de americanos ávidos por fazer compras após se deliciar com generosas fatias de peru.

Mas não se preocupe - os lojistas também já inventaram um nome para batizar o dia adicional de compras: "Quinta-feira Cinza".

Créditos:

Kim Gittleson - BBC News

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