90% dos tumores na mama são gerados por estilo de vida e 10% por genética
Suicídio: a vida não pode parar
É chocante, mas 60% das pessoas conhecem alguém que se matou. Apesar da alta incidência do problema, é possível preveni-lo na maioria dos casos
Por Karolina Bergamo access_time 17 set 2018, 16h11 - Publicado em 20 jul 2017, 21h34
“É para aliviar de vez a minha dor.” Assim o designer Felipe*, de 31 anos, enxerga o suicídio. Um remédio amargo e definitivo contra o sofrimento. Vítima de violência doméstica, abuso sexual e bullying, Felipe, que já recebeu o diagnóstico de depressão, faz parte de uma população negligenciada, porém estatisticamente significativa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida todo ano – e um número muito maior ao menos cogita ou tenta se suicidar. A morte voluntária já é a segunda maior causa de óbito entre jovens de 15 a 29 anos. São cifras que seguem avançando. Sorrateiramente.
“O silêncio em torno do assunto dá a impressão de que ele não é importante ou que simplesmente não acontece”, avalia Teng Chei Tung, médico do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP). Os dados internacionais mostram que a realidade está longe de ser assim. “Existe suicídio desde o início da humanidade. Por ter permanecido como tabu durante séculos, precisamos de muita conscientização para tratá-lo como a questão de saúde pública que de fato representa”, reflete o psiquiatra Humberto Correa, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio.
Um problema varrido para debaixo do tapete
Apesar de figurar entre as principais causas de morte no planeta, o investimento em pesquisas e campanhas na área é um dos menores quando comparado a outras condições médicas. “Como vamos avançar com esse desequilíbrio, tanto nos estudos quanto na promoção de políticas públicas?”, questionou a psiquiatra Alexandrina Meleiro, professora do IPq-USP, durante palestra realizada no Centro Universitário São Camilo, na capital paulista. Organizada pelos próprios estudantes da faculdade, a conferência foi um sucesso de público. No Facebook, quase 2 mil pessoas confirmaram presença e 10 mil demonstraram interesse.
O auditório lotado foi um sinal de que o silêncio está começando a ser quebrado. E não há como negar que o fenômeno tem a ver com a repercussão da série de TV americana 13 Reasons Why (Os 13 Porquês). A produção da Netflix mostra a trajetória de Hannah Baker, uma adolescente vítima de bullying, violência e abusos que comete suicídio e grava 13 fitas para explicar seus motivos. Um sucesso de audiência… e alvo de controvérsias entre especialistas em saúde mental. Veja o trailer:
A psicóloga Michele Silva esteve no evento da São Camilo para se atualizar na discussão das condutas com os pacientes. “Por causa dessa história da série, e até do jogo, as pessoas estão perdendo o medo de falar a respeito e o tema começou a aparecer mais no meu consultório”, conta. O jogo mencionado é o Baleia Azul, que causou barulho nas redes sociais. Composto de 50 desafios, ele estimula jovens a se automutilarem e, no fim, instiga o suicídio em si. Não se sabe ao certo sua origem, mas o primeiro caso de morte registrado ocorreu na Rússia em fevereiro.
Segundo a psicóloga Karen Scavacini, coordenadora técnica do Instituto Vita Alere, em São Paulo, o Baleia Azul é um crime que precisa ser combatido. E a série, por sua vez, tende a ser perigosa quando romantiza o tema. “Ao gerar identificação e imitação, a história pode se transformar em um fator de risco para o suicídio”, justEm circunstâncias do tipo, o apoio do entorno é fundamental. “Quando eu tentei me matar, tive que ouvir que eu não queria morrer de verdade e só tinha feito isso para chamar atenção, ou porque meu pai fez o mesmo”, relata Bianca. Eis um julgamento e uma reação que só tendem a piorar as coisas. “Suicídio deve ser tratado como uma doença. Não como frescura, coisa da cabeça ou falta de Deus. É uma condição grave que, assim como diabete ou pressão alta, precisa de remédio e acompanhamento”, defende Juliana, de 46 anos, que já tentou se matar seis vezes. “O que faz a diferença na decisão entre a vida e a morte não é só a presença de fatores de risco mas também as medidas de proteção disponíveis”, elucida Alexandrina Meleiro.
A primeira regra sobre a prevenção do suicídio é… falar sobre suicídio. “Sempre me questionam: `Posso perguntar para a pessoa se ela está pensando em se matar?’ Eu respondo: sim, deve. `Mas eu não vou dar ideia para ela?’ Não, ela vai se sentir melhor, porque você captou que não está tudo bem”, esclarece Alexandrina.
Um bom suporte social é um dos melhores meios para evitar que uma vida seja interrompida. “Houve uma fase em que, se eu tivesse uma única pessoa pra me dar um abraço gigante e dizer que eu ia sair dessa, não estaria tão mal hoje”, conta Bianca. “Sabe aquele desabafo que um santo qualquer te deixa fazer sem te questionar, colocar Deus no meio ou te criticar? Isso ajuda. O resto, no meio de uma crise, não”, diz Juliana.
É com essa finalidade, inclusive, que existe o Centro de Valorização da Vida (CVV), grupo de voluntários que oferece atendimento gratuito e 24 horas pela internet e por telefone – a organização tem até uma parceria com o Facebook para auxiliar usuários com suspeita de comportamento suicida. “Funcionamos como um pronto-socorro emocional. A pessoa que nos procura está pedindo ajuda. Falar traz alívio. E nem sempre as pessoas conseguem se abrir com a família e os amigos”, explica Carlos Correia, engenheiro e voluntário há 25 anos.
Iniciativas como essa nos fazem pensar também em estratégias de prevenção em massa e políticas públicas. Ainda estamos distantes do ideal, mas já existem diretrizes para nos servir de guia. De acordo com uma análise da Universidade Dartmouth, nos Estados Unidos, as medidas de proteção listadas pela OMS são o modelo mais eficiente e chegariam a diminuir a iminência de um suicídio em 95% – você confere algumas das principais à sua esquerda. O fato é que, com envolvimento e o olhar atento de todos, o que parece um túnel escuro e sem saída pode se tornar um caminho longo e iluminado. “Pelo menos de certa forma alguém se importa. Obrigado pela atenção e por se importar”, agradece Felipe no final da entrevista.
*os nomes de alguns entrevistados da reportagem foram encurtados ou alterados
Problema global
Apesar de o índice mundial de suicídios ter diminuído 9% entre 2000 e 2012, o cenário varia bastante para cada região. Em alguns lugares da África, por exemplo, houve um aumento de 38%, enquanto na Austrália e na Nova Zelândia registrou-se uma queda de 47%. De acordo com as diretrizes da OMS, aperfeiçoar a captação e a qualidade dos dados sobre o problema é crucial para traçar as medidas preventivas.
A cada 40 segundos uma pessoa se suicida no planeta.
E a cada 3 segundos um indivíduo tenta se matar.
94% das pessoas com comportamento suicida têm um distúrbio psiquiátrico.
90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos.
Suicídio já é a 10ª principal causa de morte nos EUA
1,5 milhão é a projeção mundial de mortes por suicídio para 2020
O Brasil é a 8ª nação no mundo em número absoluto de casos
O impacto da faixa etária
Embora o comportamento suicida se assemelhe em todas as idades, os motivos que levam alguém a se matar podem variar de acordo com a fase da vida. Veja ao lado as particularidades de cada período.
Adolescentes
“O bullying é considerado um dos principais motivos de suicídio na fase infanto-juvenil”, aponta Adriano Schlösser. Em um período de mudanças e de busca por identidade, a pressão social pode abalar o bem-estar. Nessa fase, para cada 200 tentativas, uma vida chega a ser interrompida.
Adultos
Os homens cometem até três vezes mais suicídio que as mulheres na faixa dos 35 aos 54 anos. Segundo o psicólogo Gabriel Fernandes, o papel social da masculinidade influi nesse cenário. Além disso, problemas financeiros ou conjugais também teriam um peso maior.
Idosos
Pessoas acima dos 65 anos dão menos sinais de comportamento suicida, porém escolhem meios mais letais. A proporção é de quatro tentativas para cada morte. “Aposentadoria, perda de funcionalidade física e solidão estão presentes nesse contexto”, expõe alguns fatores Schlösser.ifica. Aliás, o papel da TV, da internet e de outros meios de comunicação é bastante significativo nesse contexto. “Estima-se que hoje a mídia seja o terceiro maior motivador de comportamento suicida, superado apenas pelo desemprego e pela violência, em qualquer faixa etária”, revela o psicólogo Adriano Schlösser, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Felipe, que hoje faz terapia online e assistiu ao seriado com os olhos de quem sente na própria pele o problema, também achou que, apesar de trazer o assunto à tona, a produção foi irresponsável em alguns aspectos. “A série dá a entender que os dilemas de pessoas como Hannah são em parte culpa delas e elas estariam se vingando ao cometer suicídio, o que não é uma verdade”, analisa.
Mas o que leva uma pessoa a querer colocar um ponto final na própria vida? “Essa é uma das questões mais complexas da interação humana”, adianta o psicólogo Gabriel Fernandes, da UFSC. A presença de um transtorno psiquiátrico, em especial a depressão, dá as caras em 94% dos casos. “Tanto no nível individual, como no plano de políticas públicas, o diagnóstico e o tratamento efetivo são uma boa forma de resguardo”, afirma Correa. O desafio é que existem outros fatores entremeados nesse enredo, como ter passado por conflitos, violência, abuso e isolamento.
“Meu pai se matou quando eu tinha 10 anos. E eu ainda sofri muito bullying no colégio. Xingamentos e até agressão física passaram a fazer parte da minha rotina. Sempre fui uma criança alegre, mas logo comecei a me fechar”, relata a estudante universitária Bianca, de 20 anos, que tentou tirar a própria vida. Seu relato corrobora os achados de um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, que investigou a relação entre adversidades na infância e o risco de suicídio em adolescentes e jovens adultos. Depois de observar 548 721 pessoas, constatou-se que as atribulações no começo da vida têm peso significativo nessa equação – quanto maior o número de percalços, maior a probabilidade de ter ideias suicidas.
Por Karolina Bergamo access_time 17 set 2018, 16h11 - Publicado em 20 jul 2017, 21h34
“É para aliviar de vez a minha dor.” Assim o designer Felipe*, de 31 anos, enxerga o suicídio. Um remédio amargo e definitivo contra o sofrimento. Vítima de violência doméstica, abuso sexual e bullying, Felipe, que já recebeu o diagnóstico de depressão, faz parte de uma população negligenciada, porém estatisticamente significativa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida todo ano – e um número muito maior ao menos cogita ou tenta se suicidar. A morte voluntária já é a segunda maior causa de óbito entre jovens de 15 a 29 anos. São cifras que seguem avançando. Sorrateiramente.
“O silêncio em torno do assunto dá a impressão de que ele não é importante ou que simplesmente não acontece”, avalia Teng Chei Tung, médico do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP). Os dados internacionais mostram que a realidade está longe de ser assim. “Existe suicídio desde o início da humanidade. Por ter permanecido como tabu durante séculos, precisamos de muita conscientização para tratá-lo como a questão de saúde pública que de fato representa”, reflete o psiquiatra Humberto Correa, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio.
Um problema varrido para debaixo do tapete
Apesar de figurar entre as principais causas de morte no planeta, o investimento em pesquisas e campanhas na área é um dos menores quando comparado a outras condições médicas. “Como vamos avançar com esse desequilíbrio, tanto nos estudos quanto na promoção de políticas públicas?”, questionou a psiquiatra Alexandrina Meleiro, professora do IPq-USP, durante palestra realizada no Centro Universitário São Camilo, na capital paulista. Organizada pelos próprios estudantes da faculdade, a conferência foi um sucesso de público. No Facebook, quase 2 mil pessoas confirmaram presença e 10 mil demonstraram interesse.
O auditório lotado foi um sinal de que o silêncio está começando a ser quebrado. E não há como negar que o fenômeno tem a ver com a repercussão da série de TV americana 13 Reasons Why (Os 13 Porquês). A produção da Netflix mostra a trajetória de Hannah Baker, uma adolescente vítima de bullying, violência e abusos que comete suicídio e grava 13 fitas para explicar seus motivos. Um sucesso de audiência… e alvo de controvérsias entre especialistas em saúde mental. Veja o trailer:
A psicóloga Michele Silva esteve no evento da São Camilo para se atualizar na discussão das condutas com os pacientes. “Por causa dessa história da série, e até do jogo, as pessoas estão perdendo o medo de falar a respeito e o tema começou a aparecer mais no meu consultório”, conta. O jogo mencionado é o Baleia Azul, que causou barulho nas redes sociais. Composto de 50 desafios, ele estimula jovens a se automutilarem e, no fim, instiga o suicídio em si. Não se sabe ao certo sua origem, mas o primeiro caso de morte registrado ocorreu na Rússia em fevereiro.
Segundo a psicóloga Karen Scavacini, coordenadora técnica do Instituto Vita Alere, em São Paulo, o Baleia Azul é um crime que precisa ser combatido. E a série, por sua vez, tende a ser perigosa quando romantiza o tema. “Ao gerar identificação e imitação, a história pode se transformar em um fator de risco para o suicídio”, justEm circunstâncias do tipo, o apoio do entorno é fundamental. “Quando eu tentei me matar, tive que ouvir que eu não queria morrer de verdade e só tinha feito isso para chamar atenção, ou porque meu pai fez o mesmo”, relata Bianca. Eis um julgamento e uma reação que só tendem a piorar as coisas. “Suicídio deve ser tratado como uma doença. Não como frescura, coisa da cabeça ou falta de Deus. É uma condição grave que, assim como diabete ou pressão alta, precisa de remédio e acompanhamento”, defende Juliana, de 46 anos, que já tentou se matar seis vezes. “O que faz a diferença na decisão entre a vida e a morte não é só a presença de fatores de risco mas também as medidas de proteção disponíveis”, elucida Alexandrina Meleiro.
A primeira regra sobre a prevenção do suicídio é… falar sobre suicídio. “Sempre me questionam: `Posso perguntar para a pessoa se ela está pensando em se matar?’ Eu respondo: sim, deve. `Mas eu não vou dar ideia para ela?’ Não, ela vai se sentir melhor, porque você captou que não está tudo bem”, esclarece Alexandrina.
Um bom suporte social é um dos melhores meios para evitar que uma vida seja interrompida. “Houve uma fase em que, se eu tivesse uma única pessoa pra me dar um abraço gigante e dizer que eu ia sair dessa, não estaria tão mal hoje”, conta Bianca. “Sabe aquele desabafo que um santo qualquer te deixa fazer sem te questionar, colocar Deus no meio ou te criticar? Isso ajuda. O resto, no meio de uma crise, não”, diz Juliana.
É com essa finalidade, inclusive, que existe o Centro de Valorização da Vida (CVV), grupo de voluntários que oferece atendimento gratuito e 24 horas pela internet e por telefone – a organização tem até uma parceria com o Facebook para auxiliar usuários com suspeita de comportamento suicida. “Funcionamos como um pronto-socorro emocional. A pessoa que nos procura está pedindo ajuda. Falar traz alívio. E nem sempre as pessoas conseguem se abrir com a família e os amigos”, explica Carlos Correia, engenheiro e voluntário há 25 anos.
Iniciativas como essa nos fazem pensar também em estratégias de prevenção em massa e políticas públicas. Ainda estamos distantes do ideal, mas já existem diretrizes para nos servir de guia. De acordo com uma análise da Universidade Dartmouth, nos Estados Unidos, as medidas de proteção listadas pela OMS são o modelo mais eficiente e chegariam a diminuir a iminência de um suicídio em 95% – você confere algumas das principais à sua esquerda. O fato é que, com envolvimento e o olhar atento de todos, o que parece um túnel escuro e sem saída pode se tornar um caminho longo e iluminado. “Pelo menos de certa forma alguém se importa. Obrigado pela atenção e por se importar”, agradece Felipe no final da entrevista.
*os nomes de alguns entrevistados da reportagem foram encurtados ou alterados
Problema global
Apesar de o índice mundial de suicídios ter diminuído 9% entre 2000 e 2012, o cenário varia bastante para cada região. Em alguns lugares da África, por exemplo, houve um aumento de 38%, enquanto na Austrália e na Nova Zelândia registrou-se uma queda de 47%. De acordo com as diretrizes da OMS, aperfeiçoar a captação e a qualidade dos dados sobre o problema é crucial para traçar as medidas preventivas.
A cada 40 segundos uma pessoa se suicida no planeta.
E a cada 3 segundos um indivíduo tenta se matar.
94% das pessoas com comportamento suicida têm um distúrbio psiquiátrico.
90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos.
Suicídio já é a 10ª principal causa de morte nos EUA
1,5 milhão é a projeção mundial de mortes por suicídio para 2020
O Brasil é a 8ª nação no mundo em número absoluto de casos
O impacto da faixa etária
Embora o comportamento suicida se assemelhe em todas as idades, os motivos que levam alguém a se matar podem variar de acordo com a fase da vida. Veja ao lado as particularidades de cada período.
Adolescentes
“O bullying é considerado um dos principais motivos de suicídio na fase infanto-juvenil”, aponta Adriano Schlösser. Em um período de mudanças e de busca por identidade, a pressão social pode abalar o bem-estar. Nessa fase, para cada 200 tentativas, uma vida chega a ser interrompida.
Adultos
Os homens cometem até três vezes mais suicídio que as mulheres na faixa dos 35 aos 54 anos. Segundo o psicólogo Gabriel Fernandes, o papel social da masculinidade influi nesse cenário. Além disso, problemas financeiros ou conjugais também teriam um peso maior.
Idosos
Pessoas acima dos 65 anos dão menos sinais de comportamento suicida, porém escolhem meios mais letais. A proporção é de quatro tentativas para cada morte. “Aposentadoria, perda de funcionalidade física e solidão estão presentes nesse contexto”, expõe alguns fatores Schlösser.ifica. Aliás, o papel da TV, da internet e de outros meios de comunicação é bastante significativo nesse contexto. “Estima-se que hoje a mídia seja o terceiro maior motivador de comportamento suicida, superado apenas pelo desemprego e pela violência, em qualquer faixa etária”, revela o psicólogo Adriano Schlösser, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Felipe, que hoje faz terapia online e assistiu ao seriado com os olhos de quem sente na própria pele o problema, também achou que, apesar de trazer o assunto à tona, a produção foi irresponsável em alguns aspectos. “A série dá a entender que os dilemas de pessoas como Hannah são em parte culpa delas e elas estariam se vingando ao cometer suicídio, o que não é uma verdade”, analisa.
Mas o que leva uma pessoa a querer colocar um ponto final na própria vida? “Essa é uma das questões mais complexas da interação humana”, adianta o psicólogo Gabriel Fernandes, da UFSC. A presença de um transtorno psiquiátrico, em especial a depressão, dá as caras em 94% dos casos. “Tanto no nível individual, como no plano de políticas públicas, o diagnóstico e o tratamento efetivo são uma boa forma de resguardo”, afirma Correa. O desafio é que existem outros fatores entremeados nesse enredo, como ter passado por conflitos, violência, abuso e isolamento.
“Meu pai se matou quando eu tinha 10 anos. E eu ainda sofri muito bullying no colégio. Xingamentos e até agressão física passaram a fazer parte da minha rotina. Sempre fui uma criança alegre, mas logo comecei a me fechar”, relata a estudante universitária Bianca, de 20 anos, que tentou tirar a própria vida. Seu relato corrobora os achados de um estudo do Instituto Karolinska, na Suécia, que investigou a relação entre adversidades na infância e o risco de suicídio em adolescentes e jovens adultos. Depois de observar 548 721 pessoas, constatou-se que as atribulações no começo da vida têm peso significativo nessa equação – quanto maior o número de percalços, maior a probabilidade de ter ideias suicidas.
Homilia Diária - 13 de outubro de 2018.
Deus expulsa o demônio da divisão do meio de nós.
Não sejamos semeadores de divisão e discórdia, sejamos construtores da paz e da unidade
“Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra” (Lucas 11,17).
Jesus está, hoje, expulsando um demônio. O que é o demônio senão aquele que é o divisor, aquele que quebra a unidade, que nos divide internamente uns em relação aos outros?
Divisão é, acima de tudo, separação. O demônio é aquele que nos divide e nos separa de Deus. Ele é um dividido, um separado, um apartado que se apartou do Reino de Deus. O seu trabalho, na vida e no mundo, é, justamente, realizar a divisão entre as pessoas, colocar umas contra as outras, colocar-nos contra nós mesmos. Quando deixamos de nos amar, de gostar de nós mesmos, de nos valorizar e ver as coisas positivas, de buscar a unidade interior que precisamos viver, é ele quem está nos colocando contra nós mesmos, para que deixemos de nos amar, de nos querer bem e deixemos de nos valorizar.
Depois, o demônio nos coloca uns divididos contra os outros. Pense que tristeza uma casa onde a família é dividida! Não é uma família. O marido contra a esposa, a esposa contra o marido, os pais contra os filhos, os irmãos contra os irmãos.
A ação diabólica do mundo, desde o princípio, foi essa: um irmão contra outro, a humanidade dividida. Aqui, não se trata de pregar qualquer espírito de igualdade: “Todos temos que ser iguais. Todos temos que pensar igual”. Nada disso! A unidade do ser humano é, acima de tudo, a compreensão e o respeito mútuo que se deve ter, a aceitação do diferente, até porque Deus não nos criou iguais; por exemplo, Ele nos criou homem e mulher, com tantas diferenças, mas que se unem para ser uma só carne.
Deus nos criou de diversas formas, até os dedos das mãos são diferentes uns dos outros, mas soma uma unidade: a nossa mão, o nosso corpo e assim por diante.
Irmãos e irmãs, o demônio nos quer divididos, ele nos quer atacando e falando mal uns dos outros, colocando-nos uns contra os outros. Ele cria os piores elementos, semeia no meio de nós e continuamos a semear esses espíritos de discórdia e divisão. O primeiro deles é justamente falar mal uns dos outros, e como cresce essa tendência diabólica e terrível de falarmos mal, de nossas conversas serem alimentadas sempre para dizer alguma fofoca, alguma maledicência, atacar o outro, atacar o que pensa diferente, de se colocar uns contra os outros.
Assim como Jesus está expulsando esse demônio da vida deste homem, Ele quer expulsar o demônio da divisão do meio de nós. O demônio têm vários artifícios para usar, mas o primeiro é justamente esse, ele é o semeador da divisão e da discórdia. Não sejamos semeadores de divisão e discórdia, sejamos construtores da paz e da unidade. Isso é ser de Deus, o contrário é deixarmos que o espírito do maligno conduza as relações humanas.
Deus abençoe você!
Não sejamos semeadores de divisão e discórdia, sejamos construtores da paz e da unidade
“Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra” (Lucas 11,17).
Jesus está, hoje, expulsando um demônio. O que é o demônio senão aquele que é o divisor, aquele que quebra a unidade, que nos divide internamente uns em relação aos outros?
Divisão é, acima de tudo, separação. O demônio é aquele que nos divide e nos separa de Deus. Ele é um dividido, um separado, um apartado que se apartou do Reino de Deus. O seu trabalho, na vida e no mundo, é, justamente, realizar a divisão entre as pessoas, colocar umas contra as outras, colocar-nos contra nós mesmos. Quando deixamos de nos amar, de gostar de nós mesmos, de nos valorizar e ver as coisas positivas, de buscar a unidade interior que precisamos viver, é ele quem está nos colocando contra nós mesmos, para que deixemos de nos amar, de nos querer bem e deixemos de nos valorizar.
Depois, o demônio nos coloca uns divididos contra os outros. Pense que tristeza uma casa onde a família é dividida! Não é uma família. O marido contra a esposa, a esposa contra o marido, os pais contra os filhos, os irmãos contra os irmãos.
A ação diabólica do mundo, desde o princípio, foi essa: um irmão contra outro, a humanidade dividida. Aqui, não se trata de pregar qualquer espírito de igualdade: “Todos temos que ser iguais. Todos temos que pensar igual”. Nada disso! A unidade do ser humano é, acima de tudo, a compreensão e o respeito mútuo que se deve ter, a aceitação do diferente, até porque Deus não nos criou iguais; por exemplo, Ele nos criou homem e mulher, com tantas diferenças, mas que se unem para ser uma só carne.
Deus nos criou de diversas formas, até os dedos das mãos são diferentes uns dos outros, mas soma uma unidade: a nossa mão, o nosso corpo e assim por diante.
Irmãos e irmãs, o demônio nos quer divididos, ele nos quer atacando e falando mal uns dos outros, colocando-nos uns contra os outros. Ele cria os piores elementos, semeia no meio de nós e continuamos a semear esses espíritos de discórdia e divisão. O primeiro deles é justamente falar mal uns dos outros, e como cresce essa tendência diabólica e terrível de falarmos mal, de nossas conversas serem alimentadas sempre para dizer alguma fofoca, alguma maledicência, atacar o outro, atacar o que pensa diferente, de se colocar uns contra os outros.
Assim como Jesus está expulsando esse demônio da vida deste homem, Ele quer expulsar o demônio da divisão do meio de nós. O demônio têm vários artifícios para usar, mas o primeiro é justamente esse, ele é o semeador da divisão e da discórdia. Não sejamos semeadores de divisão e discórdia, sejamos construtores da paz e da unidade. Isso é ser de Deus, o contrário é deixarmos que o espírito do maligno conduza as relações humanas.
Deus abençoe você!
Um jeito melhor de ensinar as crianças. Sem precisar pedir desculpas.
Quando visitei diferentes
pré-escolas para a minha filha, visitei uma onde observei as crianças brincando
no parquinho. Enquanto subia a escada do escorregador, um menino pisou
acidentalmente no dedo de uma menina e ela começou a chorar. O que aconteceu depois
me deixou espantada. O menino, que tinha 3 anos, foi até a menina, olhou nos
olhos dela e perguntou: “Você está bem? Posso te trazer uma toalha?”. Ela
limpou suas lágrimas, balançou negativamente a cabeça e os dois voltaram a
brincar.
Eu olhei para a diretora da pré-escola, tipo, ah, o que foi
aquilo? “Nós não fazemos as crianças pedirem desculpas”, ela explicou. “A
palavra não significa muita coisa sem uma ação para ajudar a melhorar as
coisas. ” A diferença foi tão grande em relação ao que eu estou acostumada a
ver entre os pais, que tendem a forçar desculpas das crianças por qualquer
trombada, batida e queda acidental de uma obra de Lego recém-montada.
Normalmente, eles dão um olhar bravo e perguntam: “Como é que se
diz? ”. Então, quando a criança murmura um “desculpe” robótico, está tudo bem!
Boas maneiras! Estamos ensinando a eles!
Não diga para seus filhos pedirem desculpas
Mas esta abordagem é, na maioria
das vezes, insignificante, escreve Heather Shumaker em seu livro “It’s
OK Not to Share and Other Renegade Rules for Raising Competent and
Compassionate Kids”. As crianças amam a palavra “desculpe”, explica
Shumaker, pois ela magicamente os safa. “É mais ou menos como ensinar as
crianças a bater o carro e sair correndo”, ela escreve.
O problema com a solução de pedir desculpas é que muitas
crianças pequenas – digamos, na idade da pré-escola – não atingiram um estágio
de desenvolvimento moral para sentir pena, então os pais estão perdendo uma
oportunidade-chave para ensinar empatia real.
Shumaker escreve: Crianças pequenas às vezes nos enganam. Eles
podem imitar o pedido de desculpas e até chorar quando outra criança chora, mas
a maioria das crianças ainda não é capaz de sentir pena. As crianças são
diferentes – você pode ter uma que amadureceu mais cedo – mas a maioria das
crianças simplesmente não tem o desenvolvimento emocional e cognitivo para
sentir remorso.
O remorso exige a capacidade de se colocar no lugar de outra
pessoa e totalmente entender causa e efeito. Estas habilidades ainda estão emergindo
em crianças pequenas. Esperar que crianças pequenas peçam desculpas não as
ensina nada, a não ser uma lição equivocada em sequência: chute, peça
desculpas, siga em frente. Ao invés disso, os pais podem ajudar as crianças a
desenvolver compaixão moral ao explicar que suas ações têm consequências,
mostrando que elas podem fazer algo para melhorar as coisas e serem exemplos de
como usar a palavra “desculpe” de forma significativa.
Para acidentes do cotidiano, Shumaker sugere estes passos:
Traga as
crianças para perto
Algumas
vezes, quando as crianças acham que estão encrencadas, elas fogem, explica
Shumaker. Se isso acontecer, você pode colocar o braço em volta da criança e
dizer algo como: “Você precisa voltar aqui. A Callie se machucou. Mesmo se você
não fez de propósito, ela se machucou, e você precisa voltar aqui.”
Diga o
que aconteceu à criança que causou o acidente e seja específico
Mesmo quando o que acontecer pareça óbvio, precisa ser apontando
para uma criança pequena. Exponha os fatos. “Seu carrinho de compras passou por
cima do dedão dela.”... “Sua mão derrubou o copo de água na pintura dela.”...
“Você estava dançando e seu braço bateu no rosto dela.”.
Descreva o que você vê
Examinar os fatos da cena ajuda a criança a desenvolver empatia.
Enfatize as consequências de suas ações para a outra criança (ou adulto) e seja
específico: “Olhe, ele está chorando. Há um arranhão no braço dele. Deve estar
doendo.”. Seja um exemplo de empatia pela criança machucada. Pergunta à
criança: “Você está bem?”.
Tome uma
atitude
Embora crianças pequenas não entendam completamente o remorso, o
livro explica, elas são boas em tomar atitudes. Elas podem correr pegar um
Band-Aid ou um saco de gelo, ou limpar a sujeira que fizeram. Ajude-as a tomar
a responsabilidade.
Faça uma
garantia
Shumaker escreve: “Reafirmar que não acontecerá de novo
significa alguma coisa. ‘Desculpe’ também não significa.”
Para restabelecer a confiança entre as crianças, ela escreve,
faça a criança que causou o acidente garantir à outra criança que ela não irá
fazer aquilo de novo. Você pode perguntar: “Você vai bater nele de novo?”. Ou
fazer com que ela diga as palavras: “Eu não vou bater em você de novo”.
Seja um
exemplo ao pedir desculpas em sua própria vida
Eventualmente nós queremos que as crianças peçam desculpas. Mas,
ao invés de fazê-las pedir desculpas, Shumaker diz que é mais eficiente ser um
exemplo e pedir desculpas quando você, como pai ou mãe, fizer bobagem. Apenas
tenha certeza de que suas desculpas são de verdade. Isso significa reconhecer
as consequências de suas ações e dar passos para melhorar as coisas.
Por exemplo: “Desculpe por ter esquecido de levar seu ursinho
para a escola. Você sentiu falta dele durante a hora da soneca. Estou anotando
na minha lista para que eu me lembre da próxima vez.”. Em breve, as crianças
pedirão desculpas sem serem solicitadas, e elas dirão de verdade.
Banco Mundial reduz para 1,2% previsão de expansão do PIB do Brasil
Publicado em 05/10/2018 - 12:12
Por Kelly Oliveira e Andreia Verdélio – Repórteres da Agência Brasil Brasília
O Banco Mundial reduziu pela metade a previsão de crescimento da economia brasileira para este ano. No relatório regional semianual “Sobre Incertezas e Cisnes Negros: Como Gerenciar Riscos na América Latina e Caribe”, divulgado hoje (5), a previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, caiu de 2,4% de 1,2%.
Para 2019, também houve diminuição na estimativa para o crescimento do PIB: de 2,5% para 2,2%.
No relatório, o Banco Mundial lembra que, no fim de junho, o Banco Central reduziu sua estimativa de crescimento em 2018 para 1,6% (a previsão anterior era de 2,6%), após a greve dos caminhoneiros que paralisou setores da economia.
“A persistência de grandes e aparentemente intratáveis déficits fiscais, a falta de uma reforma previdenciária significativa e a crescente incerteza política sobre as eleições de outubro, em conjunto com a recente apreensão em mercados de capital internacional, colocaram em questão até mesmo esse crescimento modesto, com a previsão atual [do Banco Mundial] em 1,2% para 2018”, diz o relatório.
América Latina
A revisão da estimativa para o Brasil, responsável por mais de um terço do PIB da região, foi um dos motivos que determinaram a redução da expectativa de crescimento para a América Latina e Caribe. A previsão retraiu para 0,6% em 2018 e 1,6% em 2019. As previsões anteriores eram 1,8% neste ano, e 2,3% em 2019.
Além da desaceleração no Brasil, a estimativa para a região foi afetada pela instabilidade de mercado iniciada em abril na Argentina, pela deterioração continuada da situação na Venezuela, e uma piora do cenário internacional. Se fosse desconsiderada a Venezuela, o PIB da região cresceria 1,6% este ano e 2,1% em 2019.
O Banco Mundial destaca que a Venezuela “continua a implodir com uma crise econômica, financeira e social sem precedentes na história moderna da região”.
O PIB da Venezuela deverá cair 18,2% em 2018. A inflação acumulada esperada é de 1.000.000% até o fim do ano. O relatório cita que, de acordo com a Organização Internacional para Migrações (OIM) das Nações Unidas, mais de 1,6 milhão de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015, sobrecarregando recursos sociais e habitacionais em países vizinhos, particularmente na Colômbia, que está hospedando cerca de 935 mil imigrantes venezuelanos.
Na América do Sul é esperada uma contração de 0,1% em 2018 e um crescimento de 1,2% em 2019. Ao desconsiderar a Venezuela, o crescimento seria de 1,2% em 2018 e 1,9% em 2019.
A expectativa de crescimento da América Central é de 2,8% em 2018 e 3,2% em 2019, no Caribe de 3,7% em 2018 e 3,5% em 2019 e no México de 2,3% em ambos os anos.
Taxas de juros
No relatório, o Banco Mundial cita ainda que fatores externos continuam relativamente favoráveis à região, como o crescimento robusto nos Estados Unidos, o ainda forte crescimento da China (apesar da desaceleração), e a recuperação no preço das commodities [produtos primários com cotação internacional].
Ainda assim, diz o relatório, os desafios persistem, como a normalização da política monetária nos Estados Unidos, onde taxas de juros mais altas contribuem para uma queda drástica no fluxo de entrada de capital na região.
O Banco Mundial destaca ainda o fortalecimento do dólar e tensões comerciais.
Além disso, acrescenta que a América Latina e o Caribe estão extremamente expostos e vulneráveis a diversos desastres naturais - terremotos e enchentes que podem afetar áreas extensas e furações que têm devastado os países caribenhos.
Gerenciamento de riscos
Segundo a instituição, em termos de perdas humanas e danos econômicos, a região está entre as mais vulneráveis do planeta em razão da alta densidade populacional nas áreas atingidas por esses desastres e da necessidade de um melhor gerenciamento de riscos.
“Agora que a região está crescendo novamente, é hora de se preparar melhor contra riscos e construir resiliência a choques, para que os países não percam em um dia o que levaram anos para conquistar”, alerta Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, em nota.
“Não temos como escapar do fato de que nós vivemos em um mundo com muitos riscos, mas a boa notícia é que agora entendemos melhor esses riscos e temos ferramentas para controlá-los com mais sucesso do que no passado”, analisa.
Um exemplo é o chamado “Bônus Catastrófico da Aliança do Pacífico”, criado contra catástrofes como terremotos, algo que seria inconcebível há pouco tempo.
Além disso, o compartilhamento de riscos entre países por meio de dispositivos como o Mecanismo de Seguros contra Riscos de Catástrofes no Caribe (CCRIF, na sigla em inglês) pode fornecer fundos com disponibilidade imediata para a recuperação do país afetado por furacões.
FARINATA
1. O que é a farinata?
Uma espécie de farinha feita a partir de vários alimentos (frutas e legumes, por exemplo) que estão perto da validade e seriam incinerados por produtores e supermercados. O objetivo é combater a desnutrição.
2. O que é o granulado alimentar?
Um produto feito à base da farinata. Essa farinha também pode ser adicionada a bolos e pães ou ser usada como ingrediente para "reforçar" sopas, já que teria boa quantidade de carboidratos e proteínas.
3. Qual foi o projeto anunciado por Doria?
Trata-se de um programa para combater o desperdício de alimentos e erradicar a fome. O texto, do vereador Gilberto Natalini (PV), foi apresentado ainda na gestão de Fernando Haddad (PT) e aprovado em setembro na Câmara Municipal.
4. A farinata faz parte do projeto municipal aprovado?
Apenas indiretamente. O projeto de lei menciona a "implantação de unidades de beneficiamento ou de processamento de alimentos em regiões em que se verifique destinação inadequada de volumes significativos de alimentos", mas não trata especificamente da farinata, de sua composição ou de seu uso.
5. Essa farinha pode ser usada na merenda só com aval de Doria?
Não. A Codae (Coordenadoria de Alimentação Escolar), da Secretaria Municipal de Educação, é responsável pelo planejamento, execução e o controle das atividades relativas ao abastecimento de gêneros alimentícios, assim como pela definição dos cardápios oferecidos na merenda. Resolução federal no âmbito do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) ainda estipula que a introdução de novos alimentos na merenda, com exceção de frutas e hortaliças, seja precedida por teste de aceitabilidade por parte dos alunos. O teste é realizado pela Codae, que analisa a pertinência dos alimentos com relação ao balanceamento nutricional.
6. E o granulado faz parte do projeto municipal?
Apenas de maneira indireta, como a farinata. O produto foi mostrado pelo prefeito em 8 de outubro apenas como exemplo durante evento para sanção da lei. Doria o apresentou dentro de uma embalagem com uma imagem de Nossa Senhora e o chamou de "abençoado".
7. Por que Doria apresentou o granulado se ele não faz parte do projeto?
A Plataforma Sinergia, organização sem fins lucrativos que fabrica o granulado, estava no evento e entregou uma amostra a Doria. Sem saber detalhes do produto, o prefeito fez um vídeo o promovendo.
8. Como seria a distribuição desses produtos pela prefeitura?
O modelo de distribuição para as escolas e seu cronograma não foram definidos. Doria afirmou apenas que a rede municipal receberia a farinata em outubro, de forma complementar. A secretária de Direitos Humanos, Eloísa Arruda, disse que a farinha deve ser usada como matéria-prima para bolos, macarrão, entre outros.
Segundo a gestão, o granulado seria distribuído sem custos, a partir de outubro, por entidades cadastradas -como igrejas, templos e sociedade civil- e pela própria prefeitura. A secretária também diz que regiões em que os alimentos in natura não chegam facilmente (que ela chamou de "desertos alimentares") em São Paulo também seriam contemplados -mas esses locais ainda não foram especificados.
9. Quem forneceria a matéria-prima usada na farinata e no granulado?
Os alimentos seriam doados por produtores, supermercados e até pessoas físicas, que seriam tratados pela Sinergia de forma ainda não especificada: por meio de usinas transportadas em carretas, ou por meio de licenciamento da produção para outras empresas
10. Qual é a relação desses produtos com a Igreja Católica?
A Arquidiocese de São Paulo apoia o uso da farinata no combate à fome desde 2013, quando dom Odilo Scherer a recomendou ao Papa Francisco por meio de carta. Nesta quarta-feira (18), o arcebispo disse que fica "ofendido" ao ouvir comparações da farinata a ração. "Não politizem a fome do pobre. Desprezar o pobre é não dar alimento a ele", disse.
11. Por que alguns nutricionistas e chefes de cozinha são contra a ideia?
Eles argumentam que a alimentação é um ritual que inclui saborear o alimento, preferencialmente in natura. Outra preocupação é o fato de a farinha ser feita à base de produtos próximos do vencimento. Nutricionistas que criaram o produto afirmam que ele pode ser um complemento de combate à fome em situação emergencial.
12. Produtos semelhantes à farinata já foram usados antes no país para o combate à fome?
Sim. Zilda Arns, médica sanitarista e fundadora da Pastoral da Criança, defendia um produto chamado, composto por farelo de arroz, trigo e pó de sementes. Apesar de ter sido divulgada como modelo nos anos 70 e 80, hoje a prática é desaconselhada pelos conselhos de nutrição por causa dos riscos relacionados a higiene e toxicidade.
Qual é o tratamento para o TDAH?
Qual é o tratamento para o TDAH?
Fonte: Novartis

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Existem diferentes opções de medicamentos para o tratamento do TDAH, sendo a maioria da classe dos estimulantes (que, apesar do nome, proporcionam um efeito calmante no paciente), e também alguns classificados como não-estimulantes. Os medicamentos para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade têm potencial para reduzir a hiperatividade e impulsividade, além de melhorar a capacidade dos pacientes de concentração, trabalho e aprendizado. A medicação também pode melhorar a coordenação física das pessoas com TDAH.2
Existem diferentes tipos de terapia que podem ajudar as pessoas com TDAH a viver melhor, conforme o estágio de desenvolvimento em que estão. Juntos, os profissionais de saúde, pacientes com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e pais, precisam buscar e avaliar qual a melhor alternativa para cada pessoa. Entre as possibilidades, está a terapia comportamental, terapia cognitiva, terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades sociais, terapia psicoeducacional, abordagem psicopedagógica e terapia fonoaudiológica.
Hoje, apesar de não haver cura para o TDAH, existe uma infinidade de abordagens terapêuticas que permitem que as pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade desenvolvam diferentes habilidades, vivam com qualidade, sejam socialmente inseridos e alcancem grandes objetivos.
O tratamento do TDAH é abrangente e individualizado. Cada criança, adolescente ou adulto com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade pode responder ao tratamento proposto de forma diferente e, por isso, é tão importante que haja acompanhamento médico, psicológico, educacional e familiar bastante próximo.
A abordagem mais utilizada para o tratamento do TDAH é a abordagem combinada (multimodal), que consiste no uso de medicamentos associado a recursos complementares para melhorar a resposta final do paciente.1 Isso pode incluir a utilização de intervenções psicoterápicas, fonoaudiológicas, psicopedagógicas, mudanças no estilo de vida, além do uso de recursos tecnológicos e ajustes no ambiente onde o paciente está inserido.
“O objetivo principal do tratamento do TDAH é que o paciente aprenda a lidar com seus sintomas, evitando ou limitando os prejuízos em sua vida. Para isso, a medicação é importante, assim como outros recursos que envolvem trabalho psicoeducativo com a família e a escola (no caso de crianças), o entendimento sobre o que é o TDAH e como deve ser feito o tratamento, além de mudanças na rotina, na estrutura e no ambiente em que vive o paciente.”
Dr. Gustavo Teixeira, médico especialista em psiquiatria da infância e adolescência, professor visitante do Departamento de Educação Especial da Bridgewater State University (EUA) e editor-chefe do site www.comportamentoinfantil.com. – CRM RJ 5273634-1
Sobre os medicamentos
Existem diferentes opções de medicamentos para o tratamento do TDAH, sendo a maioria da classe dos estimulantes (que, apesar do nome, proporcionam um efeito calmante no paciente), e também alguns classificados como não-estimulantes. Os medicamentos para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade têm potencial para reduzir a hiperatividade e impulsividade, além de melhorar a capacidade dos pacientes de concentração, trabalho e aprendizado. A medicação também pode melhorar a coordenação física das pessoas com TDAH.2
Quando utilizados de acordo com a prescrição médica e as recomendações de bula, esses medicamentos são bastante seguros. Dentre os efeitos colaterais mais comuns dos medicamentos para TDAH, pode ocorrer a diminuição do apetite (que pode levar a perda de peso) e alguns problemas relacionados ao sono. Qualquer efeito colateral apresentado deve ser reportado ao médico para avaliação da continuidade do tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e um eventual ajuste de dose.3
ATENÇÂO ao uso de medicamentos para TDAH por pessoas saudáveis
Uma pesquisa recente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprovou que jovens saudáveis sem TDAH não têm atenção, memória ou as funções executivas beneficiadas com o uso de medicamentos para tratamento do TDAH. Por isso, além de ilegal, é também ineficaz o uso de medicamentos para o tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade por pessoas saudáveis sem a prescrição médica.4
Sobre a terapia
Existem diferentes tipos de terapia que podem ajudar as pessoas com TDAH a viver melhor, conforme o estágio de desenvolvimento em que estão. Juntos, os profissionais de saúde, pacientes com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e pais, precisam buscar e avaliar qual a melhor alternativa para cada pessoa. Entre as possibilidades, está a terapia comportamental, terapia cognitiva, terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades sociais, terapia psicoeducacional, abordagem psicopedagógica e terapia fonoaudiológica.
Esses recursos podem ajudar as crianças a buscarem uma mudança de comportamento, monitorar e controlar impulsos, lidar com eventos emocionalmente difíceis, etc. Em adolescentes e adultos com TDAH, a terapia pode ajudar em questões relacionadas à baixa autoestima, organização pessoal e profissional, gerenciamento de prioridades e também no controle da impulsividade, entre outras questões.5
Mudanças no estilo de vida
Há muitos estudos em andamento que buscam compreender melhor os benefícios da alimentação e da prática de atividades físicas como complementação no tratamento do TDAH. Já se sabe que a moderação no consumo de cafeína e açúcar, por exemplo, podem ajudar.6
Além disso, diversos estudos têm demonstrado que a prática de atividades físicas aeróbicas intensas (como nadar e correr) podem melhorar o funcionamento cognitivo e comportamental. Com isso, pessoas com TDAH que praticam exercícios físicos regulares podem ter a manifestação dos sintomas reduzida e melhorar o rendimento.7
A mudança no estilo de vida do paciente com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é geralmente uma forma de tratamento adjuvante, ou seja, associada aos demais recursos existentes, como medicamentos e intervenções psicossociais.
Tecnologia
Uma série de programas, aplicativos e recursos podem ajudar as pessoas com o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, em diferentes fases da vida, a gerenciar melhor seus sintomas. O uso da tecnologia pode contribuir com automonitoramento do tratamento do TDAH, para que o paciente possa controlar se já tomou o remédio, quando deve praticar exercícios físicos e visitar especialistas de saúde, por exemplo.
Além disso, os recursos tecnológicos podem ajudar os pacientes com TDAH a controlar outras áreas do dia a dia, como as tarefas da escola ou do trabalho. Mas é preciso que os pacientes pesquisem os recursos disponíveis e avaliem, individualmente, o que funciona para cada um.
Recursos que podem diminuir a intensidade dos sintomas do TDAH
A intensidade da manifestação dos sintomas do TDAH também pode ser influenciada por quatro diferentes fatores: estruturação do ambiente; nível de motivação; saliência da tarefa; e estágio de desenvolvimento. Por isso, resultados positivos podem ser observados a partir de mudanças propostas nesses fatores.8
1. Estruturação do ambiente: seja em casa, na escola ou em outro local, quanto mais estruturadas as regras do ambiente e quanto mais próximo o monitoramento externo (por país ou professores, por exemplo), menor a chance da manifestação dos sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
2. Nível de motivação: quanto mais motivado o paciente estiver para a realização de determinada tarefa ou atividade proposta, maior deverá ser seu nível de atenção na execução.
3. Saliência da tarefa: isto é, quanto mais divertida, ousada ou prazerosa a atividade, maior deve ser a atenção do paciente com TDAH. Além disso, atividades que geram recompensas rápidas (seja um elogio ou algo material) também costumam receber mais atenção e, desde que usadas com moderação, podem ajudar a reforçar um bom comportamento.
4. Estágio de desenvolvimento: cada paciente pode manifestar os sintomas do TDAH de forma diferente conforme sua idade e grau de desenvolvimento, bem como de acordo com suas habilidades e capacidades cognitivas. É importante entender o estágio do paciente e fazer propostas coerentes.
Referências
1. Site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção e Hiperatividade (ABDA). Disponível em http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/tratamento.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
2. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
3. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
4. Site Psiquiatria Unifesp. Disponível em http://www.psiquiatria.unifesp.br/sobre/noticias/exibir/?id=186. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
5. Site DDA Déficit de Atenção. Disponível em http://www.dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/tdah-alimentacao.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
6. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/publications/attention-deficit-hyperactivity-disorder/index.shtml#pub7. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
7. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3724411/. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
8. Polanczyk GV, Rohde LA. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. In: Forlenza OV, Miguel EC (Ed). Compêndio de Clínica Psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2012, pp. 220-239.
1. Site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção e Hiperatividade (ABDA). Disponível em http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/tratamento.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
2. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
3. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd/index.shtml#part_145449. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
4. Site Psiquiatria Unifesp. Disponível em http://www.psiquiatria.unifesp.br/sobre/noticias/exibir/?id=186. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
5. Site DDA Déficit de Atenção. Disponível em http://www.dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/tdah-alimentacao.html. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
6. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.nimh.nih.gov/health/publications/attention-deficit-hyperactivity-disorder/index.shtml#pub7. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
7. Site do National Institutes of Health (NIH). Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3724411/. Último acesso em 14 de setembro de 2015.
8. Polanczyk GV, Rohde LA. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. In: Forlenza OV, Miguel EC (Ed). Compêndio de Clínica Psiquiátrica. Barueri, SP: Manole, 2012, pp. 220-239.
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